Apenas respire, Rock e Perfume: paixão no ar

Resenha – Apenas respire, Rock e Perfume: paixão no ar

por: Marina Rodrigues

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Sinopse: Isabela Alencar é uma mulher jovem, independente e apaixonada por música. Na adolescência, seu irmão mais velho lhe apresentou às bandas de heavy metal. Após conhecer a banda Dawn Sunless e ser capturada pelo som da guitarra, decidiu estudar o instrumento. Já adulta, morando no Rio de Janeiro e trabalhando na Assessora Jurídica da Marinha, vê sua vida ser marcada por uma tragédia. Decide, então, largar a carreira jurídica e dedicar-se à docência numa faculdade de música do Rio. A partir daí, sempre apoiada pelos amigos Mila e Frederico, Isabela verá sua vida mudar completamente, com a aceitação da Dawn Sunless para sua pesquisa de doutorado. Ela embarca para Nova Iorque para passar três meses no estúdio com a banda. Chegando lá, conhece pessoalmente seu ídolo, o guitarrista Luc Bellucce. Com sinais sutis, tem início um despertar de sentimentos provocados por sensações intensas. Uma paixão que ela jamais pensou em viver novamente. 

Número de páginas: 346
Onde encontrar? Editora Multifoco
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“Apenas Respire — Rock e Perfume: paixão no ar” é a primeira obra publicada da gaúcha Rossana Almeida — pelo selo Desfecho Romances da Editora Multifoco —, que já chegou com o pé direito no mercado nacional.
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O livro, narrado em primeira pessoa, acompanha a história de Isabela Alencar, uma jovem mulher independente de 31 anos de idade, que é apaixonada por música. Na adolescência, morando no Rio Grande do Sul, ao ser apresentada ao som da banda Dawn Sunless pelo irmão Fernando, resolve estudar música. Mas, como bem conhecemos o mercado brasileiro, seu sonho precisa ser adiado, visto que seus pais a convencem a procurar primeiramente um emprego estável, assim, ela se forma em direito. Já adulta, vai morar na Cidade Maravilhosa, e trabalha na Assessoria Jurídica do Rio de Janeiro, quando um tragédia marca sua vida e, repentinamente, se vê compelida a ir atrás de seus sonhos. Então, com sua paixão pela guitarra, especializa-se no instrumento e depois começa a dar aulas numa Universidade Federal.
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Tendo tudo isso como pano de fundo, é aí que a história começa. Isabela ingressa em um curso de doutorado, mas sua tese precisa de provas práticas do seu objeto de estudo, ela envia uma carta para a Dawn Sunless e alguns meses depois há a confirmação de que ela pode passar três meses em estúdio pesquisando a banda, que está gravando um CD novo. Nossa protagonista, então, embarca para Nova York e, já no Estúdio, conhece seu ídolo, o guitarrista Luc Bellucce. A partir daí, tem-se um despertar de sentimentos intensos entre os dois, há apenas um problema: Luc é casado.
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Confesso, os meus sentimentos sobre esse livro foram muito contraditórios, assim como as minhas opiniões sobre ele, pareceu um vórtex de sentimentos em meu peito a cada página virada. E, sim, de uma maneira extremamente positiva, que ia do ódio ao amor pelos personagens e opiniões dúbias sobre o desenrolar dos fatos. Mas, primeiramente, vamos às partes técnicas.
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A escrita é impecável, se encontrei erros foram apenas, no máximo, uns cinco, e todos de digitação. A linguagem é fluida e cotidiana, nos aproximando da personagem de uma forma mais realística, até mesmo nos diálogos com seus amigos, que são tão naturais como se eu mesma pegasse o celular e ligasse para os meus agora, ao contrário de alguns diálogos automatizados de alguns livros atuais. A minha única crítica aos diálogos é a forma como a história acontece e depois a personagem liga para seus melhores amigos, Mila e Frederico, para narrar o que acabamos de ler, ou seja, acabamos por ficar com a sensação de que estamos lendo duas vezes o mesmo fato, porém, por vezes, isso serve para sabermos mais sobre as emoções e os pensamentos de Isabela naquela determinada situação.
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Ademais, por a história se passar no Brasil e nos Estados Unidos, o sincretismo de linguagens, opiniões e vivências é muito rico, ao aproximar linguagens, coisas do nosso cotidiano, ambientes e até mesmo frases prontas que são próprias do Brasil, coisa que acho maravilhosa em livros nacionais, que é não perder tiradas na tradução ou sofrer de choque cultural. Somado a isso, apesar de eu não ter gostado da fonte e da folha em que o livro foi impresso, que mais parece um papel A4 e que amassa quando dobramos a página, a capa é impecável, extremamente linda! Aquele tipo de livro que podemos facilmente comprar pela capa!
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Outro ponto que me agradou bastante, foi a playlist maravilhosa a qual Rossana nos presenteia ao longo do livro. São 28 músicas que contribuem para enriquecer e para construir a história de Isabela. As músicas são apenas citadas, algumas poucas são traduzidas, logo, o efeito que a autora quis introduzir foi o de você pesquisar, ouvir e se conectar com as letras, como um bônus além das páginas.
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Quanto a história, o livro se encaixa no gênero Young Adult com pitadas de, apesar de eu não gostar da nomenclatura, Chick Lit. Eu amei a forma como Rossana soube trabalhar e desenvolver temas polêmicos e maduros, da realidade contida na vida da personagem. Isabela parece estar num transição tardia entre a adolescência e a fase adulta, assim, muitas decisões da personagem me incomodavam e me faziam querer gritar na cara dela o quanto ela estava se metendo numa roubada! Mas é essa a riqueza da história! Não podemos esperar que todos os personagens de livros ou filmes seja perfeitos e que eles vão agir da maneira que esperamos, pelo contrário, eles são humanos que erram e tem vivências, histórias, experiências e, principalmente, criações diferentes das nossas — eles choram, erram, pecam, bebem, fumam, transam, dormem. Rossana não teve pudores em narrar tais pormenores da existência humana, o romance de Cantarelli não é água com açúcar, é intensidade, é a realidade de um casal, e a autora entende que existe amor, mas que também existe paixão, admiração e desejo sexual, ao contrário do que esperamos da vida platônica-amorosa da maioria dos personagens adolescentes de hoje em dia.
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Agora, vamos falar de romantização, a ideia mais controversa entre os blogs que resenharam o livro. Acho que a maioria das pessoas não concordam com traição e perceberam a forma como a Isabela trata do tema ao longo do livro, repito: a Isabela, ponto final. Rossana expôs uma realidade da vida humana, em nem um momento eu a vi fazendo apologia ou mandando todo mundo romantizar e trair seus respectivos ou futuros relacionamentos. Claro, há problemas em romantização hoje em dia, mas ninguém aqui está falando de Vladimir Nabukov e sua eterna controversa obra Lolita, ninguém gosta de romantizações perigosas ou preconceitos, mas vamos aprender a separar opinião de personagens, com opiniões de autores, romantização com exposição de realidade, final moralista com final paupável e real. Mas esta é apenas minha opinião.
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Diante disso, também não espere paparazzis loucos e fãs desenfreados correndo atrás do Bellucce. A Dawn Sunless foi inspirada na banda Dream Theather, logo, a banda não é comercial, não chamando tanta atenção, mas eles são uma banda recheada de técnica e arranjos musicais riquíssimos, tal como se realmente pudessem ser pesquisados para um doutorado ou mestrado a qualquer instante. Os meninos da banda não são tratados como Deuses, mas como os seres humanos que são.
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Além do mais, para quem reparou que falamos apenas da parte do Rock e está se perguntando onde está a parte do Perfume, precisamos falar sobre Obsession, o polêmico perfume de Isabela Alencar. Obsession é a fragrância preferida da personagem e, logo, a forma pela qual ela é reconhecida por algumas pessoas ao entrar em qualquer ambiente, um odor inigualável. Luc se apaixona por esse cheiro e até compõe uma música para Isa com o nome homônimo. Assim como o Rock, o Perfume é o estopim da paixão.
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Irremediavelmente, amei todos os personagens secundários, todos contribuem de forma maravilhosa para a história e seu pano de fundo. Temos desde a moça que trabalha na casa de Isabela, aos técnicos do Estúdio, os meninos da banda, a família e os melhores amigos de Isabela, seus casos amorosos, além de muitos outros, todos surgindo no momento certo — ou nem tão certo assim, você vai entender ao ler. Embora não tenha sentido empatia pela Isabela ou pelo Bellucce, os personagens principais, mesmo eles sendo bem construídos, fiquei apaixonada pela Mila e pelo Frederico, amigos-irmãos da personagem, e, principalmente, por Jean, um personagem que ficou no meu coração.
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No mais, Apenas Respire deve ser lido e apreciado da forma que é: atual e inovador! O livro te pega de surpresa. Também não tem final clichê. Então vai e absorve o livro, o que ele tem pra te mostrar da realidade humana. O livro mexe com a pessoa, e pode ser não das formas que tu imaginas, mas ele mexe, seja amor ou ódio, ele vai mexer contigo. A vida não é previsível, ela dá reviravoltas, e as páginas retratam os pormenores que a vida de uma pessoa pode tomar, e as experiências, as descobertas e o amadurecimento que ela pode desenvolver. Indico esse livro a você, ser humano que erra, se apaixona e desapaixonada, mas que sabe que na vida nada é certo.

MARI

 

Gosta de escrever na terceira pessoa, comer brigadeiro de colher e ler creepypasta de noite. Aprecia boa música, é uma cinéfila irremediável, leitora compulsiva e fã número um de uma boa xícara de café. Ariana, 21 anos, estudante de Medicina e não adepta de rótulos.

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65 comentários em “Apenas respire, Rock e Perfume: paixão no ar

  1. Eu gostei da capa. Mas sinopses que contam muita cois da historia eu não sou fã rsrs acho que deve deixar um mistério, falar pouco e usar as palavras que prendem os leitores.
    Amei a resenha e fiquei super curiosa para conhecer esta história mais a fundo.

    Beijos
    Ler e Amar com a Dri

    Curtido por 1 pessoa

  2. Querida Marina e meninas do blog, adorei a resenha. Marina é sempre impecável. Adoro o modo como ela interpreta os livros. Apenas Respire não poderia ter caído em mãos melhores.
    Parabéns pelo blog
    Nos vemos em abril em Belém
    Beijos
    Ro

    Curtido por 1 pessoa

  3. Parece um livro muito interessante! É engraçado como a protagonista tem o mesmo nome que o meu e possivelmente a mesma ideia sobre a traição hahah acho que as pessoas precisam aprender a lidar com visões de mundo diferentes da caixa cristã ocidental em que vivemos. Só não gostei muito do título, dá ideia de ser uma história adolescente mas claramente toca em assuntos mais “adultos”. No mais, bela resenha!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá! O título também me passou essa impressão em um primeiro momento, mas é um romance bem trabalhado e interessante! Que incrível as semelhanças que citaste hahaha Concordo contigo e agradeço pelo carinho e por opinar 😉 Um beijão!

      Curtir

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