Hotel California

Resenha – Hotel California

por: Caroline Moreira

HOTEL_CALIFORNIA_1459952042576444SK1459952042B

Sinopse: Inspirado na famosa música Hotel California da banda norte-americana The Eagles, o livro homônimo recria de forma romantizada a história obscura por trás do hit. Citando de forma linear a letra parafraseada da canção no desenvolvimento da obra e interpretando-a através de teorias sobre sua origem, Fernando Risch conta a história de Johnny Eagle, um fora da lei que, em uma noite de cansaço, se hospeda em um hotel de beira de estrada e vê seu presente colidindo com seu passado, remontando sua vida, enquanto tenta entender os enigmas do local. Entre teorias sobre manicômio, inferno e vício em drogas, as obscuridades de Hotel California remontam uma história de mistérios que parece não ter fim. 

Número de páginas: 174
Onde encontrar? Editora Multifoco
barra

O autor conseguiu me deixar em um estado que há tempos não ficava, pois a narrativa nos prende logo nas primeiras páginas, assim que nos apresenta um mistério que, ao ser desenvolvido, provoca mais questionamentos e nos proporciona incógnitas difíceis de se responder. Apesar de tudo girar em torno do mesmo ambiente na maior parte do tempo, e com os personagens dos quais pouco se conhece, o livro pode ser caracterizado de muitas formas — com exceção de monótono.

A linguagem formal é usada, mas ainda tem a presença de algumas palavras que fogem à norma culta. Confesso, fiquei muito surpresa em como não pude largar a leitura até finalizá-la e, até mesmo após o término, me sinto como se ela estivesse impregnada em mim. Chega a ser irônico. A premissa da obra se baseia em uma música, como consta na sinopse e já adianto: o quão admirada estou de Fernando Risch transformar essa letra misteriosa e cheia de interpretações em um enredo tão complexo quanto, nos fazendo criar teorias a fim de compreendermos o que acabamos de ler.

Aparentar não é ser. Nem tudo que se aparenta é. Os maiores crimes são praticados por aqueles que aparentam ser o que não são.

De um modo fluído, é impossível não devorar as poucas páginas, que, embora não componham um livro extenso, são carregadas de detalhes capazes de materializar uma atmosfera tão pesada que poderia ser tocada. Envolvidos em um suspense, recebemos informações sobre o Hotel California e os hóspedes de forma gradativa, e nunca o suficiente. Quanto mais temos ciência ou pensamos estar no caminho de alguma descoberta, somos arrastados para o mistério, para o desconhecido.

“Hotel California” também traz lembranças do passado do protagonista, Johnny Eagle, constituindo uma narrativa não-linear em que as memórias começam a perturbá-lo e confundi-lo, e, assim, se deixa afetar pelos enigmas que rodeiam aquele lugar. Inicialmente, o fora da lei buscava um lugar para repouso, já que estava cansado, e avistou um letreiro um pouco apagado. O grande dilema presente no livro seria o fato de que ele está preso no hotel, e por mais que tente ou deseje ir embora, não o consegue.

Refleti sobre tudo o que li e verifiquei até algumas das teorias para a letra, confesso que algumas nem tinham passado pela minha cabeça, enquanto outras foram o que pude formular nas minhas tentativas de entender a obra. Entendi, por fim, que na letra homônima se tratava de uma prisão onde se entra livremente e depois descobre que não possui saída, segundo Don Henley, um dos autores da letra, então, Hotel California representa uma metáfora.

Alguns dançam para se lembrar, outros dançam para esquecer.

Cheguei a muitas conclusões, claro! Contudo, seria inválido colocá-las aqui assim tão abertamente e sem vocês terem a chance de interpretar por si mesmos. Prosseguindo, os personagens possuem uma aura distinta, combinando com o local. A primeira impressão, num geral, foi que estava lendo algum script de American Horror Story. Longe de serem tão parecidos assim, até porque são retratados em todos os aspectos de formas totalmente diferentes, todavia, foi inevitável não sentir uma ligação entre os dois. Quem sabe, seja o clima sombrio e a “prisão” que me remete a primeira temporada.

Apesar disso, os finais e explicações não são os mesmos, no entanto, caso você goste da série, acredito que seria uma ótima recomendação! As descrições me trazem uma sensação de thriller psicológico, estava apostando em terror, ainda que o gênero não indicasse isso. De fato, a trama foi muito bem formulada e escrita, não houve erros ou pontas soltas, e me surpreendi com o trabalho realizado ao ouvir a música e analisar tamanha criatividade em construir algo tão envolvente! Fiquei embasbacada e estou até agora, talvez até perca o sono continuando as possíveis explanações.

Narrando brilhantemente, Risch colide o passado e o presente de Eagle, e nestas passagens temos acesso a momentos conturbados, perigosos e pesados, então, é preciso mais do que curiosidade para essa leitura, exige um pouco de sangue frio, porque o Hotel não é a única parte que pode mexer com os seus sentidos. As situações anteriores a ele são tão perturbadoras quanto, e acredito que bem mais por ter uma essência de realidade, e mostrar a maldade humana em suas várias facetas.

Pobres rapazes. Pensam que podem tudo, mas nada são mais que pequenas marionetes da própria vida.

Sendo assim, essa literatura me causou muita reflexão, pensei nela por horas, esse não é bem o que julgo de livro leve ou algo para sair de alguma ressaca literária. Também não é tão forte, eu acho, para te colocar em uma, a não ser que você seja um tanto sensível. As partes pesadas que citei tem um conteúdo semelhante ao gore, e por isso resolvi avisar, pois há a possibilidade de a pessoa não ter apreço por esse estilo.

Em relação a parte gráfica, gostei da ilustração e da fonte utilizada, elas parecem fornecer charme o bastante para que haja interesse no visual do livro e, simultaneamente, transmitir um ar de mistério. As cores e o traço realmente me agradaram, então, considero uma boa capa. Não chega a entrar no hall de capas prediletas, porém tem a sua atratividade, e isso, aliado ao conteúdo de qualidade, configura uma ótima leitura.

Há coisas muito piores que a morte. […] Nós somos todos apenas prisioneiros aqui. Vítimas de nossas próprias armadilhas.

E você, quer passar uma noite com Eagle no Hotel California?

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

 FacebookInstagramSkoobTwitterFlickr

Anúncios

54 comentários em “Hotel California

  1. EU ESTOU ENCANTADA.
    Quando cliquei e vi o nome, automaticamente comecei a cantar hahaha depois que comecei a ler percebi que meu feeling tava certo. Fiquei muito apaixonada aqui. Tanto pela resenha que nos atiça a ler quanto pela premissa do livro. EU DEFINITIVAMENTE QUERO!

    Beijos,
    Paixão Literária

    Curtido por 1 pessoa

  2. Olá!
    Que resenha maravilhosa!
    Amei o fato de se basear em uma música. Saber que o livro te prendeu de tal forma me deixou com aquela sensação de “preciso conhecer a história”, nós leitores conhecemos bem essa sensação hahaha.
    Parabéns pela resenha! Você soube despertar bem a curiosidade, inclusive a minha.

    Beijos,
    Ler Antes De Dormir

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Carol! Foi uma leitura em que me surpreendi muito, porque eu só conheci a música depois ao procurar pela sinopse e eu já tinha algumas ideias na minha cabeça… Então, foi bem interessante 😀 Um beijão!

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s