Nada é por acaso

Resenha & Entrevista – Nada é por acaso

por: Marina Rodrigues

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Sinopse: Quando Kristine e Isabella acordaram naquela bonita manhã de dezembro em Petrópolis, jamais poderiam imaginar que o que estava para acontecer mudaria suas vidas para sempre. Melhores amigas desde muito cedo, dividiam o tempo entre a faculdade, de direito e medicina, o clube e os treinos de basquetebol. Eram inseparáveis, até que um dia, por ironia do destino, a amizade se desfaz. O sentimento de traição faz com que Kristine não enxergue o que realmente aconteceu e a separação é inevitável. Porém, numa certa tarde, Isabella e Kristine são sequestradas e obrigadas a unirem forças e confiar uma na outra para não morrerem nas mãos do Ruivo, um homem sem limites e sedento por vingança. Um ano depois Isabella não consegue se recuperar do sofrimento causado pelas lembranças de atrocidades que sofreu nas mãos de seu raptor. E Kristine, superada pela força espiritual, convence Isabella a se libertar do medo em uma entrevista sobre o sequestro. O que parecia superação transformou-se em uma caçada e o inevitável acontece. Tempo depois Kristine vê-se em um dilema. Apaixonada pelo irmão de Isabella, ela tem que decidir se segue seu coração, e coloca a amizade acima de tudo, ou se cumpre a lei. Uma história cheia de reviravoltas que mostra que na vida nem sempre dá para separar o certo do errado e que nada, nada mesmo, acontece por acaso. 

Número de páginas: 400
Onde encontrar? Chiado Editora
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Vou contar um pequeno segredinho: como vocês já devem ter percebido o Blog tem vários resenhistas e acabamos por dividir os tópicos, isso também inclui o gênero dos livros que recebemos, quando é um gênero que é mais a cara do resenhista ‘x’ e é o preferido dele, é para ele que enviamos, embora às vezes gostarmos de variar e mexer com a zona de conforto, tudo no intuito de deixar nossas opiniões as mais variadas possíveis. Bem, um dos meus gêneros escolhidos e de que mais gosto é o policial. Sem dúvidas, o livro faz parte da coleção “viagens na ficção” da Chiado Editora e possui, preponderantemente, esse gênero, ainda sim tomando partes de drama, romance e, principalmente, policial, inovando nesse ponto.
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Dito isso, podemos perceber tal experimentação ao perceber a forma com que vamos entrar em contato com a história das meninas, Karla escreve o romance em retrospectiva. Já no primeiro capítulo, nos deparamos com uma Kristine forte e autoconfiante que está de visita na casa de uma Isabella acuada e dependente, que descobrimos que não sai de casa há um ano, desde o ocorrido, assim, Kris convence Isa a participar de uma terapira-entrevista, onde elas devem narrar para a escritora Vanessa tudo que elas passaram antes, depois e durante o cativeiro em que ficaram reféns de um homem impetuoso chamado Ruivo. Dessa forma, vemos tudo de ângulos bem diferentes, tanto ao percebermos a narração de ambas, Kris e Isa, quanto pelo fato de podermos entrar em contato com a terapia e com os sentimentos de múltiplos personagens em todas as fases do acontecimento, que vão desde a briga entre elas tempos antes do sequestro, até a recuperação delas no hospital e o plano elaborado por Isa para fazer sua justiça e pegar Ruivo. Amei esse experimentalismo do livro e foi um dos pontos altos para mim.

Um ponto negativo foi os inúmeros erros de pontuação, como não haver vírgulas marcando os vocativos ou antes das preposições, além de erros no uso do infinitivo ou até mesmo algumas falas que faltam travessão, o interessante é que embora isso ocorra com frequência, por vezes há a pontuação correta, o que me confundiu se seria erro da revisão ou da própria diagramação da editora. Porém, de alguma forma, ainda sim a escrita da autora é incrível, pois tais infortúnios são apenas estruturais, não afetando as palavras, a fluidez e a narração do livro, coisa que uma boa revisão poderia facilmente solucionar. Além disso, creio que por um descuido da Chiado, a lombada da capa está ao contrário, destoando dos outros livros na prateleira quando posto na posição horizontal. Quanto à capa, ela não chama muita atenção e o livro, em aparência, também não, mas a sinopse parece fazer todo o trabalho. Ademais, achei as páginas amareladas e a fonte maravilhosas, deixou minha visão extremamente confortável para ler tanto quanto exige o livro.

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O que mais me impressionou foi o fato de possuir 400 páginas e eu ter lido tudo em dois dias, não sei ao certo como, visto que nunca havia feito tal proeza, mas creio que, como mencionei acima, a fonte confortável, a fluidez da leitura, a linguagem cotidiana e a curiosidade e a tensão me carregaram rapidamente para o esperado final. Apesar de ter feito a leitura em apenas dois dias, um fato engraçado foi que, entre esses dias, houve uma parada de pelo menos dois meses, pois muitas pessoas viam o livro aqui em casa, perguntavam pela história e logo se interessavam e me pediam emprestado! Todos me devolveram o livro cheio de elogios.

O título nos remete logo a questões religiosas, certo? Errado, o livro nos apresenta um pouco da visão da doutrina espírita de uma das personagens e paramos por aí, até porquê nem todos os personagens concordam com ela, o que é perfeitamente normal e mostra a relatividade e o respeito com que todas as vertentes são tratadas e apresentadas, achei esse pensamento de um toque singelo.

Por fim, a história faz jus ao seu título e nos ensina sobre a terceira lei de Newton, a lei da ação e reação, em que nossos atos se refletem em consequências e até mesmo em valiosos ensinamentos. Aprendemos que na vida nada é certo e que uma só mudança pode reformular todos nossos pensamentos e a nossa forma de olhar o mundo, encaramos o fato de que não podemos desistir mesmo em meio a maior das dificuldades e que pode, sim, haver uma luz no fim do túnel. O livro é sobre amor, amizade, perdão, encontros e desencontros e sobre como tudo é incerto e nada, nada mesmo, é por acaso.

O Blog com V também entrevistou a querida Karla Pagotto para que vocês possam conhecer um pouco mais sobre ela e também sobre sua obra!

Blog com V: Como nasceu “Nada é por acaso”?

Karla: Nasceu meio que por acaso rs Desde cedo eu gostava de escrever histórias e quando ganhei meu primeiro computador, com aquela tela branca olhando para mim, tive a ideia de criar um livro. Tinha que ser uma história que eu gostasse e tivesse interesse em ler. A princípio a história era só minha. Eu tinha vergonha de mostrar para as pessoas o que eu escrevia e por um bom tempo ficou guardado sem que ninguém lesse. A mais ou menos três anos, eu desenterrei a história, terminei e dei para alguns amigos lerem. Foi aí que me convenceram a enviar o original para um editora, e assim o fiz. Assim surgiu o livro Nada é por Acaso, que a princípio, chamava-se “Sete dias de terror”. Só mudei o título no final do livro.

Blog com V: “Nada é por acaso” é seu primeiro livro, já temos um segundo livro original seu saindo do forno? 

Karla: Sim, já comecei a escrever meu segundo livro (não é continuação de Nada é por acaso, apesar das pessoas me perguntarem). Também será um romance policial, meu tema favorito, mas com um toque de drama, comédia e romance. Por enquanto é segredo. Gosto de adiantar bem a trama para depois comentar. Vai que mudo a história rs

Blog com V: Que livros e autores influenciaram você nesse processo? 

Karla: Quando eu era adolescente eu era fã dos livros da Agatha Christie. Acho que li todos da biblioteca pública e peguei gosto pela leitura. Até hoje meus preferidos são os romances policiais e livros dos autores Sidney Sheldon, Tess Geritsen e Alisson Brennan nunca faltam na minha estante. Posso dizer que estes autores me influenciaram a ter meu livro do mesmo gênero literário que o deles e espero um dia parte do sucesso que eles alcançaram.

Blog com V: Assim como a Kris, uma das personagens principais, você acredita no espiritismo e que nada é por acaso? 

Karla: Sim, sou muito espiritualista e acredito que as coisas nos acontecem por uma razão. Acho que a fé é algo muito importante em nossas vidas e usei a Kris para passar um pouco desse meu pensamento no livro. Ela usou a fé e a esperança para poder superar todo o trauma que sofreu e acho isso importante em nossas vidas. Coloquei de uma maneira que não abrangesse nenhuma religião em si, mas uma visão da personagem sobre o porquê de as coisas nos acontecerem.

Blog com V: No livro, na sua visão de autora, quais as maiores lições que Isa e Kris podem tirar para a sua vida depois do ocorrido? Visto que realmente nada é por acaso e Isa passa o livro inteiro contestando essa ideia de Kris. 

Karla: Realmente a Isa tem uma visão da vida totalmente diferente da Kris. Isso que eu quis passar no livro. Como um único acontecimento pode mudar de forma tão diferente a vida das pessoas. Elas passaram pelo mesmo trauma e reagiram cada uma de uma forma. A Kris usou a fé para explicar e superar o que as aconteceu enquanto a Isabella se pergunta o porquê daquilo tudo ter acontecido. O legal do livro é que alguns leitores vieram me falar que também agiriam como a Isabella agiu no final do livro. Esse era o meu objetivo. Fazer os leitores pensarem se realmente a diferença sobre o certo e o errado pode estar em um ponto de vista. Todos nós temos nossos pontos de vista e geralmente agimos pelo tal. Quanto as lições, acho que as personagens nos ensinaram o verdadeiro valor da amizade e do amor. Do que realmente tem valor em nossas vidas e como é bom ter alguém do nosso lado para nos ajudar a superar um trauma, independente de nossas crenças e valores. A vida é muito curta para não vivê-la.

Blog com V: Qual seu personagem preferido e menos preferido do livro? Os meus são, respectivamente, Kris e Leonardo. Pude perceber que os personagens possuem opiniões e personalidades muito diferentes entre si, como foi trabalhar com tantas emoções ao mesmo tempo? 

Karla: Não gostou do Leonardo? Tadinho rs Bom meu personagem preferido é a Isa, pela coragem que ela teve em fazer o que fez. O menos preferido é a Liliane, pelo seu caráter. Foi bem difícil moldar cada personagem, mas muito prazeroso. Alguns eu tive que fazer pesquisas de campo para poder compô-los e torná-los mais realistas. Não vou dizer que baseei meus personagens em pessoas reais, mas alguns têm características de pessoas que conheço. Esse é o gostoso da escrita. Poder dar vida a personagens diferentes que irão nos envolver e nos tocar com suas histórias emocionantes. Enquanto eu ia escrevendo, me coloquei no lugar de cada um e tentei imaginar o que eles estariam sentindo se fossem reais. Acho que consegui o que queria.

Blog com V: O que você espera que seu livro mude na visão do leitor perante o mundo?

Karla: Primeiro que só através da leitura é que mudaremos o mundo. Então leia, leia muito e tire o máximo proveito de cada aprendizado. Ou só fuja da realidade nas páginas de bons livros. Segundo, eu espero que as pessoas acreditem mais no amor e na amizade, e que generosidade gera generosidade. Se “Nada é por acaso”? Eu não sei, mas acredito que assim como a Kris disse no começo, “[…] às vezes temos que passar por coisas ruins para darmos valor as boas”. Ou pelo menos tirar o maior aprendizado da situação.

Blog com V: Você tem alguma mensagem para os leitores do Blog com V? 

Karla: Eu diria que obstáculos vão sempre existir, pessoas para te desmotivarem também. Mas o sol sempre aparece, mesmo depois da pior tempestade. Se você desistir dos seus sonhos sem tentar, nunca saberá se teriam dado certo. Coloquei uma frase no final do meu livro que descreve muito bem o que desejo passar para os que estão iniciando a caminhada no mundo da escrita e para meus leitores. “Voe sempre, siga em frente e não pare no primeiro obstáculo. Você vai perceber que a vida não é como escrevemos e que nada nela, nada mesmo, acontece por acaso.”

Não esqueça de acompanhar a autora no Instagram & Facebook e acompanhar as novidades 🙂

MARI

 

Gosta de escrever na terceira pessoa, comer brigadeiro de colher e ler creepypasta de noite. Aprecia boa música, é uma cinéfila irremediável, leitora compulsiva e fã número um de uma boa xícara de café. Ariana, 21 anos, estudante de Medicina e não adepta de rótulos.

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38 comentários em “Nada é por acaso

  1. A sinopse é boa mas a capa poderia ter sido melhor… rsrs mas sua resenha ficou ótima.
    Gosto de quando fala os pontos positivos e negativos, deixando assim outros leitores mais perceptiveis ao que vão ler.
    Amo livros e suas incansáveis páginas e esse com certeza seria um que chamaria minha atenção (sim, procuro sempre livros grossos).

    Beijos
    Ler e Amar com a Dri

    Curtido por 1 pessoa

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