O espelho do monge

Resenha & Entrevista – O espelho do monge
por Caroline Moreira
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Sinopse: Uma história curiosa chama a atenção de uma aluna de Arqueologia: O Espelho do Monge aguardava por ser encontrado. Busca ou obsessão? De qualquer forma, Safia consegue o Espelho que, segundo a lenda, reflete a alma de quem se olha nele, mas diante daquela tão esperada vitória, se vê num impasse: entrega o Espelho ao advogado que financiou sua busca ou o entrega ao Anjo Guardião do Espelho. Safia, então, encoraja-se numa terceira opção. Opção essa que mudará sua vida para sempre.

Número de páginas: 183
Onde encontrar? Livraria Cultura
barraPara ser sincera, eu não esperava muito do livro, a sinopse me deixava receosa e a capa não é uma das mais convidativas, no entanto, por ser um livro de mais ou menos 180 páginas, li em um dia. A escrita da autora não é nada rebuscada ou truncada, é muito simples e facilitada, não tem nada que te atrapalhe na leitura ou alguma palavra muito complicada. Isso aliado ao jeito de escrever e de descrever torna a leitura muito fluida, é algo que quando você percebe já acabou. Apesar de ter poucas páginas, o livro tem muito conteúdo, e embora possa parecer ou passar a aparência de que tudo então ocorre muito depressa, não é assim que a trama se desenvolve.                                 barra

Em relação aos personagens, eu tive uma relação de amor e ódio com Safia que foi um drama e sofrimento digno de novela mexicana, ela era realmente muito mimada e não aceitava sequer um “não” em toda a sua vida, como resposta. Além de impulsiva e muitas vezes não saber como agir frente a uma situação, foi a partir daí que me lembrei de algo que li no livro “Efeito Sombra”, quando “amamos” ou “odiamos” muito algo pode ser simplesmente a lei da projeção. E acho que foi isso. Detestei tanto a Safia porque no fundo éramos parecidas, eu acho. Mas, claro, ela ainda conseguia me superar, não sou assim tão teimosa, gente, juro! Enfim, além dela, há o Artur, um dos personagens que eu me apegaria mais se ele tivesse aparecido com mais frequência no livro… Infelizmente, ou felizmente, já que isso foi essencial, a Safia pra lá da metade do livro, não sei exatamente quando, mas é ela quem mais aparece, praticamente somente ela. Outro personagem que surge é Adônis, e devo esclarecer que desde o início eu o detestava. Algo que sempre me incomoda nos livros são os personagens muito perfeitos, e ele é descrito como dono de uma beleza impecável. Aliás, nesse livro, tem gente muito bonita SEMPRE.

Embora pareça, eu não tenho nada contra personagens ou até pessoas bonitas 😛 a questão é que, fora o Artur, todo ser que cruzava com a Safia era um estereótipo de beleza diferente. Deve ser por isso que gosto dele, apesar de não lembrar exatamente como ele é, ele era o que mais se aproximava de alguém cotidiano, palpável. Alguém não idealizado, sabe? Talvez a autora queira passar uma mensagem com isso, também, né? Porque ainda quero que Safia e ele fiquem juntos, então, pode rolar aquela lição de não ligar pra aparência e tal. De qualquer modo, de todos, Artur foi o meu preferido, não chega a ser meu favorito, porque como disse, ele não foi tão presente quanto eu gostaria.

A história gira em torno de uma lenda ou não-lenda que envolve o espelho, um artefato arqueológico, com a capacidade de enxergar a alma de quem se olhar nele. Safia está literalmente obcecada com isso, e Artur é aquele amigo de boas e mente aberta que acompanha ela nessa loucura, mas vive sendo a parte racional e alertando ela dos perigos. No fim, ela acaba se metendo em problemas, adquire uma espécie de “maldição” que são os problemas respiratórios, se não me engano. Artur se nega a ir com ela outra vez, e Safia sem guia se sente sem saída, porém, ao voltar, conhece um amigo de seu pai que poderia financiar sua viagem, Adônis. Ele demonstra interesse nela logo de cara e eles ficam nessa de chove não molha, a intenção de ambos passa a ser enriquecer e trazer pessoas para a cidade com a lenda do espelho.

Para não entediar vocês, um breve resumo: ela consegue o tal espelho, e isso parece o fim da história, mas ainda há muitas páginas, e então você fica meio ??? Mas não se preocupe, a partir de então, é a minha parte favorita, o livro é dividido em três partes, e creio eu que a segunda e a terceira são as mais envolventes pois é quando você mergulha logo no enredo. Safia, em um momento de reflexão e pensamentos confusos, acaba se olhando no espelho, e então, acontece algo que vira o seu mundo, os seus pensamentos e ideais de cabeça para baixo! Eu sei que o livro é bem distante disso, mas eu pude lembrar um pouquinho da Alegoria da Caverna feita por Platão, pode não ter NADA a ver, contudo, me veio na cabeça, sim. Talvez seja pelas metáforas ou reflexões criadas no momento em que é possível “enxergar” a alma de Safia, realmente não sei explicar. Só olhei, li e pensei em Platão.

Depois de terminar a leitura, passei a gostar de Safia, até porque se eu passasse a maior parte do livro e continuasse a detestá-la, acho que eu não teria terminado. Além disso, como mencionei que rolou uma identificação comigo e a Safia, à medida que ela tinha reflexões ou pensamentos, isso foi me ajudando também. Até se você não se identificar com ela, existe uma grande possibilidade de arrancar dali ótimos conselhos e lições. Ah! E confesso, foi a maior surpresa positiva ler este livro! Não fazia ideia do que abordava ou do que se tratava, quando soube exatamente, fiquei com o pé atrás e depois me apaixonei pelos personagens! Claro, pra mim, acabou rápido demais. Mas, ainda bem que há uma continuação, e nessa, espero que meu casal dê certo ❤

Nós do Blog com V, também realizamos uma entrevista com a autora que gentilmente se dispôs a respondê-la.

Blog com V: Quais foram as grandes influências que te despertaram para a arte da escrita?

Rosana: Acredito que não houve uma “grande influência”, pois desde pequena já escrevia poesias e contos como hobby. Sempre gostei. Na adolescência lia Agatha Christie e passei a admirar seus escritos. Gostava de suspense, de um enredo inteligente. Li muito romance de banca também, mas os suspenses e policiais eram os meus prediletos.

Blog com V: Como surgiu O Espelho do monge? Foi um processo demorado ou a ideia foi instantânea?

Rosana: Na verdade nunca pensei em escrever profissionalmente e minha tendência era roteiro para cinema, fiz comunicação social e curso de roteiro e cheguei a escrever dois longas. A sementinha do Espelho do Monge surgiu em 2009, quando nasceu meu terceiro filho e a ideia do formato surgiu enquanto amamentava e assistia Supernatural. Após alguns meses, já em 2010, em meus questionamentos interiores sobre minha missão pessoal, percebi que escrever era mais que um hobby, era mesmo uma missão que eu deveria abraçar. O formato eu já tinha, mas o assunto ainda não.

Questionando o que eu poderia escrever, se era essa minha missão, surgiu a ideia de um espelho que refletisse a verdade da alma da pessoa. A ideia foi amadurecendo em foi em meados de 2011 que surgiram as primeiras linhas da história. Quando comecei a escrever já sabia o início e o final, mas o meio ainda era uma surpresa para mim! Foi uma experiência muito nova, embora eu já havia escrito várias coisas,  livro era a primeira vez. Foi sim um desafio. Aos poucos a coisa toda foi tomando forma e lá para o final da primeira parte (quando senti necessidade de dividi-lo) uma reviravolta aconteceu. Eu descobri que estava grávida de me quarto filho e Deus me inspirou algo na história que que me deixou muito surpresa!

Como era muito desafiante e devido ao sono intenso da gravidez, acabei parando a escrita, retomando-a somente dez meses depois, um mês após o falecimento da minha menina Celina (a quem o livro também é dedicado). Em menos de dois meses escrevi a parte mais desafiante e complexa para mim e isso foi extraordinário! Terminei em 22 de agosto de 2012 (dia do aniversário de meu falecido pai) uma história que marcaria minha vida para sempre, sem saber que ela não terminaria ali.

Blog com V: Você se baseou em algo ou se sentou inspirada por alguma coisa? Fale sobre elas.

Creio que já tenha iniciado a resposta anteriormente. Embora tenha recebido influências inegáveis do formato jovem, bem humorado e cativante do início da temporada do seriado Supernatural, as recebi também de minha formação acadêmica e espiritual. Queria escrever com sentido, onde nada fosse jogado, mas tivesse um sentido, um motivo de estar ali. Mas minha maior fonte de inspiração, sem dúvidas, é a oração. Tenho o hábito de rezar antes de escrever. Embora meus livros não sejam confessionais, podendo ser lidos por qualquer pessoa, como escrever para mim é missão, tenho a preocupação de não colocar ali ideias falsas, mas que contribuam para construir uma pessoa mais feliz, que acrescente algo de bom às suas vidas, e como Espelho remete à ideia do autoconhecimento, a responsabilidade é ainda maior. Muitos meses após ter terminado a história, descobri que meu estilo de escrita era o mesmo de Crônicas de Nárnia, Senhor dos Anéis, dentre outros, e se denominava “imaginação moral”.

Blog com V: Como funciona o seu método de escrita e há quanto tempo você escreve?

Rosana: Já escrevo há muito tempo, mas do jeito que escrevo hoje, há 5 anos. Iniciei em 2011 como já mencionei. Minha primeira publicação foi O Espelho do Monge em 2015 e publiquei o segundo volume do Espelho – A Perseguição e o conto Dono do Meu Jardim (de maneira independente) neste ano de 2016. Pretendo publicar o terceiro volume do Espelho – A Espada em 2017. Meu método é simples… eu “assisto a cena” se desenrolar à minha frente e vou descrevendo! É basicamente isso, como se assistisse um filme, por isso a escrita de um roteiro era mais fácil para mim do que capítulos num livro. Todo capítulo acontece algo importante, não sou muito descritiva a não ser que a descrição seja essencial na história, mas prefiro escrever de modo mais simples e dinâmico. Gosto de ter um final pronto, para não perder o objetivo principal, a história toda deve fazer sentido e se encaixarem como peças de um quebra-cabeças. Os nomes de meus personagens são escolhidos todos pelo seu significado e também são analogias ao papel deles na história.

Blog com V: Como tem sido o feedback do livro é qual é a sua reação diante disso? Tem algum conselho para jovens escritores ou escritores amadores?

Rosana: Desde os rascunhos tenho leitores que me retornam e isso é muito bom. Na sua maioria todos têm gostado muito da história e principalmente descoberto coisas de si próprios através dela e isso é muito bom! Avivar a esperança é uma das metas da história. Quando percebem as analogias o retorno é ainda melhor. Creio que o livro ofereça a profundidade que o leitor quiser e sempre terá mais a descobrir à medida em que ele buscar. Fico muito feliz com os retornos que tenho conhecido e isso me incentiva a continuar.

Conselho? Escreva! Também sou novata e tenho ainda muito a aprender, mas se não começarmos não saberemos como será. O importante em ser escritor é escrever algo que está em seu coração e mente, algo que contribua para construir um mundo melhor, pessoas melhores. Escrever é deixar sua “herança cultural” para a humanidade, sua marca, é oferecer um pouco de você a cada leitor. Escreva o que te faz feliz, o que faz bem e com certeza encontrará eco em muitos corações! Não precisamos ser best sellers para sermos felizes na arte de escrever! Precisamos saber que leitores ficam felizes com nossas histórias. Não temos que temer começar e nem ter vergonha de tentar. Não é fácil a divulgação, mas escrever vale a pena mesmo assim. Não se pode agradar todos os leitores, pois cada um tem seu estilo, mas com certeza conquistará leitores que gostarão e indicarão suas histórias. O segrego é escrever com o coração e não pensar no bolso. No início é necessário investir e não esperar retornos financeiros, ser livre para ousar e se for esse mesmo seu caminho, com certeza o tempo lhe trará retornos impagáveis e também algumas moedas!

E você? Já leu ou pretende ler O espelho do monge? Conheça mais sobre o trabalho da autora no Instagram & Facebook e acompanhe as novidades e atualizações sobre as sequências deste livro.

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

 FacebookInstagramSkoobTwitterFlickr

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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74 comentários em “O espelho do monge

  1. A premissa do livro deixou-me curiosa!
    Que bom que não tem palavras complicadas, gosto de livros fáceis e ler. Mas não sei se a relação de amor-ódio pela Safia me agrada muito! Odeio quando os personagens me irritam, felizmente, não acontece muito comigo.
    Também não gosto quando os autores criam personagens completamente perfeitas, isso soa-me muito a falso, a algo que não pode ser real.
    Adorei o post!

    http://euliaeleio.blogspot.pt/?m=1

    Curtido por 1 pessoa

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