Fragmentos de uma realidade: Pati e eu

Resenha  – Fragmentos de uma realidade: Pati e eu

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Quantas pessoas vivem uma vida inteira sem jamais provar o doce e ardoroso sabor de se apaixonar? E, pior, quantas e quantas nunca têm a chance de viver um grande amor sequer por um momento e partem sem conhecer esse, que é o maior prazer que se pode ter nesta breve existência? E quão poucos são os que têm a chance de se apaixonar e viver dois ou mais grandes amores na vida?! Denis é uma dessas pessoas. Mas o que fazer quando os amores são simultâneos e nos forçam a fazer a mais terrível de todas as escolhas – um único amor? Como fazê-la? Que critérios o coração deve seguir para escolher entre dois amores, tão grandes e indispensáveis? 

Número de páginas: 176
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Uma das primeiras impressões que tive ao decorrer dessa leitura foi de que o ritmo lento não era uma característica presente apenas no início da obra, e sim, que se estendia até o fim dela, o que seria motivo suficiente para torná-la cansativa. Porém, não foi o meu único problema com “Pati e eu”, pois o autor trouxe uma sequência de eventos e diálogos que, ao menos para mim, não passaram de cenas monótonas e um tanto vazias, pois não conseguia capturar alguma emoção e senti-la. Parecia que o livro não me transmitia nada, como se fosse apenas um amontoado de palavras em um papel, e diante da temática abordada, com certeza, deveria sentir algo.

Acerca da narração, a linguagem formal se sobressaiu sobre a informal, mas esta ainda se fazia notória quando nos diálogos se apresentava por meio do dialeto usado no Maranhão, com o efeito itálico, não comprometendo o uso da norma culta. As viagens feitas por Denis, o protagonista, foram uma das razões que poderiam me cativar no enredo, no entanto, os três destinos do rapaz: Brasília, Maranhão e São Paulo, para mim, foram passagens muito rápidas e superficiais, pois somente em Brasília acredito que fora melhor trabalhada.

A trama trata sobre a indecisão e confusão do personagem ao perceber que está nutrindo amor por duas mulheres, Rute e Patrícia, que vivem em cidades distintas, sendo que nas suas idas e vindas, ele aprofunda a sua relação ora com uma ora com outra, perdendo-se cada vez mais nesse sentimento. Um dos aspectos positivos que notei foi de que, em momento algum, foi trabalhado que o amor cabe somente a uma pessoa, como sempre é retratado nos romances. Apesar de Denis não saber lidar com isso, Samuel não se prendeu ao pensamento padrão de que não existe amor se destinado a duas pessoas ou mais, o conceito do que sentia por ambas se manteve até o final como amor.

Os personagens envolvidos na história não são rasos, a maioria deles foram bem desenvolvidos e em relação a eles, não tenho muitas reclamações. Só voltamos à mesma estaca: a falta de empatia, porque não pude me identificar, a não ser em raras ocasiões e exceções, e também considero a construção de diálogos um tanto formalizada, ou às vezes, isenta de emoção, impossibilitando-me de imaginar as cenas e conversas dispostas na obra, pois nem mesmo as declarações me despertaram algo mais intenso.  Denis foi um protagonista que não me entreteve, e confesso, a Rute passou longe de ser uma personagem interessante, ambos me remetiam serenidade demais, não pareciam ter defeitos, o que é humanamente impossível. Por isso, Patrícia, por ser mais autêntica e ter uma personalidade mais palpável me encantou logo nas primeiras páginas.

A escrita de Samuel Sam não possui nenhum erro gramaticalmente falando, e os únicos encontrados foram por erro de digitação. Com certeza, esse é um ponto positivo, contudo, o mais importante estava ausente, afinal, a leitura não era fluída e o linguajar majoritariamente formalizado atrapalhava o fluxo mesmo com o coloquialismo que amenizava esse problema. Não encontrei humor, embora em algumas passagens ele tente usá-lo, entretanto, de forma má executada e o romance me soou muito água com açúcar.

Em meio a isso, o autor consegue ter algo a seu favor, não o suficiente para salvar o livro, porém o bastante para não torná-lo uma leitura completamente em vão. Com trechos marcantes e filosofias realizadas por Denis, ele consegue trazer um misto de reflexão e sabedoria, nada tão extraordinário que você nunca tenha visto, no entanto, ainda tem um quê de singularidade, que demonstra a marca distintiva que ele quer deixar na literatura. A narrativa criada por ele não é ruim, por mais que as críticas aparentem isso, o único empecilho em seu caminho é adquirir a habilidade de transbordar pelas linhas o que almeja que os leitores sintam, até porque a escrita não é uma tarefa tão complicada, mas emocionar o é.  Por isso, a minha experiência com esse livro foi fraco e ele não conseguiu me transmitir ou acrescentar algo relevante, a ponto de valer à pena realizar a leitura.

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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85 comentários em “Fragmentos de uma realidade: Pati e eu

  1. Eu achei que só a capa desse livro me desagrada e junto com a história parece desagradar ainda mais.Essa linguagem formal á me irritaria,acho que livros nesse gênero tem que ter uma linguagem mais fácil e dinâmica.Esse aí não vou ler não rsrs.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Pedro, agradeço pelo seu comentário!

      Quanto ao seu desagrado, é muito normal. Na literatura os gostos podem ser muito diferentes e até opostos mesmo.
      Quanto à linguagem, recebi dois comentários me parabenizando pela forma simples de contar a minha estória. Uma pessoa ressaltou: “Eu nem gosto de ler, sabe. Geralmente eu acho os livros muito chatos, sabe, complicados demais. Mas este teu é bem fácil de entender. Eu gostei muito”.

      Abraço!

      Curtido por 2 pessoas

    1. Oi, Mandy, agradeço muito pelo seu comentário.

      Olha, eu só diria que na literatura é, pra mim, onde mais há divergência de gostos. Se você considerar apenas os pontos aqui defendidos como positivos e os negativos e não a experiência pessoal, sua noção sobre a possibilidade de gostar ou não deverá ficar mais clara.

      Positivos (segundo a Carol):
      Gramática impecável; linguagem formal se sobressaindo sobre a informal e, quando esta usada, feita de maneira consciente e proposital com o uso do efeito itálico; o fato de me manter fiel no que defendi como amor; defender que ele, o amor, cabe a ambas as pessoas em questão; defender que podemos, sim, amar (verdadeiramente) a várias pessoas no decorrer da vida ou mesmo simultaneamente; personagens não rasos – na verdade, “bem desenvolvidos”; trechos marcantes e reflexões com misto de sabedoria e filosofia; boa narrativa…

      Negativos:
      (Mesmo estes são positivos para mim, segundo o que e como realmente me propus a escrever, como) o Denis ser exatamente como é: confuso, no entanto verdadeiro com seus sentimentos e com as pessoas por quem os têm. Sincero, gentil, intenso, aventureiro e reflexivo. Rute doce, meiga, gentil e determinada no amor: beirando a perfeição humana enquanto Patrícia é o equilíbrio na obra entre essa aspiração humana pela perfeição e quem realmente somos e como somos, sendo ela uma HUMANA no sentido mais profundo de ser, com todos os seus defeitos e falhas, desejos e medos, alegrias e dores…
      No Instagram ela comentou: “Não é tão meloso, mas os personagens Denis e Rute foram o casal mais ‘doce’ da minha estante”.

      Espero ter te ajudado com a dúvida.

      Obrigado por comentar! Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Eita, me pareceu um livro bem fraquinho mesmo. Escrever não é só escrever, sabe? Tem que conseguir passar algo e parece que não foi o caso.
    Quando vi que a linguagem era majoritariamente formal, eu senti que aquilo seria prejudicial em algum momento. E, em livros de romances, é fundamental criar empatia pelos personagens, então entendo mais esse obstáculo durante sua leitura.
    O gênero já não é dos meus favoritos, e parece que o livro passaria longe de ser uma boa leitura para mim no momento :/

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    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi!! Obrigado por comentar!

      Olha, eu optei realmente por uma linguagem bem direta, sem tentar muito PROVOCAR emoções no leitor. A minha intensão era de alcançar um público de pessoas naturalmente “apaixonadas”, afetivamente intensas, e, com essa leitura, apenas EXPLORAR os sentimentos que já vivem dentro delas mesmas. – A maioria dos que amou e se apaixonou pela estória defendem os mesmos pontos como positivos, os pelos quais amaram a obra (como a maioria dos personagens serem bem simples em suas essências, a linguagem igualmente simples e direta com o leitor e a mensagem que transmito através da obra). Me sinto realizado por isso, pois fui bem-sucedido no que me propus escrever e em como.

      Muito grato pela sua participação!

      Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Patrícia, obrigado pelas suas palavras!

      Espero que, assim como eu e outros tantos, se apaixone pela simplicidade da essência de cada personagem, pelas aventuras de Denis e o desfecho da sua saga pra viver inteiramente um grande amor.

      Boa leitura! (Gostaria de saber do seu parecer também ao final) 😉

      Muito obrigado! Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

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