Não era eu, era você

Resenha & Entrevista – Não era eu, era você

por: Caroline Moreira

nao_era_eun_era_voce_1474936875615293sk1474936875b

Sinopse: Um romance sobre assumir, perdoar e cometer erros. Francine se orgulha de várias coisas. Ela sabe que é uma ótima corretora de imóveis e se orgulha de ser valorizada em sua profissão. Francine também sabe que o amor de sua família é grande e se orgulha da relação que mantém sempre balanceada com as irmãs, Franciele e Fernanda. Ela também se orgulha de ter o coração “de pedra”, como costumam descrever, e não ter se apaixonado de verdade desde os quinze anos. Agora, Francine acaba de completar vinte e cinco verões. Está no começo da vida, na flor da idade, e esse ano tem tudo para ser o melhor de sua vida. Ela está no topo de tudo, mas, se há um problema de estar no topo, é que o vento lá por cima é sempre muito forte; pode fazê-la despencar em um piscar de olhos. 

Número de páginas: 263
Onde encontrar? Amazon
barra

Para ser sincera, não esperava mesmo muita coisa do livro, o título me remetia a um clichê e a sinopse não foi tão convidativa quanto eu esperava que fosse. E então, fui arrematada por um turbilhão de emoções e sensações em um enredo que, com certeza, vai muito além de um romance desses que a gente sempre esbarra na livraria. Com uma linguagem que não beira nem o extremo da linguagem informal nem a formalidade exacerbada, a autora consegue dosar a seriedade, o bom humor e as pitadas de romance, indicaria-o para alguém que não goste muito desse gênero literário e esteja farto do estilo água com açúcar, meloso e/ou forçado, pois realizará uma leitura muito agradável e satisfatória.

Não posso deixar de mencionar os personagens, desculpa o transtorno, mas precisamos falar de Francine, que protagonista independente! Com opinião forte e dona do próprio nariz, claro que também é detentora de defeitos, afinal, nem a Mulher Maravilha consegue ser tão incrível assim em tempo integral. Um dos detalhes que mais me interessou no livro foi a escrita realista da Renata, claro, em romance sempre foge algo da realidade ou há muita idealização, mas neste, isso é algo muito bem manipulado e por isso, funcionou tão bem. Nada de personagens tão perfeitos e situações forçadas, na verdade, deparamo-nos com uma rotina e um cotidiano bem próximo e comum ao que vivemos, talvez seja esse o motivo de Francine, sua irmã, Ana, Lucca e Arthur (além dos demais personagens), conseguirem um espaço na minha memória com suas características psicológicas e suas fisionomias bem definidas.

Falando mais sobre o restante de personagens que compõe a trama temos o lado mais vulnerável a paixões e o mais propenso a ter o seu coração quebrado, Fernanda, a irmã mais nova de Francine. E nem por isso, a garotinha que faz poucas aparições se permite fazer mais drama do que é considerado razoável. Anamélia, ou somente Ana, garante uma personalidade tão bem definida que se torna quase palpável e também é quem divide o apartamento com a protagonista.

Elie é a outra irmã de Fran, porém, completamente diferente. E, por viverem em universos tão opostos é que há um equilíbrio e compreensão em torno da relação delas. A amizade, incluindo a com as irmãs, surge como um dos aspectos marcantes da obra, talvez por isso a comparação constante feita na minha cabeça com a Jenny. Elas estão longe de serem as Irmãs Song, mas tão incrivelmente perto de serem lembradas por serem tão unidas e ao mesmo tempo, propiciarem o crescimento uma da outra.

Lucca, ou Luke para os mais íntimos, trabalha em um projeto arriscado chamado Francca, juntamente com Fran por isso a junção dos nomes, e entre piadas e imitações nerds, eles realmente parecem fazer um bom casal. Ao menos, pareciam. Isto é, havia uma química.  Porém, Fran tem um dilema em mãos: ela é, por alguma razão, incapaz de se interessar por alguém durante um longo período. E não, isso não tem nada de errado. Quando você realmente faz isso por querer, todavia, ela faz isso como uma forma de escapar de algo que ainda mal lhe aconteceu. Esse dilema possibilita que a protagonista cresça de um modo fantástico ao decorrer da narrativa, tornando-se uma mulher ainda mais forte por estar decidida a não permitir que os seus temores conduzam o rumo da sua vida.

Francine consegue representar eu, você e muitas outras pessoas, não necessariamente neste aspecto, claro. Contudo, ela te arrasta para essa bagunça interna e o caos emocional sem parecer pedante ou um drama interminável, afinal, uma das características do livro é uma viagem ao mundo amoroso sem tudo aquilo que é tão comumente nos fornecido em obras similares. Não é apenas sobre o amor, é sobre todas as coisas que nos rodeiam e todas as sensações que podemos ter, incluindo o amor. É uma leitura de descoberta, de se reinventar, de como aos vinte e cinco ou vinte e seis ou qualquer idade, mudanças sempre podem acontecer e você terá de aceitá-las ou encontrar uma forma melhor de lidar com isso.

Além de a autora mostrar conhecimento acerca de emponderamento e a temática feminista, consegue produzir reflexões sobre os temas que são tão discutidos ou nem tanto quanto deveriam, porém, o mais importante: ela passa uma lição sem que haja a pausa para o ensinamento, é tudo muito natural e faz parte da situação. A protagonista não precisa levantar uma bandeira sobre isso ou aquilo, ela o é, sem a necessidade de ficar nomeando as suas ideologias. As atitudes caracterizam o seu posicionamento e seus ideais demonstram uma figura feminina forte, dessas que nem sempre a gente costuma encontrar nos livros, muito menos na literatura nacional. Num geral, as mulheres desse livro são maravilhosas e desempenham um papel relevante, o que realmente é algo importante, visto que Francine também é muito bem-sucedida também em seu trabalho, tornando-se, em um aspecto geral, uma mulher bem resolvida. Ou que tenta ser na medida do possível.

Os capítulos são acompanhados de uma playlist, e a cada nova divisória, surge um trecho com a tradução nas notas de rodapé, a trilha sonora da obra é fascinante. Seja pela letra ou pela melodia, realizar a leitura ao som de The Kooks, Ed Sheeran e The Killers faz com que um misto de emoções tome conta de você, fazendo com que você adentre no enredo, perceba e sinta as coisas, como um personagem adicional. Os diálogos são sempre muito bem trabalhados, e as descrições não são cansativas nem maçantes, pois se fazem necessárias e são colocações inteligentes para o desenvolvimento do romance. Em todo o livro, não houve nenhuma página sequer em que estive cansada ou pensei em desistir, na verdade, foi o contrário, me apaixonei pela escrita e também por tudo o que cercava o universo de Francine. Para quem gosta do livros da Jenny Han (Para todos os garotos que já amei e PS: Ainda amo você), essa é uma indicação certeira, não que sejam muito parecidos, mas a linguagem e o desenrolar das situações ocorre com a mesma leveza e fluidez.

A leitura desse livro também me proporcionou um certo auto-conhecimento, longe de ser um livro nesse estilo e que segue essa linha de autoajuda, no entanto, ele funciona muito bem para vários públicos, compreendendo uma faixa etária bem diversificada. Por tratar de assuntos sérios, sobre o que acontece depois dos vinte e cinco, como a vida amorosa e o trabalho se relacionam nesse período e como tudo é realmente inesperado. Arriscaria a dizer que a escrita da autora é tão boa ou ainda melhor do que algumas autoras nacionais presentes no mercado, e que estou ansiosa para conhecer mais sobre os seus projetos literários. Afinal, como eu poderia descrever esse livro sem ser com uma citação de uma das músicas presentes nele? “Tão sentimental. Não, sentimental, não. Romântico, sem ser nojento.”

E não acabou por aí, consegui uma entrevista para que conheçam um pouco mais dessa autora maravilhosa e super fofa!

1. Blog com V: Como foi que você teve a ideia para o livro? Foi gradativamente ou de forma instantânea?

Renata: Tive a ideia de escrever sobre uma pessoa desapegada, sem intenção de ter um relacionamento, uma pessoa como a Francine é. Eu tive a ideia dela, pode-se dizer, e não do livro em si. Eu queria escrever a história dela! Depois de a personagem criada, a história foi surgindo aos poucos. Cada dia vinha um pouco mais…

2. Blog com V: Os personagens são todos inventados por você ou alguns deles podem ser relacionados com pessoas reais?

Renata: Todos são inventados por mim… Tenho muita dificuldade em basear-me em pessoas reais, parece uma responsabilidade maior. Inventar 100% me dá mais liberdade ❤

3. Blog com V: Quais autores nacionais e estrangeiros lhe incentivaram de algum mundo a embarcar no gênero romântico? E quais são os seus livros e autores favoritos nessa categoria?

Renata: As autoras que mais me inspiram são a Sophie Kinsella e a Marian Keyes. Nacionais, me inspiro em todas, acho que devemos sempre olhar umas às outras e sentirmos inspiradas.

4. Blog com V: Você pretende escrever uma continuação ou apenas escreverá outras histórias sem ligação com essa?

Renata: Pretendo escrever um conto de “continuação” e também o livro de outra personagem do livro, a Elie!

5. Blog com V: Você possui alguma fórmula para escrever ou escreve apenas quando está inspirada? Como é esse processo?

Renata: Não tenho fórmula… Gosto de escrever todos os dias e no ambiente mais silencioso que eu achar. Escrevo em qualquer lugar, mas quanto mais agitado, mais bagunça acontecerá na narrativa, por isso gosto de calmaria. Estar inspirada e querer escrever são duas coisas diferentes, por isso nem sempre as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, mas eu tento escrever faltando uma ou outra… Elas aparecem no caminho. Quando estou com vontade de escrever mas sem inspiração para determinado livro, abro o word e escrevo qualquer coisa. O que importa é escrever.

E então, o que acharam? Vocês leriam? A autora é um amorsinho, não é? Podem falar o que acharam da entrevista e resenha! Espero que tenham gostado e não esqueçam de acompanhar o trabalho da autora no Facebook & Twitter.

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

 FacebookInstagramSkoobTwitterFlickr

Anúncios

62 comentários em “Não era eu, era você

  1. Oi, Carol

    Por tudo que você descreveu acho que seria um livro que eu leria, apesar de estar correndo de nacionais. Os temas abordados são ótimos e necessários. A autora parece ser bem simpática. Gostei muito da entrevista.

    Beijão, Mia

    miaestanteliteraria.wordpress.com

    Curtido por 1 pessoa

  2. Olá,

    A capa é linda, na medida certa, pode-se dizer. Ao ler sua resenha fiquei com aquela sensação de que preciso ler a obra o quanto antes. O livro possui vários elementos que adoro. O fato de não ser um romance clichê, de ter uma protagonista com personalidade forte e por tocar no empoderamento. Também adorei a entrevista com a autora, muito bacana!

    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s