{Entrevista} Bate papo com Cesar Bravo, nova aposta da Darkside Books na literatura nacional

Cesar Bravo Foto book.png

Boa noite, seres da madrugada! Hoje trouxemos uma novidade para vocês, um bate papo super descontraído com o autor de Ultra Carnem, Cesar Bravo. Ele foi um amor com o Blog com V e agradecemos, mais uma vez, por ele ter doado um pouco do seu tempo para nós! Cesar iniciou sua carreira de forma independente e hoje conquista seu espaço no mercado nacional por meio da primeira editora brasileira totalmente dedicada ao terror e à fantasia.

1. Oi, Cesar, tudo bem? Um prazer enorme você ter retornado nosso contato e nos concedido essa entrevista, esperamos que você goste de conhecer o Blog com V! Em primeira análise, soubemos que Cesar Bravo é um alter ego, nos fale mais sobre isso, como surgiu essa ideia?

Olá! Como vão? Agradeço demais pelo interesse de vocês e pela atenção de seus leitores. É muito gratificante quando alguém se interessa pelo nosso trabalho.

Sobre o nome, bem, Cesar tem sido meu nome há um bom tempo (ele inclusive está em minha certidão de nascimento). Logo no início da minha carreira, senti que precisava de algum isolamento, então decidi editar parte de meu nome, deixando apenas o que tinha uma maior relação com minha personalidade autoral. Cesar Bravo me pareceu o nome que eu precisava, hoje tenho certeza disso.

2. Você pode nos falar um pouco sobre quem é Cesar Bravo, qual sua obra e como foi para ele chegar aqui?

Cesar é um cara que lutou pra caramba, que precisou se reinventar e que conseguiu — através de duras penas, confesso — ganhar algum reconhecimento com suas obras (ele também teve sorte e muitos parceiros que o ajudaram nessa travessia).

Foi um pouco complicado alcançar uma publicação “de responsa” como aconteceu meses atrás. Precisei ler muito, escrever como um louco, escolhi abdicar de tempo com família e amigos para me dedicar quase que exclusivamente à escrita. Em certas noites, tudo parecia perdido, mas então eu mirava na distância do tempo e conseguia quase ver o que eu poderia conquistar. Creio que a receita mágica seja uma dedicação insana e uma fé inabalável, sem esses dois ingredientes, tudo o que resta é mediocridade.

3. Felizmente, o mercado nacional tem crescido bastante em comparação aos anos anteriores. Como você se sente fazendo parte dessa nova geração de escritores e como foi receber o telefonema de uma das maiores editoras do gênero em que sua obra está inserida e ter que batalhar no mercado editorial brasileiro?

Vivo um momento muito bom em minha carreira. Às vezes penso sobre o que dizem sobre o lugar certo e a hora certa. Desde 2011 venho observando a mudança de interesses do mercado. Acompanhei autores surgindo e muito outros ficando pela beira do caminho. Eu costumava pensar sobre como seria quando o mercado brasileiro olhasse para dentro, e tinha uma única certeza: eu estaria ali. Quando percebi que o jogo começava a virar, dei de cara com uma editora chamada DarkSide. Nossa aproximação foi gradual, enviei meus textos, esperei que eles lessem; ao mesmo tempo investi pesado da divulgação de meus livros independentes. Quando o telefone tocou eu quase não acreditei. Lembro que fiquei olhando para o telefone, encarando os olhos arregalados da minha esposa e pensando: tomara que eu não estrague tudo (risos). Depois desse primeiro contato vieram muitos outros, conheci a DarkSide melhor, os profissionais que produzem as obras, senti que meus livros não poderiam estar em mãos mais hábeis. Quando finalmente vi meu livro impresso, eu sabia que teria condições de competir de igual para igual com os grandes nomes do mercado — o que foi uma honra, uma grata satisfação. Fazer parte de tudo o que acontece atualmente nesse mercado é a resposta a todos os meus pedidos.

4. Você pode nos falar um pouco sobre Ultra Carnem, sua obra recentemente publicada pela editora Darkside Books, e o que podemos esperar de seus próximos trabalhos?

Ultra Carnem é um livro de horror, creio que seja difícil classificá-lo de outra maneira. Suas páginas são densas, arredias, sobretudo intensas. O que eu conheço de horror, incluindo desde o suspense até o gore absoluto, está inserido na obra. É um livro desafiador, inclusive em sua formatação. Quando o idealizamos, pensamos em entregar uma espécie de presente aos fãs mais ardorosos do gênero, uma mensagem clara de que o terror ainda estava vivo. Sobre os próximos trabalhos, podem esperar o de sempre: dedicação e sinceridade. Escrevo sobre o que vivencio, não tenho metas, planos, o que sai de minhas mãos vem como um destilado do que absorvo no dia a dia. Já escrevi romances policiais, fantasias sombrias, muitos outros horrores, todos com um toque do que mais aprecio nas artes em geral: o medo do desconhecido.

5. Como é sua relação com os fãs? Você tem fãs fora do Brasil?

“Como não amá-los?”, eu pergunto. Um fã é alguém que o admira sem conhecê-lo. Que se interessa por sua vida, por seu trabalho, alguém que o considera um amigo muito próximo. Eu sou doido por meus fãs (embora eu prefira tratá-los como grandes amigos). Tenho admiradores fora do Brasil, mas que eu saiba todos são brasileiros. A literatura não tem fronteiras, um bom livro tende a se espalhar como uma supergripe. Espero que meus livros alcancem mais e mais leitores, creio que alguns assuntos sejam universais, principalmente o medo.

6. Um dos gênios da literatura do horror, o Stephen King, lançou um livro sobre a arte de escrever e é conhecido por ter um molde de escrita e por possuir o segredo para o sucesso nessa área. Qual seu ritual de escrita e o que te move a escrever? Qual seu primeiro livro de terror e o que te iniciou nessa vertente?

Pode parecer estranho, mas eu sento e escrevo. O que não é tão fácil, se você levar em conta todas as atribulações do dia a dia. Escrever é exercício, é hábito; só depois de se acostumar com a rotina, é que a mágica começa a acontecer. Não sei como acontece com outros escritores, mas em um determinado momento você percebe que tem algo a oferecer. Essa é a sua hora, seu momento, e se você deixá-lo ir embora, pode nunca mais alcançá-lo. Sou um indisciplinado em quase tudo, mas nunca na escrita. Sobre meu primeiro livro de horror, não me lembro muito bem se foi Carrie ou Pet Sematary, mas foi um deles. Stephen King teve um papel fundamental em minha escrita inicial, ele me mostrou que era possível escrever qualquer coisa, desde que ela viesse de seu coração.

7. Se você pudesse montar uma trilha sonora para seu último livro agora, quais seriam as músicas desse Soundtrack macabro?

Fizemos isso, eu e a incrível DarkSide. O resultado vocês podem conferir no http://www.darksidebooks.com.br/ultra-carnem/

Motörhead, AC/DC, Black Sabbath, Misfits, Slayer, só músicas de baile!

8. Dos livros que você escreveu, qual seu personagem preferido? E qual seu personagem preferido do mundo do terror num geral?

Essa é muito difícil. Eu não conseguiria eleger facilmente um personagem criado por mim. Gosto muito de Lucrécia, do Ultra Carnem. Ela é forte, determinada, tem uma alma indomável. De um modo geral, como personagem, penso em Lúcifer. Não é à toa que o Príncipe do Enxofre está há tanto tempo figurando nos livros, o demônio é um personagem incrível.

9. Soubemos que você trabalha como Farmacêutico, procede? Como é ter que conciliar com a escrita, duas profissões tão diferentes? Você já pensou em largar tudo e virar só escritor ou então desistir do sonho de escrever?

Sim, eu atuo como farmacêutico. Conciliações extremas sempre são complicadas, mas não impossíveis. Eu aprendi a respeitar o horário de escrever da mesma maneira que respeitava o horário de colocar o jaleco. Você só precisa se dividir ao meio (suas paixões, suas vontades, o mundo que você acredita, sim… muito simples).

Creio que em breve poderei me dedicar unicamente à escrita. É o que me move e o que me tira da cama antes das seis da manhã. Porém, hoje entendo que tudo tem o seu momento certo, e que nada verdadeiro acontece até estarmos prontos. Sobre parar de escrever, eu nunca me atrevi a pensar tal coisa. Escrever me tirou de um lugar muito estranho, muito rotineiro e desanimador. Não pretendo voltar para lá.

10. Você pode deixar um recado para os leitores do Blog com V e para quem pensa em seguir carreira no mundo tão vasto da escrita?

Aos leitores e colaboradores do Blog com V, deixo meu agradecimento. Pelo carinho, pelo tempo que vocês dedicaram a ler essa entrevista, agradeço por acreditarem na literatura nacional de uma maneira tão especial.

Sobre escrever, bem, não existe um mapa. Vocês precisam de muita dedicação, de horas de leitura diária, precisam buscar material técnico quando se perderem em uma história. Sobre a história em si, pensem bem em seus personagens, se dediquem a conhecer de perto essas pessoas, seus anseios, suas qualidades, e no caso do horror, suas fraquezas. Personagens humanos não são perfeitos, você precisa aceitar e trabalhar com esse fardo se tem a vontade de criar algo que inspire os leitores. E por favor… Existe uma palavra chamada impossível. Quero que vocês a apaguem de seus dicionários. É uma palavra ruim, mesquinha, algo que não deveria ser dito quando o assunto é a realização pessoal (ou profissional) de um ser humano. Escrevam todos os dias; uma linha, um caderno inteiro, duas mil palavras, o importante é se manter na ativa. Com tempo e o esforço certo, o universo abrirá as portas para vocês. Não é fácil, não é simples, mas a realização de um sonho vale cada minuto vivenciado entre livros e estudo. Não pensem nos que ficaram à beira do caminho, pensem nos que conseguiram!

Agradeço novamente pelo tempo de vocês, espero que tenham gostado tanto quanto eu desse bate papo. Fiquem bem, sonhem alto, e se dediquem com fé e coragem aos dias que virão.

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“Cesar Bravo é um dos melhores autores nacionais em atividade. Se você gosta da fantasia e do horror criados pela mente de Clive Baker, encontrará muito disso em Cesar, além de seu estilo único” – Biblioteca do terror.

Sinopse:

Era um encontro inevitável. De um lado, a Caveira querendo publicar revelações da literatura do terror nacional. Do outro, um farmacêutico carismático com um toque de “O médico e o monstro” desejando dar voz as possibilidades sombrias que corriam em suas veias.

O pacto foi selado em latim e da união entre Cesar Bravo e a editora mais sombria do mercado nasceu um livro visceral. Ultra Carnem expande a sua obra mais popular, com quatro histórias que despem o irreal e tem como elo um olhar sarcástico de quem observa o mundo e compreende que na disputa entre o Céu e o Inferno nós somos o prato principal. Narrativas insanas, repletas de pactos, demônios, conversas capciosas, sangue, socos na boca do estômago e… bom, a gente não vai contar tudo.

Só o que podemos revelar é que Ultra Carnem expande em muito a mitologia criada por Cesar Bravo, dando detalhes assustadores sobre a infância e a obra maldita de Wladimir Lester, o estranho menino pintor. Além disso, o autor mostra até onde vai a fome de um homem desesperado pela fama ou por uma vida mais digna por direito. A caminhada segue sem pudores expondo a fragilidade de cada um de nós. Por fim, o leitor fica com a sensação de que nós, humanos, não devemos bancar o esperto. E que não existe a possibilidade de enganarmos o céu e o inferno.

Número de páginas: 384

Onde encontrar? Amazon

Mais de Cesar em:

Instagram @cesarbravo_autor 

https://www.livrosdobravo.blogspot.com.br

cesarbravoescritor@gmail.com

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58 comentários em “{Entrevista} Bate papo com Cesar Bravo, nova aposta da Darkside Books na literatura nacional

  1. Que entrevista maravilhosaaaa!
    Adorei conhecer o autor e estou super arrependida de não ter comprado o livro durante as promoções da Black Friday, darei um jeito nisso em breve hahahaha.
    Achei algumas respostas muito inspiradoras e fico muito feliz que ele não tenha desistido e tenha se dedicado tanto.
    Espero que ele tenha muito reconhecimento por aí!!

    ourbravenewblog.weebly.com

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  2. Olá, tudo bem?
    Meu Deus como ainda não conhecia conhecia esse autor? Só pela entrevista dele vejo a personalidade maravilhosa que ele tem. Deixo aqui um agradecimento a ele pela luta dele para publicar seus livros e por nunca ter pensado em parar de escrever é por conta de autores como ele, que a literatura brasileira está sendo cada vez mais valorizada.
    E ao Blog com V só posso deixar meus parabéns pela entrevista e pela iniciativa maravilhosa que que tiveram!!
    Já vou pesquisar mais obras do autor.
    Beijos 👄,
    teattimee.blogspot.com.br

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    1. Aaaah que comentário mais maravilhoso, guria!!! Obrigada pelo carinho e por ser tão maravilhosa para deixar essas palavras de carinho para ele e para o blog! De verdade, melhor comentário ❤ Pesquisa sim!!!

      Beijão, e obrigada de novo ❤

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