Os amorais

Resenha  – Os amorais

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Um conceito defendido há alguns anos pelo autor está vindo à tona. Reportagens e livros sobre o assunto estão começando a aceitar que a Amoralidade é uma doença. Uma doença moral e não mental. O Romance gira em torno da amoralidade da sociedade e as consequências que podemos ter se esta doença não for tratada em tempo. 

Número de páginas: 236
Onde encontrar? Livraria Planeta Azul

barraCom uma abordagem diferenciada, este livro nos apresenta discussões acerca de uma temática pouco desenvolvida e conhecida, a amoralidade categorizada como uma doença, porém, o enredo não se limita a este assunto, abrangendo uma gama de conteúdos que nos proporcionam uma leitura rica e inusitada.

Assumo que na medida em que iniciei a leitura, ela me surpreendeu de um modo positivo, isso porque consegui enxergar na obra algo com que não me deparo corriqueiramente. Observei aspectos negativos, mas pude vislumbrar mais pontos positivos, porque o autor realizou um trabalho quase impecável. A trama em si é uma combinação ousada, embora a premissa seja abordar a amoralidade como um mal, tem-se como pano de fundo uma investigação de um crime e profundas reflexões em centros espíritas. Há sim várias passagens em que a religiosidade se faz presente, contudo acredito que isso tenha sido proposital, pois quem conhece o mínimo da doutrina espírita e outras religiões compreende a sua visão acerca de doenças e males.

Apesar de ser apaixonada pelo espiritismo, confesso que os questionamentos e ponderações eram intrigantes e capazes de agregar conhecimento não somente embasado pela crença religiosa, e acredito que isso deve ser um item a ser comentado, afinal, muitos indivíduos possuem receio ou aversão a realizar uma leitura em que há algum tipo de religião envolvida ou uma crença que lhe seja contrária. Sendo assim, peço-lhes para se despirem de quaisquer preconceitos e compreenderem que “Os amorais” não é um livro somente religioso ou sagrado, e sim que essa temática é apenas mais uma das quais o autor optou desenvolver.

Existem inúmeros personagens que compõe a obra, mas devo dizer-lhes que não tive dificuldade com nenhum, visto que todos apresentavam uma personalidade consistente. Ele soube manter a humanidade e perversidade sem soar falso ou irreal, era como se imaginá-los como pessoas comuns ou do cotidiano violento a que somos expostos fosse palpável. Logo nas primeiras páginas fui apresentada a um personagem muito carismático e bem construído: Elias, que se considera católico, evangélico e espírita e ainda fornece uma explanação para quem não se convence de que isso é possível. Esse foi um dos pontos em que mais valorizei o autor, ele conseguiu falar sobre religião, intolerância religiosa e nos mostrar que aceitar uma verdade  não significa que ela seja a única existente.

Retirando o assunto religioso, somos convidados a vivenciar pequenos acidentes e crimes até sermos envolvidos em uma investigação mais profunda e que se desenrola até as páginas finais. Esse cenário policial nos arrasta para uma narrativa bem pensada em que tudo se conecta, confesso que não é nada tão enigmático, no entanto, o enredo conta com algumas charadas e mistérios. Admiro que o autor tenha retratado de uma forma mais realista e tenha descrito confrontos em que podíamos sentir a tensão pairar no ar e temer pelas vidas dos personagens como se fossem as nossas. Realmente creio que ele tomou a decisão certa em gerir esses temas simultaneamente, porque forneceu ao livro um ar mais dinâmico e envolvente, ao passo em que somos levados a reflexões e conhecemos mais sobre a doença da amoralidade também temos acesso ao universo criminoso, cruel e pervertido de Bela Vista.

A despeito da escrita, admito que fiquei um pouco impressionada pelas descrições e diálogos estupendos, mas a minha maior surpresa foi pelos erros cometidos. Isso porque eram erros pequenos, como problema na pontuação, não chegavam a interromper o ritmo da leitura mas, com certeza, uma revisão de melhor qualidade ajudaria a sanar essas falhas, resultando em um conteúdo praticamente perfeito em termos técnicos.

Pude analisar uma visão mais pedagógica, é uma obra repleta de sugestões de ideias e mudanças para que a sociedade se reeduque. Além disso, somos sujeitados a confrontos com nossa consciência, com argumentos e fatos percebemos que não somos isentos de culpa de muitas situações que nos assolam e não somente isso, mas também somos aquecidos por um anseio de crescimento individual que influenciará na esfera social. Através dessas temáticas, penso que o escritor, assim como menciona no prefácio, se deixou levar pela intuição de escrever sobre algo como forma de prevenção, mas resultou em algo totalmente diferente do que esperava.  Suponho que ele gostaria de nos alertar sobre “os amorais”, e não só citou a prevenção dessa doença como permitiu ao leitor se deliciar em uma mistura literária que ao fim nos deixa com muitos pensamentos bagunçados. Mas ao finalizar com as seguintes indagações: “Por que ter medo de sonhar? Por que não perseguir o sonho?”, sei que a obra é abarrotada de lições e trechos motivacionais.

Sendo assim, posso afirmar com todas as palavras que a obra era mais do que esperava e foi uma experiência positiva pelo modo que foi conduzida pelo autor e tenho ciência de que a parte religiosa pode ser um empecilho para alguns, porém foquem no que é essencial e não se esqueçam de perguntarem: afinal, a amoralidade é uma doença?

carol eu

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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57 comentários em “Os amorais

  1. Que resenha maravilhosa!!!
    Acho que, assim como eu o autor, comecei a leitura desse texto esperando uma história e depois vi algo completamente diferente. Admito que pensei que o autor ficaria filosofando sobre religião a vida toda, mas o fato dele abordar a intolerância religiosa e depois partir para um lado meio policial me surpreendeu muito.
    Não esperava que toda essa mistura desse certo, e as reflexões que você obteve também foram muito interessantes, novamente: ameiii o post!!
    Beijos!

    ourbravenewblog.weebly.com
    Participe do nosso TOP COMENTARISTA valendo um livro JANTAR SECRETO, do autor Raphael Montes 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigaaaada, Carol, amei seu comentário demais mesmo ❤ Agradeço os elogios e todo o carinho e eu também me surpreendi muito por essa abordagem diferenciada e justamente isso que me fez gostar dessa leitura 😀

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