A Teia dos Sonhos

Resenha – A Teia dos Sonhos

por: Marina Rodrigues

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Sinopse:Com uma narrativa envolvente, A Teia dos Sonhos apresenta aos jovens leitores a beleza e o poder da amizade, a dor de uma perda, o caminho da superação e, no meio do caos, o amor. Uma história sobre a difícil tarefa de crescer e aprender a perdoar aquilo que jamais será esquecido. Nessa jornada do amadurecimento, A Teia dos Sonhos nos mostra que para ser feliz é preciso estar vivo. 

Número de páginas: 160
Onde encontrar? Editora Muiraquitã
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O que falar de um livro que eu recebi e terminei de ler no exato mesmo dia, mesmo com inúmeros livros que deveriam ser prioridade de resenha, tamanha a absorção que as palavras me levaram? Passei o olho no primeiro capítulo e fui irremediavelmente carregada pelas próximas 160 páginas.
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Em termos técnicos, não há nada a se falar do livro. A escrita é perfeita, são poucos os livros do Blog que pude perceber tamanha concisão, técnica de escrita e gramática impecável — depois eu descobri que a autora é professora de redação/português. Além disso, a capa, as fotos, a divisão dos capítulos, tudo contribui para a obra prima com que me deparei ao folhear esse livro tão querido. A capa é linda e as fotos que aparecem, todas feita pela maravilhosa fotógrafa Telma Castilho, seja no começo e no fim do livro ou no início de alguns capítulos, contribuem para um visual bem jovem e descontraído, achei fantástico.

A história se passa na voz de Júlia, narrando os acontecimentos de sua vida, que envolvem desde a separação dos pais, até seu crush por Bernardo e o suicídio de sua melhor amiga, Laura. Começamos o livro com as meninas fazendo uma tatuagem para celebrar seus cinco anos de amizade, um apanhador de sonhos, ou teia de sonhos, mesmo com 16 anos, elas fazem escondidas, pois, aparentemente, antes de morrer, Laura quis deixar sua marca em Júlia — mesmo a amiga não sabendo desse fato na hora — um dia antes de se jogar do 13º andar de seu prédio. Depois, Júlia começa a narrar o quanto Laura havia ficado próxima de Bernardo algumas semanas antes da tragédia — ele, amor platônico de ambas — mas, então, algo leva Bernardo e Júlia a se aproximarem depois da morte repentina de Laura, a mãe da menina, Tia Adriana, pede a ajuda da amiga da filha para investigar sua morte. Assim, ela descobre um e-mail que muda tudo e a leva a se juntar a Bernardo para ir atrás de respostas.

É uma história incrivelmente bem desenvolvida, apesar de poucas folhas, para um tema tão vasto. Não tenho nem palavras para começar a dizer o quanto esse livro virou um dos meus livros preferidos em tão pouco tempo, acho que foi destino cair exatamente em minhas mãos, há tantas coisas lá que eu precisava ler e entender!
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O Plot me fez lembrar “Eu estive aqui” da Gayle Forman, que segue quase a mesma linha de pensamento do livro de Karine Aragão, mas o mais incrível é que mesmo que ambos falassem exatamente a mesma coisa, não teria a singularidade de um livro que se passa no nosso cotidiano e na nossa cultura, amo quando livros brasileiros são livros genuinamente brasileiros, sem perder a essência da tradução de falas, das gírias ou até mesmo de marcas de produtos que estão presentes na nossa realidade — ou você espera um personagem de um livro americano usando Bombril, detergentes Ipê e margarina Qually? Não que tenha isso no livro, é apenas uma observação minha, pois recentemente li “A coisa” do Stephen King e percebi um choque cultural muito grande, principalmente com essa metonímia de trocar o produto por sua marca.
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O livro é um romance infanto-juvenil que pode ser lido em todas as idades, é uma mistura de drama, questionamentos e vivências, me arrisco até a dizer que poderia facilmente ser uma leitura obrigatória escolar brasileira. Karine consegue se aproximar do público jovem, em uma forma de se comunicar e passar para nós uma discussão polêmica, mas de forma leve e sem perder a seriedade. Logo, indico o livro para ser lido mais que urgentemente por todos que se sentirem tocados por essa resenha, pois nunca indiquei um livro com todo o meu coração.

Em termos gerais, tudo isso pôde trazer duas discussões bem interessante ao Blog, o suicídio e a depressão. Principalmente pelo fato do nosso público ser preponderantemente jovem.

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Primeiramente, você sabe o que é depressão?

A depressão é um distúrbio cerebral que pode ser causado por um desequilíbrio na recaptação pelos neurotransmissores de hormônios como a Serotonina, a Noradrenalina e a Dopamina, associados à sensação de prazer e bem-estar, também pode estar associada a fatores genéticos, psicológicos e até mesmo sociais.

O que você deve saber é que é uma doença muito comum e o Brasil já atinge mais de 2 milhões de casos por ano, então tal patologia não pode e não deve ser tratada como culpa do paciente! Ela é completamente tratável por um médico, seja por medicamentos e psicoterapias, e pode ser resolvida dentro de alguns meses. O diagnóstico deve ser apenas feito por um profissional especializado e não requer exames laboratoriais ou de imagem.

Esses são alguns dos sintomas, ainda que cada paciente possa desenvolvê-los de formas diferentes, não possuir todos ou possuir uma combinação de vários:

Cuidado: fatores psicológicos e sociais podem ser consequências da doença, e não a causa, como muitos pensam. Vale mencionar que o estresse pode desencadear os fatores genéticos em pessoas com predisposição.

#HUMOR: ansiedade, apatia, culpa, descontentamento geral, desesperança, mudanças de humor, perda de interesse ou prazer nas atividades no geral ou em atividades que antes lhe eram prazerosas, solidão, tristeza, tédio, sofrimento emocional, sentimento de vazio, fracasso.           

#COMPORTAMENTAL: agitação, automutilação, choro excessivo, inquietação, irritabilidade ou isolamento social. 

#SONO: despertar precoce, excesso de sonolência, insônia ou sono agitado. 

#COGNITIVO: falta de concentração, lentidão durante atividades ou pensamentos suicidas. 

#CORPORAL: fadiga, fome excessiva ou falta de apetite. 

#PSICOLÓGICO: depressão ou repassando pensamentos repetidamente.

#PESO: ganho de peso ou perda de peso sem nem um motivo e acentuada. 

#TAMBÉM COMUM EM PESSOAS DEPRESSIVAS: abuso de substâncias psicotrópicas, falta de esperança no futuro, sentimento de que a vida não tem sentido, falta de energia, baixa auto-estima.

Embora não retratado no livro, creio que a personagem Laura possuía algum nível de depressão, mas, atenção, nem sempre o suicídio pode ser relacionado a ela!

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Laço amarelo é o símbolo do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, 10 de setembro. Foto: Google.

Segundo dados do Mapa da Violência 2014, a taxa de suicídio de jovens com idade entre 10 e 14 anos aumentou 40% no país nos últimos 10 anos. Entre os jovens com idade entre 15 e 19 anos, o crescimento foi de 33%.

Até aqui há um grande problema: o assunto ainda é um tabu, ainda mais pelas características da adolescência, como isolamento, alterações de humor, ansiedade, que fazem com que o comportamento suicida, na maioria das vezes, se passe como ‘’rebeldia adolescente” para a família. Isso porque a depressão e o suicídio, no mundo, já matam mais que homicídios, alguns tipos de câncer e até a Guerra no Afeganistão.

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Outro tabu é o pensamento comum de que quem só fala que quer cometer suicídio está apenas procurando formas de chamar atenção e não vai realmente fazê-lo, mas fique atento a estes sinais, pois pode ser uma forma de a pessoa estar pedindo por ajuda.

Como podemos resolver?

A forma de resolvermos e prevenirmos os suicídios e as depressões mais graves é estar sempre atento para os sinais, mas apenas um médico pode fazer o diagnóstico e indicar o tratamento adequado, nunca se automedique. A consciência em procurar ajuda é o primeiro passo para sair dessa realidade. A internet também é uma forte aliada nesse quesito, no Brasil há o apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV), ONG que combate o suicídio por meio de atendimentos por ligações, email, chat e Skype. Você, seja uma pessoa saudável ou alguém que já passou pela doença, pode ajudar uma pessoa seja identificando os sintomas ou não a deixando sozinha e a chamando para conversar, procure não falar muito ou julgar, a pessoa muitas vezes só precisa ser ouvida, você também deve deixar objetos potencialmente destrutivos fora do alcance da pessoa, como armas e barbitúricos. Além disso, você pode se candidatar como um dos voluntários da CVV, antes haverá um treinamento e você precisa apenas ter quatro horas livres por semana para poder se candidatar como plantonista de um dos atendimentos.

ATENÇÃO! Se você tem pensamentos suicidas ou está deprimido, entre em contato com um voluntário do CVV pelo telefone 141 ou através do site.

MARI

 

Gosta de escrever na terceira pessoa, comer brigadeiro de colher e ler creepypasta de noite. Aprecia boa música, é uma cinéfila irremediável, leitora compulsiva e fã número um de uma boa xícara de café. Ariana, 21 anos, estudante de Medicina e não adepta de rótulos.

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50 comentários em “A Teia dos Sonhos

  1. Oi. Não conhecia o livro, mas achei o tema interessante. Apesar de ter medo de ler… Sempre tenho a impressão de que ficarei mal lendo livros do tipo, mas entendo a importância de se falar e gostei muito da sua iniciativa de pesquisar informações e compartilhar aqui.

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  2. Olá.

    Adorei a resenha! O livro parece muito bom pelo o que relatou aqui, essa temática é importante é precisa ser discutida sempre, em todos os meios possíveis. Fiquei com vontade de lê-lo.
    E PRECISO te dar os parabéns por ter ido além dá resenha e aprofundado a questão da depressão com dicas de prevenção.

    Bjos Gi Cardoso
    Livrólotras

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  3. Oi Marina, adorei a resenha! É tão bom quando autores conseguem tratar de temas pesados como a depressão e o suicido de maneira leve e que deixem uma mensagem no boa final > Temas que muitas vezes são pouco abordados em casa, que através de uma leitura, alguém que vem passando por isso pode identificar-se e encontrar quem sabe uma saída
    Ainda não conhecia a leitura mais fiquei bem curiosa, adorei a capa, e os dados informativos no final da resenha.. parabéns pela postagem ❤
    Beijos!

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  4. Olá!
    Como um livro com poucas páginas conseguiu transmitir tanta coisa? A história tem temas delicados e que nos faz pensar, gosto de livros que carregam isso, se tornam marcantes.
    Adorei a resenha e cada ponto que foi abordado, esse livro já está na lista de desejados há tempos, pois vejo circulando no instagram ótimos comentários da história.
    E sua resenha só reforçou. Lerei com certeza.

    Beijo, beijos
    relicariodehistoriasma.blogspot.com

    Curtido por 1 pessoa

  5. Tema sensível, viver é difícil, cuidar de depressão não é fácil, viver bem dependendo de um comprimido por dia e uma visita ao psiquiatra uma vez por mês também não. Ainda mais porque a simpatia das pessoas tem prazo de validade. Mas um dia de cada vez é minha dica. Enxergar o copo meio cheio também! Amei sua resenha. E quando achar que não existe mais saída, peça ajuda, por incrível que parece alguém pode aparecer com uma escada!!

    Curtido por 1 pessoa

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