O Homem e Seus Demônios

Resenha – O Homem e Seus Demônios

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Em O homem e seus demônios, Fernando Risch expõe o ser humano assombrado, literalmente, pelos seus antecessores na procura por respostas questionadas pela vida – e pela literatura. Ao tentar alcançar seus sonhos, Farris Knox se aterroriza com as infindáveis dúvidas que serão postas em seu caminho e não há bebidas ou cigarros suficientes para tranquilizar sua alma. Como ao utilizar restos humanos para fabricar sabão, o escritor usará as mesmas inquietações de George Orwell, Charles Bukowski, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, José Saramago, Edgar Allan Poe em seu Livro do Fim. Ou seria em O homem e seus demônios? O mundo se esvai em repetições e o fim, todos sabem, nunca é feliz. 

Número de páginas: 216
Onde encontrar? Livraria Cultura
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Confesso que o início não me cativou tanto quanto “Hotel California”, a introdução se estende um pouco mais do que julgo ser necessária. O desenrolar do enredo parece seguir um ritmo de lento a moderado, isso até chegarmos na ideia central que compõe essa obra.
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Já falei sobre a escrita de Risch, mas aqui, de algum modo, senti certa diferença. Talvez seja pela mudança de ambientação e personagens e, assim, de personalidades e de como agem e reagem. Isso não interfere na fluidez, só me passou uma sensação estranha no começo, porque era como se duas pessoas distintas tivessem escrito tais passagens.
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Porém, creio que cada autor tem aquela peculiaridade que o distingue dos demais, algo único e pelo qual você consegue captar características comuns em suas narrativas, ainda que totalmente díspares. Com Risch, particularmente, é notável essa característica, a meu ver, não se encontra exatamente na linguagem usada, e sim no enredo e em como ele se desenvolve.

É como a literatura. […] nós usamos parte de alguém. Do escritor, geralmente.

As duas premissas me encantaram, mas não se pode gostar de um livro somente porque a sua ideia central lhe parece agradável ou satisfatória. O desenvolvimento da trama pode tornar um clichê em uma leitura proveitosa e o mais brilhante pensamento pode não render uma boa história. Em “O homem e seus demônios”, encontramos um início um pouco parado, contudo, a sequência nos deixa perplexos, porque o desenvolvimento é insano! Completamente arrebatador!
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Sempre pareço encontrar muitas metáforas em seus textos, creio que está repleto de pensamentos reflexivos, como também carrega um desfecho surreal, não diria imprevisível porque, naquele momento, tudo se encaixava e podia ter certeza do que iria acontecer. Todavia, um final bom nem sempre requer uma surpresa ou algo inesperado. Há finais como esse: previsíveis, porque não fogem de algo que se trabalha na trama, sendo assim, também coerentes.

O passo à frente é tão importante quanto não voltar.

A narrativa aborda um aspirante a escritor, mais do que isso: um sonhador! Com um emprego medíocre, em que comparece apenas por necessidade, se vê através de uma nova perspectiva ao perceber que possui uma chance de reconhecimento no mercado editorial. Alavancando vendas, demite-se e passa a se dedicar exclusivamente para a escrita, tal como desejara! Parecia um…sonho. No entanto, a inspiração, a qual o fazia companhia vez ou outra, faz-se ausente.
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Com um contrato que exige o próximo livro em um determinado prazo, Knox, o protagonista, se vê perdido e, pela primeira vez, o seu sonho parecia desmaterializar-se a sua frente. Acompanhado por bebidas alcoólicas, já que a sua única companheira o abandonara, começa a ter visões de pessoas que ele admirava, e não acreditava estar louco até relatar o ocorrido para Lingley, o editor com que trabalhava. A partir de então, o número de aparições aumenta e ele passa a guardar para si mesmo.
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Absorta pela trama, eu criei uma série de teorias para essa obra também! Não consegui evitar formular, porque realmente fiquei curiosa sobre os motivos do discorrer da obra e me perdi em explicações mentais para mim mesma. Sabe aqueles livros em que o autor parece estar sempre um passo a frente? Penso que nunca terei certeza exatamente do que simboliza cada enredo, e isso me cativa mais do que repele.

É melhor sonhar do que viver o sonho.

Os personagens secundários não têm tanto destaque, não os considero rasos, porque é possível ter uma boa noção de cada um deles sem que se mencione características prontas em uma descrição usual, como geralmente acontece. Já o protagonista se revela denso, profundo, os seus demônios são trabalhados e exorcizados com uma dose de humor, nostalgia e também incerteza. Farris Knox carrega consigo um passado nada misterioso, afinal, está revelado em seu livro e, embora ainda guarde resquícios de sentimentos que não sabe lidar devido a alguns traumas, segue a sua vida como se o soubesse.
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Confrontado pelos seus autores favoritos, em uma jornada de auto-descoberta como escritor e indivíduo, “O homem e seus demônios” apresenta uma realidade crua de um sonhador que se perde em seus sonhos.
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E você, conhece os seus demônios?
carol eu 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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37 comentários em “O Homem e Seus Demônios

  1. Oi.

    Suas resenhas são maravilhosas, você sabe disso. Mas nesses livro em questão, não consegui agradar de nada 😦 não gostei da sinopse, nem da capa e nem do contexto em si .
    Mas quem sabe um dia isso não mude?! 😉

    Bju, Dri
    Ler e amar com a Dri

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  2. “Confrontado pelos seus autores favoritos” isso parece muito legal hahaha. Confesso que, ao ler a sinopse, me vi um pouco perdida, mas sua resenha tornou as coisas mais claras.
    Ainda não sei muito bem o que esperar do livro, mas realmente me vi interessada e daria uma chance. Você falou sobre humor e isso também desperta minha atenção. Sem contar que a capa está linda!!

    ourbravenewblog.weebly.com

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  3. Oie Carol, tudo bom?
    Eu fiquei louca para ler Hotel Califórnia. Mas confesso que esse ai não me deixou tão interessada assim, apesar de sé algo bem diferente que foge da realidade /vibe literária que estou acostumada. Quem sabe não seria uma boa pedida?

    Beijos,
    Paixão Literária.

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  4. Nossa, eu estou doida para ler algo desse autor. Gostei da resenha de “Hotel Califórnia” e fiquei bem curiosa. E por mais que esse outro livro pareça ser mais lento de se ler, ainda quero tirar minhas conclusões.
    Parabéns pela resenha, está maravilhosa, como sempre ❤

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  5. Nunca li esse livro, na realidade nem conhecia. Mas sabe que esse título me lembrou muitas coisas?! Principalmente dos medos humanos. Amei seu post e vou procurar esse livro pra ontem. Beijão Carol!

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