A improvável Annelise

Resenha  – A improvável Annelise

por: Marina Rodrigues

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Sinopse: Era uma vez pessoas de um planeta distante, poderes especiais, um sequestro, um Guardião e uma pedra. Essa realidade fantástica invade a vida da pacata Annelise Toder no dia em que seus pais desaparecem. Longe de casa e cercada de estranhos desconhecidos, ela se descobre descendente do povo de Antera e deve aprender a confiar em seus instintos para salvar a família. Uma aventura cheia de sentimentos e surpresas.


Número de páginas: 288
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Ainda estou sem palavras. Quando penso no livro, uma sensação nostálgica me invade, como se eu quisesse mais uma vez participar das aventuras de Annelise e como se o que ficou fossem apenas as coisas boas de uma jornada traçada com uma amiga especial há muito tempo atrás. Sinto saudades do que não vivi. Annelise me cativou de formas irremediáveis.
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Lembro quando o livro chegou aqui em casa, nossa! Nunca vi um livro tão cheiroso e uma capa tão gostosa de se olhar! Rapidamente, já fui cativada por todos esses elementos. Ao abrir o livro, me deparo com as fontes cuidadosamente escolhidas e o design de cada capítulo, o livro todo em si já é muito belo e pensado nos detalhes para compor a beleza de Annelise. Para os leitores que julgam o livro pela capa — aquele péssimo hábito! — felizmente não errariam com esse aqui. Ademais, ainda para aqueles que insistem em reclamar da qualidade de edição gráfica dos livros independentes brasileiros, acho que esse aqui não deixa a desejar nada para o público mais exigente.
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O livro se passa primeiramente no Brasil, onde residem os membros da família Toder, Annelise, sua irmã gêmea Elissa e os pais, Glória e Alfred. Porém, Annelise está na Áustria em um intercâmbio e logo recebe uma ligação de sua irmã, dizendo que os pais sofreram um terrível acidente de carro e é aí que as coisas começam a virar de cabeça para baixo, não do jeito que normalmente acontece quando você recebe uma noticia dessas, mas da forma mais improvável possível.
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Numa tentativa desesperada de voltar para casa, Annelise se encontra sem saída ao se deparar com Hans e seu filho Oliver, que lhe revelam que ela pertence a um planeta distante, com pessoa de poderes especiais, Antera. Esse planeta foi extinto muito tempo atrás e seu povo enviado para viver na terra e conviver com os humanos, se misturar, para isso contam com a ilha de Enda, onde o povo anterano tem uma câmera que legisla, faz o censo, mantém a população unida. Porém há a pedra de antera, que escolhe pessoas para o poder real, que vai governar os anteranos na terra, coisa que não aconteceu desde que esses seres passaram a residir entre nós.
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Mas a novidade não para por aí! Aparentemente, essa linhagem anterana não conhece muito sobre gêmeos, pois não acontece esses nascimentos com frequência e eles se mostram mais fortes que o normal. Então, os Guardiões de Anne acreditam que os pais dela, se não mortos como ela acredita que eles não estão, possam estar em poder de duas famílias poderosas, os Macker ou os Larx. Enquanto isso, Anne aprende sobre o povo de Antera e seus poderes, que se dividem assim:
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Linhagem Tradicional: aquela na qual se encaixam os anteranos que não pertencem a nenhuma outra linhagem. Apresenta os poderes básicos de todo e qualquer anterano: levitação, escaneamento/bloqueio – capacidade de identificar os sentimentos do outro. Também podem bloquear seus próprios sentimentos para não serem escaneados.

Linhagem de Curandeiros: responsáveis pela saúde da população. Possuem os seguintes poderes específicos: sensitividade – capacidade de sentir a dor e também de identificar doenças; curas pequenas e médias. Transferência de defesas e energia do seu corpo para o outro.

Linhagem dos Mestres: responsáveis por lidar com a mente, possuem os seguintes poderes específicos: sugestão – capacidade de fazer com que o outro esteja mais perceptível a ideias externas. Nublação – capacidade de tornar difícil o escaneamento de outra pessoa. Audição apurada – capacidade de ouvir a longas distâncias.

Linhagem dos Guardiões: responsáveis pelas defesas. Possuem os seguintes poderes específicos: força física – apesar da aparência normal, possuem um vigor físico superior aos demais. Voar – capacidade de projetar o corpo a alturas superiores às da levitação. Escudo – capacidade de produzir escudos de energia impenetráveis por forças externas. Invisibilidade – capacidade de tornar-se invisível aos olhos dos outros.

Linhagem Real: a realeza é composta por aqueles que, a cada geração, nascem com a capacidade de ativar a pedra de Antera. Não se sabe exatamente que poderes a pedra lhes dá além da Cura total. Já foram encontrados membros da linhagem real em cada uma das outras linhagens, até mesmo na Tradicional. Cura total – capacidade de curar qualquer tipo de doença, natural ou não. Obs: não há rugísseis de anteranos da Linhagem Real nascidos na Terra.”

Então Anne, Oliver, Emma, Jake, Greta e Hans partem em uma jornada para desvendar o paradeiro dos pais de Anne e os interesses que envolvem as famílias Macker e Larx, num pano de fundo surpreendente.
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Confesso que não sou muito fã de histórias desse tipo e que no começo do livro a tabela de poderes e a própria história do povo anterano me confundiu um pouco, mas foi tudo questão de se acostumar. Não, não de se acostumar, mas o fato é que a escritora desenvolveu tão bem as situações problemas, os personagens e o planeta de Antera, que foi impossível não imergir nas páginas.
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A escrita é fluida, os diálogos são muito bem escritos e extremamente bem desenvolvidos, em nem uma parte me senti em um diálogo morno ou desnecessário, as cenas de ação são incrivelmente balanceadas, com uma construção crescente e um clímax extraordinário, os personagens principais e secundários são demasiadamente bem apresentados, o que me surpreendeu mais foi a maneira com que os personagens secundários constroem e enriquecem a narrativa de uma forma absurda, muito bem-vinda e indubitavelmente necessária, os capítulos são muito bem divididos, nada é introduzido na história de maneira afoita e largada, a narrativa ainda culmina em um final extraordinário e escrito de uma maneira que me fez vibrar na última página, juro que li e reli mais de cinco vezes os últimos parágrafos — quem já leu sabe do que estou falando.
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Há um ponto que preciso comentar e preciso de um parágrafo inteiro só para isso. Vamos falar de representatividade, um tema bem delicado na sociedade atual, mas não me prolongarei no assunto. Tatyana Azev conseguiu introduzir o tema LGBT de uma maneira terna, singela e muito natural, nunca vi um livro falar sobre isso de uma forma tão não forçada. Quando leio alguns livros atuais, sinto que esse tema nos é empurrado goela abaixo e que foi introduzido apenas como um Queer Bating ou uma maneira de fazer o livro ser vendável em meio a públicos variados, puro golpe de marketing. Porém, Azev nos introduz uma personagem que apenas o é, não tem tensão, não tem reviravoltas, ela é apenas uma personagem do livro que, inclusive, é uma personagem essencial e isso não é sua identidade, é apenas sua sexualidade e isso não precisa influenciar suas ações de maneiras que interfiram na história, não, é um pano de fundo que trata da inclusão e ponto. Embora algumas pessoas achem necessário que esse tema seja abordado de formas que ratifiquem a luta LGBT, que os personagens vistam essa camisa, que o tema seja discutido cada vez mais, acho que o tema também deve ser abordado de formas tão singelas quanto essa, ela não precisou gritar, ela só precisou estar lá e, sim, ser normal quanto qualquer outro personagem, porque o é.
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Ademais, indico esse livro para todos que não gostam tanto assim de ficção e fantasia quanto eu, mas que estão dispostos a se aventurar e surpreender. Então, indico para os que amam ficção, aventura, fantasia e romance. Também indico para o público Young Adult, que é a quem o livro é direcionado. Mas, por fim, indico para todos, porque esse livro não vai ser um erro e merece ser conhecido no mercado brasileiro, essa foi a única certeza que tive ao folhear as últimas páginas e continua a maior certeza que tenho ao lembrar da história da improvável menina Annelise.
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Para quem ficou interessado em saber um pouco mais sobre a escritora, a Tatyana cultiva um blog muito legal que vocês precisam dar uma olhada! O projeto se chama “Meu querido astronauta”, em que, como ela mesma diz no Blog, tenta mostrar esse cantinho do Universo para seu querido amigo viajante espacial. Vale a pena conferir! Acompanhe o trabalho da autora também nas redes sociais: Facebook, Instagram & Skoob.
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OBS: Fornecemos os devidos créditos às imagens, as quais foram retiradas da página da autora no Facebook.

MARI

 

Gosta de escrever na terceira pessoa, comer brigadeiro de colher e ler creepypasta de noite. Aprecia boa música, é uma cinéfila irremediável, leitora compulsiva e fã número um de uma boa xícara de café. Ariana, 21 anos, estudante de Medicina e não adepta de rótulos.

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61 comentários em “A improvável Annelise

  1. Oie,

    Amei a resenha, muito bem feita! Além dessa capa linda e a sinopse, sua resenha me cativou e fiquei ainda mais ansiosa para lê-lo. Amo livros de aventura e esse já está entrando dá lista desse ano!😀

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  2. Eu definitivamente preciso desse livro, só pela capa já tivendidos interesse, mas ultimamente ando precisando ler algo forte e eu amo ver assuntos bem desenvolvidos, novas ideias e histórias bem construídas! Quero muito!

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  3. Adorei, não sou a louca das histórias de aventuras, mas essa me lembrou um pouco o livro O Acaiah da Gabriela Pinheiro (que eu amo) e me deixou com uma vontade imensa de ler, muito bom também a ideia da autora de abordar o tema LGBT. E cá pra nós os autores brasileiros estão arrasando 👏👏👏 e como sempre a resenha incrível. Beijos, Caah!

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    1. Sério? Que bacana, logo iremos postar a resenha dele também! Também achamos interessante a abordagem LGBT assim como concordamos sobre os autores nacionais! Estão cada vez mais competentes 🙂 Beijinhos!

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  4. Olá.
    Parabéns pela sua resenha maravilhosa ela foi muito bem escrita.
    Sobre o livro , acho que ele deve ser daqueles livros muitos bem escritos , faz o leitor querer logo saber o que vai acontecer no final.

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  5. Que resenha maravilhosa, adoro os argumentos para cada tópico, digamos assim. Bem, quanto ao livro, já estou interessado nele há algum tempo, estou apenas esperando a autora abrir parcerias para tentar, mas sem dúvida essa história é surpreendente e não deixa o leitor a ver estrelas, o leitor se conecta a ela pelo que percebi na sua resenhar. Fico feliz que você tenha gostado, e como esse blog é de minha extrema confiança, esse livro também quero ler em 2017.

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    1. Agradecemos desde já o carinho pelo blog e também a confiança, a respeito do livro, ele desperta esse sentimento mesmo, mas não unicamente ele! É um misto de sensações. Com certeza, nós o indicamos e espero – e torço – para que consiga fazer parceria com a autora e nos informe a sua opinião acerca dele 🙂 Um beijo ❤

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