Quando eu me amar

Resenha – Quando eu me amar

por: Marina Rodrigues

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Sinopse: Há escolhas que mudam toda a vida, e Sofia não sabe que caminho seguir. Ela está dividida entre um novo amor e uma paixão de infância que acredita ser o homem da sua vida. Quando os dois cruzam ao mesmo tempo o seu destino, o seu coração e a sua razão entram em conflito. Afinal, com quem vale a pena ficar? E como seguir em frente com toda a dor que traz do passado? 

Número de páginas: 89
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A história segue a vida amorosa de Sofia, que é apaixonada por Bernardo, que não é apaixonado por ninguém, e então Vitor se apaixona por ela, que, por sua vez, Flávia quer o coração dele. No pano de fundo, temos a amizade de Sofia com Marina, uma personagem extremamente forte, verdadeira e impulsiva, não me identifiquei com ela só no nome. Ademais, temos a sua relação conturbada com o pai e pouquíssimos detalhes sobre qualquer coisa de sua vida, a não ser que ela trabalha em uma floricultura. Assim, o livro apresenta as escolhas amorosas dessa personagem ao longo das páginas.
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Como vimos anteriormente na resenha de Anna, de Everton Noli, feita aqui no site, o número de páginas não é problema nem um para desenvolver um roteiro consistente e emocionante, coisa que Quando eu me amar deixou a desejar.
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O livro chegou pelo correio com todos os cuidados da Natália, tinha um lacinho rosinha amarrado ao seu redor, dois marcadores muitos fofos e uma dedicatória incrível. A capa é linda e seu formato pequenino, como um livro de bolso, deixa a obra com uma aparência super delicada. Porém, apesar de bem escrito em termos técnicos, a formatação e a revisão, pelo menos na minha edição, apresentam-se realmente descuidados. Há vírgulas fora do lugar, palavras muito espaçadas, diálogos não organizados da forma correta, com seus travessões às vezes usado de forma diferente da norma. Além disso, a história não se divide em capítulos, mas parece ser separada por trechos de músicas, algo que pecou foi que a única música em inglês não teve o trecho traduzido. Ainda sim, nada que influencie na fluidez da leitura, mas pontos que incomodaram uma leitora exigente e atenciosa como eu.
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Somado a isso, o roteiro é um clichê — e não há nem um problema com clichês, a não ser que eles sejam mal elaborados, o que é o caso. A história toda se desenvolve muito rapidamente, deixando o leitor com a sensação que não conhece o mínimo dos personagens e que as coisas que acontecem são demasiadamente superficiais.
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O primeiro desenrolar de romances — bem a estilo de (500) dias com ela, mas com papéis inversos — se passa entre Sofia e Bernardo, se eu pudesse nomear o plot a estilo de Orgulho e Preconceito, nomearia Imatura e Egoísta, ela imatura e ele egoísta. Sofia não aparenta amadurecimento e parece viver em um ritual de passagem entre a adolescência tardia e a vida adulta, só encontra felicidade em outras pessoas. Já Bernardo é egoísta e só pensa na sua felicidade. Claro, é muito interessante como o livro expõe essas percepções, mas, de alguma maneira, o tiro saiu pela culatra. Primeiramente, Bernardo tem todo o direito de não amá-la e deixou claro desde o princípio de como ele se sentia, e isso não faz dele a pior pessoa do mundo ou o vilão do livro, não anula a amizade deles, tudo que eles viveram desde crianças ou sua personalidade.
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Sofia aparenta querer curar um amor com outro, como ela faz ao se envolver com Vitor, mas o que ela faz, o iludir e o deixar, parece ser o mesmo que Bernardo fez com ela, só que ela não percebe e sai relativamente impune, sem contar o quão rápido é o relacionamento dela com Vitor e o quanto ele desenvolveu um nível sério de amor em aparentemente menos de dois meses, a ponto de recusar outras mulheres e ficar por muitos anos triste, possível, mas ainda sim um tanto quanto incômodo. Indubitável que tudo isso pode acontecer e ser uma premissa dos personagens, e não exatamente o modo como a autora sente ou escreve ou pensa, mas ao menos esperava um final um tanto quanto “moralista”, uma redenção e percepção da personagem quanto a essa realidade: e isso aconteceu! Mas não da forma que eu, como leitora, tanto esperei a história inteira; além de só uma página com essa percepção e de ela ter sido “jogada” em nossos colos, o final não condiz com o fato de ela precisar de um tempo sozinha, mas parece uma tentativa de engatar um novo amor, como se se amar devesse ser acompanhado de um belo romance para realmente começar-se a viver.
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Óbvio, somos programados para procurar abrigos em outras pessoas, criar laços com outros é comum, seja de amizade, paixão e, na melhor das hipóteses, no amor; já dizia Aristóteles: o homem é um animal social. Porém, ainda não encontro minhas próprias perspectivas na história de Sofia, não houve empatia com a personagem ou com a sua vida. Espero que tudo isso seja questão de gosto, também sei que cada um tem seu próprio ponto de vista, então recomendo que vocês leiam e troquemos nossas opiniões, o livro é leve e pode ser lido em meia hora. Para quem não tem nada para fazer e quer um romance água com açúcar para adoçar a tarde, é bem recomendável. No mais, recomendo que façam como o título e a premissa da obra: se amem em primeiro lugar.

MARI

 

Gosta de escrever na terceira pessoa, comer brigadeiro de colher e ler creepypasta de noite. Aprecia boa música, é uma cinéfila irremediável, leitora compulsiva e fã número um de uma boa xícara de café. Ariana, 21 anos, estudante de Medicina e não adepta de rótulos.

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27 comentários em “Quando eu me amar

  1. Eita… Adoro sinceridade nas resenhas hahaha.
    A história realmente parecia bastante clichê, o que eu já não gosto muito, sendo mal feito então, pior ainda né?
    Não gosto de romances apressados e muito menos com personagens que não descem na nossa garganta. Provavelmente me incomodaria lendo esse livro…

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  2. Olá!
    Adorei a resenha! O problema dos livros curtos é que é bem difícil desenvolver algo que prenda realmente o leitor… Por ser meio clichê, não me interessou muito.

    Beijos, Lorena

    Curtido por 1 pessoa

  3. Você conseguiu captar a mensagem de se incomodar com a responsabilidade que Sofia coloca no outro, do tempo curto (ou quase inexistente) entre estar com um e depois com outro… Gostei da resenha. Sobre os erros: também me incomodo com a diagramação (ou a falta dela).
    Bjoks

    Curtido por 1 pessoa

  4. Adorei a resenha e eu não me canso de falar o quanto admito a sinceridade nos post.
    Eu não gostei da capa mas amei a sinopse e concordo com você que alguns clichês são bons… meu interesse no livro foi nos amores não correspondidos rsrsrs.

    Ótimo trabalho!

    Beijocas
    Ler e Amar com a Dri

    Curtido por 1 pessoa

  5. Bela resenha! Adorei suas opiniões bem colocadas e principalmente o respeito a opinião dos outros! Isso é extremamente importante!
    A capa é muito fofa!!!
    Beijinhos
    Patricia
    Saberes Literários

    Curtido por 1 pessoa

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