O pequeno príncipe

Resenha  – O pequeno príncipe

por: Caroline Moreira

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Sinopse: O Pequeno Príncipe é um dos personagens mais famosos e queridos de todos os tempos, que empolga crianças e adultos com ensinamentos inesquecíveis. Sua história deixa marcas pela forma simples de suas mensagens de otimismo, simplicidade e amor ao nosso planeta. À primeira vista, um livro para crianças. Na definição de Antoine Saint-Exupéry, seu autor, “um livro urgentíssimo para adultos” que resgata a criança que existe em cada um de nós, com encanto, ética e beleza. 

Número de páginas: 93
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É inevitável ao tratar desta obra tão singela e enriquecedora perceber o quanto ela conquistou um público abrangente que vai desde as crianças e os jovens até a fase adulta. Devido a essa popularidade e reconhecimento notável, a maioria das pessoas já teve acesso a essa literatura ou ao menos tem ciência do que se trata, afinal, com sentenças marcantes e um personagem mais do que cativante é impossível não se apaixonar perdidamente pelo universo do Principezinho!

barraAcredito que nem mesmo Antoine de Saint-Exupéry poderia cogitar essa repercussão positiva diante de seus escritos. E a discussão ainda é bastante calorosa referente aos questionamentos sobre a legitimidade e a ficção do conteúdo apresentado pelo autor e piloto francês. Isso se deve à profundidade com que ele permite nos envolver com a sua trama, pois cada vez que leio esse livro sinto uma aura de mistério e magia detrás do nosso sábio príncipe, além disso, o escritor faleceu em uma missão fatal como aviador e alguns rumores insistem que suas últimas palavras antes de embarcar foram “Se voltar, o que será preciso dizer aos homens?”. Com certeza, a deixa de Exupéry forneceu mais perguntas do que respostas e alimentou a imaginação dos leitores acerca do acontecimento.

Assim que iniciei a leitura, foi como se mais uma vez estivesse entrando em contato comigo mesma, ou talvez com a criança que um dia fui – e ainda guardo resquícios – e são esses momentos em que nos conectamos as nossas próprias essências e percebemos o quanto crescemos e de que forma crescemos, em que “O pequeno príncipe” proporciona uma jornada de autoconhecimento mas também de reflexão sobre a natureza humana. Apesar de várias críticas e nos apontar aspectos relevantes, a linguagem é simples, tão fácil de ler que uma criança se encantaria pela poesia presente nas páginas e tão complexa que um adulto se perderia com as metáforas nas entrelinhas. A edição de bolso traz um ar infantil e as ilustrações presentes contribuem para isso, deixando uma estética agradável  durante a leitura embora o que não falte são edições incríveis e surpreendentes deste livro.

Os homens embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram.

É uma escrita pura e com as aquarelas representando ora o Principezinho ora as situações e complementando as frases mais emblemáticas torna-se ainda mais fascinante o desenrolar da história. Confesso que essa obra realmente é uma das minhas prediletas e a julgo essencial para todas as pessoas, pois aborda as relações humanas: o cativar e o cultivar desses laços, o comportamento dos adultos que se permitem endurecer pela seriedade ou pelo egocentrismo que possuem e também como os humanos são solitários enquanto se provam presos aos seus conceitos rasos do que é importante e se encarceram em seus mundos infelizes.

O encontro do aviador e do Pequeno Príncipe é o ponto de partida da narrativa, mas antes disso temos acesso às lembranças do aviador enquanto criança e, neste ponto, há duas ideias principais: a de como durante o nosso crescimento os nossos gostos são induzidos e não estimulados, por exemplo, desvalorizam as artes e enaltecem as ciências e através de uma lavagem cerebral nos afirmam o que devemos fazer e seguimos como robôs pré-programados. A segunda ideia seria como desencorajamos os outros tendo como base as suas primeiras experiências e as julgando falhas e incapazes de prosseguir por não serem dotadas de talento nato. Durante o livro, é perceptível o quanto o aviador se sente arrependido por ter abandonado a pintura, e às vezes me questiono: quantas pessoas não se sentem assim por uma tentativa frustrada?

Dentre as milhares de interpretações que se pode ter, encontrei uma que a meu ver consegue captar a essência do livro: o deserto seria a nossa mente, os diálogos e a convivência com o Pequeno Príncipe categorizariam uma autodescoberta e a água que o aviador receia acabar é a sua satisfação espiritual. Confio nessa análise, contudo, para mim, sobre esse livro nunca saberemos tudo por ser repleto de subjetividade. Outro ponto que defendo é de que, sim, os trechos retirados da íntegra são absurdamente lindos, todavia, existem tantos diálogos, tantos detalhes que se prender a citações populares é algo tão vazio se formos considerar a obra completa e os seus ensinamentos desde a dedicatória até as últimas páginas! Sem mencionar que muitos usam fora de contexto ou banalizam algo que detém um sentido visivelmente poético.

Quando a gente anda sempre em frente, não pode mesmo ir longe…

Particularmente, essa visão ingênua e inocente das crianças – e também do Principezinho – me atraem pela pureza e sutileza, em contrapartida vemos o aviador agir ora como um homem “sério” ora voltando-se a sua criança interior. Penso que todos passamos por essas idas e vindas, oscilando entre quem éramos na infância com quem somos agora e com certeza as críticas falarão diretamente contigo. A dualidade criança versus adulto é retratada de forma leve e despretensiosa em que somos confrontados a avaliar como estamos agindo: será que seríamos como um dos habitantes dos planetas visitados pelo Principezinho? Ou será que você ainda admira o pôr-do-sol?  De qualquer forma, lanço um desafio a vocês, recuem um pouco a cadeira e vejam o sol se pôr quantas vezes forem necessárias até que se sintam em casa. Ou até que descubram a poesia e a magia contida nos pequenos detalhes da vida, como por exemplo, que em alguma estrela no céu existe uma gargalhada destinada a um aviador que se perdeu no deserto.

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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46 comentários em “O pequeno príncipe

  1. Acho que todo mundo já leu esse livro, até minha mãe hahaha.
    Mas não sei… Gosto das reflexões que ele traz, sabe? Mas não sinto aquela urgência de ler no momento. Talvez em algum outro momento, mas até agora nunca senti muita vontade, apesar de ter lido elogios sobre ele 90% das vezes.
    É tão curtinho, mas tem alguma coisa que me impede ainda e não sei bem o que…

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  2. Aaaah amo tanto essa obra ♥
    Li quando era criança e reli depois de adulta. Queria ter aquela edição pop, sabe? Que você abre e as cenas vão aparecendo e tals… Acho tão lindo. Mas não encontro mais em lugar nenhum =/
    Amei sua resenha e as frases que destacou ^^
    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Acredita que nunca li esse livro? Acho que é um livro essencial para qualquer ávido leitor (não só para leitores mas principalmente para eles já que estão sempre procurando um livro que mude sua vida ou que faça a diferença). Preciso mesmo lê-lo. Parabéns pela resenha. Está maravilhosa.

    Curtido por 1 pessoa

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