O limpador de quintais

Resenha  – O limpador de quintais

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Esta é a história de um menino que, por força da miséria e da pobreza, da injustiça e da violência, do descaso e da omissão da sociedade, esteve à beira da perdição. É a história de uma vida sofrida, quase perdida nos descaminhos, dúvidas e desencontros de uma infância vivida sem amparo. É a história do encontro das drogas, da criminalidade e da banalização do sofrimento, mas é também a história de uma oportunidade mostrada por um desconhecido que resolve mostrar o caminho da paz e da luz a uma criança quase sem futuro. Esta é uma história de amor, de luta, de paz, de desespero e, também, de perseverança. 

Número de páginas: 152
Onde encontrar? AmazonChiado Editora & Livraria Cultura.
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Narrando a história de um garoto que sofre com a pobreza e a violência ao seu redor, Afonso apresenta as consequências de uma sociedade injusta e a perda da inocência, algo tão corriqueiro e presente nos dias atuais mas ainda tão pouco explorado dessa forma crua. O enredo não conta com eufemismos num geral, sendo assim, é uma leitura pesada, com o objetivo de trazer a realidade de uma pobre família, que apesar das boas intenções e princípios caiu na artimanha terrível do destino.                                         barra

A linguagem ora cotidiana ora formal carrega consigo a adequação das falas dentro do contexto em que estão inseridas, as gírias são apontadas entre aspas e o enredo se desenrola de modo simples, e embora isso significa que qualquer um consiga ler, não significa que todos devem ler. Menciono isso porque é necessário, a meu ver, uma compreensão e sensibilidade acerca de algo que pode não estar no seu dia a dia, porém, isso não torna a situação inexistente.

Analisadores da sociedade e das pessoas tanto em um contexto pessoal quanto social, com certeza, terão interesse na obra, visto que ela ocorre na Favela Esperança e se desenvolve em vários outros ambientes que permitem a observação do que o meio pode fazer com alguém, ainda mais, se esse alguém é inocente, sem recursos e a presença da morte é mais constante do que a da vida.

Especificamente, o livro fala sobre Dudu, o segundo mais novo, ele é apenas um dos integrantes da família que conta com outros cinco filhos: Nazaré, Teresa, Toninho, Pedro, Augusto e os pais, Dona Lucília e o “Seu” Antônio. Durante a trajetória de Dudu, ele se depara com a maldade das pessoas e de como a sociedade que lhe exige tanto não lhe proporcionou praticamente nada – afinal, em toda sua curta jornada, lhe haviam retirado muito mais do que conseguia lidar, e foi assim que, aos onze anos fugiu para um universo de realidade ainda mais dura: às ruas.

Além da família de Dudu, há outros personagens secundários, entretanto, entre eles, destaca-se o Padre Dico, figura importante desde o início: presente nas alegrias e tristezas dos fiéis, sempre procurou lhes ajudar e até onde pôde, fez mais que o suficiente. Havia uma forte ligação e uma relação de amizade profunda e íntima entre o garoto Dudu e ele, no entanto, nem todas as coisas ruins que os seus olhos puderam contemplar ele confessou ao padre. Não eram coisas que ele queria dividir, e então, enterrou-as no seu peito que agora somente nutria um desejo de vingança.

Como gosto de comparações, e não só por isso, e sim, porque nos primeiros capítulos me recordei imediatamente de Meu Pé de Laranja Lima resolvi citá-lo, não por serem idênticos e nem haveria motivos para o serem, contudo, são literaturas que, para mim, têm uma visão similar: a de uma criança crescendo em um lugar hostil ou vivenciando momentos e sentindo coisas que não são tão comuns – ou não deveriam ser sendo que são apenas crianças.

Em vista disso, sei que esse é um julgamento difícil de se fazer, todavia, assim que fechei o livro, senti os olhos quase marejarem de tanta nostalgia de Dudu, e ao mesmo tempo, um certo alívio ao concluir que até mesmo quando se perde há muito a se ganhar, isso tudo depende de como resolvemos agir frente as ocasiões em que nos são impostas. Ele foi um personagem muito querido e até quando não lhe parecia restar nada de bom,  ainda havia uma lembrança de algo que jamais poderia ser tirada dele. Então, percebi que essa foi a melhor leitura que tive a oportunidade de ler ano passado, e deveria ter mais reconhecimento devido a tamanha qualidade literária.

O que acharam da resenha do livro de Afonso Celso Brandão? Vocês gostariam de ler? Comentem as suas opiniões ❤

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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48 comentários em “O limpador de quintais

  1. Oi, adorei a resenha e adorei a temática desse livro.
    Acho também que não poderia ser escrito de forma diferente, acho que deveria ser assim mesmo, de uma forma mais áspera e realista, já que é um assunto tão real.
    Também gostei muito das reflexões que a obra possibilita, achei interessante!!

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  2. Adorei sua resenha, você escreve super bem.
    Pelo jeito é um livro forte né?! Dudu é realmente um retrato do que muitos meninos vivem aqui no Brasil, quiçá no mundo todo!
    Achei a capa bem interessante, acho que deve ter muito a ver com o livro, e até bonita.
    Não sei se é um livro bom para eu ler nesse momento, não sou muito acostumada com esse tipo de leitura, e começar com uma história já tão forte não seria bom! Beijos linda!

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  3. Só a sinopse desse livro já deixa você angustiado para conhecer e se comover com essa historia.Esse ambiente e o personagem do livro são muito comuns na nossa realidade, mas infelizmente ainda é um tabu.Vou tentar colocar no Kindle e assim que conseguir ler eu aviso.

    Curtido por 1 pessoa

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