Uma Jogada do Amor

Resenha – Uma Jogada do Amor

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Isadora escolheu uma pequena cidade no interior para fugir de seu passado cruel. Seguia uma vida simples de estudos e de atividades solitárias. Mas, numa jogada ousada, o destino colocou Sebastian em seu caminho, o principal jogador de futebol da universidade. Sexy e divertido, ele não esta acostumado com uma garota tão retraída e tímida quanto Isadora. O seu novo jogo preferido passa a fazê-la cair em sua rede. […] Romance, suspense, paixão e muita sensualidade dominam a história de Isadora e Sebastian. Prepare-se para prender sua respiração até a última página de Uma Jogada do Amor. 

Número de páginas: 273
Onde encontrar? Editora Autografia
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Admito que julgar esse enredo foi deveras complicado, porque ao mesmo tempo em que realmente estava apreciando o desenrolar dos acontecimentos, havia outras situações em que me via questionando e criticando parte do conteúdo disposto ali. Em uma relação de amor e ódio, ainda assim, acredito que no fim resultou em um saldo positivo e me proporcionou uma leitura intrigante.
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A premissa da obra parece clichê, ou você pode considerá-la assim, já que com alguns recortes na sinopse, adianto uma versão resumida e tão conhecida: um casal formado por uma jovem repleta de medos e dúvidas por causa do que já ocorreu em seu passado e um garoto disposto a lutar por este sentimento. Nas primeiras páginas em que percebi essa ideia repetitiva, confesso que permaneci acovardada a prosseguir a leitura por puro preconceito e ao seguir até o fim percebi que havia sim alguns pontos negativos, mas também pude encontrar pontos extremamente positivos em relação ao conteúdo apresentado.
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Primeiramente, a atração deles começa de imediato, porém o romance apesar de ser “água com açúcar” com cenas picantes, adquire um processo gradual. Não foi exatamente lento, porém fugiu de alguns padrões que costumo encontrar em que facilmente atração e amor verdadeiro são tachados como sinônimos de modo errôneo e confundidos como se de fato significassem a mesma coisa. O único ponto que me irritou nesse período de aproximação dos dois foi a insistência dele acompanhada do recuo dela que nos arrasta a um comportamento inconveniente em que ela resiste às suas investidas e ele não respeita. Isso me recordou uma problemática: os homens acreditam que “não” pode significar “sim”, deixarei aqui uma explicação mais aprofundada sobre isso, e mesmo não sendo a intenção da autora, o fato de ele seguir e ir para onde quer que ela vá, mesmo ela dizendo “não” é, no mínimo, aborrecedor. Embora em seu interior a garota queira ceder, ele não pode ler os seus pensamentos e saber disso, e também não gosto muito desses “joguinhos” de não falar abertamente o que pensa. Encerrando este tópico, esse foi um dos momentos em que não aproveitei na leitura.
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Em segundo lugar, o início me pareceu monótono, porque além do que citei, a Isadora se isolou de todas as relações básicas e praticamente não é detentora de uma vida social, sendo assim, a narrativa gira em torno de sua rotina e dos encontros com Sebastian até que ela consiga desfazer esse muro que construiu em torno de si e constitua uma grande amizade com sua companheira de expediente na lanchonete, a Meg. A partir de então, o livro começa a tomar forma e se desenvolver um pouco melhor, sem girar somente em torno do romance como geralmente ocorre. Além de que um dos pontos positivos que encontrei foi como a autora conseguiu mesclar suspense e mistério com romance, afinal, é uma mistura ousada e se mal trabalhada poderia arruinar toda a trama.
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Felizmente, com esse livro foi diferente! Aos poucos, Ruth Arnaldo nos dá pistas acerca do passado cruel da protagonista, e acrescentando um ponto de vista de alguém ciente do que houve com ela nos deixa em um estado alarmado e atiça a nossa curiosidade. Com um malfeitor se esgueirando pela cidade sem o conhecimento de Isadora, é inevitável não se sentir como em um filme de terror onde você percebe o perigo que os personagens correm e deseja emitir um alerta! Porém, nem tudo está ao alcance do leitor, porque a narrativa ocorre em primeira pessoa e são poucas as participações desse personagem misterioso. Como não há muitos indivíduos que são mostrados no enredo, é natural desconfiar de alguns e apontar algum culpado, mas mesmo atenta, consegui me surpreender e passar por todos os estágios de emoção que a protagonista vivenciou. Creio que a autora se concentrou em estudar o assunto abordado, visto que somos presenteados com um mistério que salvou a obra, rico em informações interessantes e que nos permitem realmente imaginar e vivenciar as cenas.
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Contudo, o encaixe do quebra-cabeça me soou um pouco inacreditável, talvez porque eu não tenha presenciado nada do gênero ou nunca tenha ouvido esse tipo de relato, mas isso pode ser mesquinho da minha parte, reduzir algo sério a minha vivência. Afinal, acontecem muitas coisas que não podemos imaginar e sequer cogitar que acontecem, de qualquer forma, a última parte prendeu a minha atenção totalmente e até a última página me deixou com uma boa impressão. A meu ver, a junção do romance com o suspense foi uma bela jogada da autora, pois o romance era fraco e deveria ser melhor trabalhado, desta forma, o mistério criado serviu para desviar a atenção do casal e focar no passado da garota e o porquê ela estava fugindo dele.
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Sobre os personagens, Isadora e Sebastian fazem o estilo fanfiction em que o garoto popular se apaixona pela menina sem sal, não gosto muito disso, mas Sebastian é retratado como um jogador de futebol que tem talento para quase todas as coisas possíveis, com um único defeito – o pior que a autora poderia escolher – a possessividade. Embora ele justifique em alguns momentos e os argumentos usados por ele sejam satisfatórios para Isadora, para mim, a agressividade e o ciúmes exibido por Sebastian me remete a uma relação abusiva, não chega a ser tão forte como já observei em algumas literaturas, entretanto, não escapa apenas por respeitar alguns amigos que na visão dele não lhe oferecem perigo ou concorrência ao invés de afastá-la de tudo e todos. Ainda que ela possua amizade com Meg e Vitor, a presença de outros homens que possam ter interesse em Isadora o incomoda intensamente a ponto de agredir imediatamente o indivíduo.  Sendo assim, Sebastian é um péssimo personagem e Isadora pode ser considerada regular. Já os personagens secundários são mais bem construídos e divertidos.
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A escrita de Ruth Arnaldo é simples e fluída, entretanto, sugiro como uma crítica construtiva que ela poderia alcançar um resultado ainda melhor caso reescrevesse a obra e trabalhasse técnicas de escrita, porque as descrições e diálogos são descomplicados demais, quase que facilitados e acredito que algo mais consistente e detalhado possa fornecer ao leitor um impacto e interesse maior.  Não somente pelo suspense mas, sobretudo por ele, afinal, a linguagem usada é extremamente relevante para propiciar momentos de tensão e o desenrolar dos acontecimentos conta muito! Afirmo isso com muito carinho pela autora, e ainda que pareçam mais pontos negativos do que positivos, a leitura me agradou bastante e nem por isso iria esquecer de mencionar o que me desagradou e o suspense, como já disse anteriormente, adicionou algo especial ao livro.
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Agora passo a bola para vocês, o que acham de “Uma jogada do amor?”
carol eu 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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34 comentários em “Uma Jogada do Amor

  1. Personagem abusivo, um homem que entende um não como um sim, familiar isso né. Infelizmente acontece e acho que livros e novelas estão aí pra nos fazer pensar. Ótima resenha como sempre

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  2. Eu já comecei a leitura e confesso que me surpreendi bastante com o desenrolar da história. Achei que fosse mais um clichê, mas acabou que eu me surpreendi bastante ❤
    Amo a maneira como suas resenhas desenrolam.
    E a parte que vc disse que te incomoda, sobre ela dizer não e ele continuar e tudo mais, isso também me incomoda muito, as vezes é uma das coisas que me fazem travar em algumas leituras, mas gostei bastante desse.
    Beijooos

    Curtido por 1 pessoa

  3. Que resenha Boa vc fez! Confesso que para mim essa história é um pouco comum pra um romance mais eu leria porque sou curiosa pelo desenrolar da história. A capa é bonita, porém não me chamou atenção como gosto.
    Mais Obrigada pela indicação.
    Bjos

    Curtido por 1 pessoa

  4. Eu também achei a sinopse muito clichê e confesso que os pontos negativos que você abordou me incomodariam um pouco. A escrita um tanto quanto despreocupada, a premissa clichê e a inconveniência de certos personagens, além do marasmo de uma rotina como a da protagonista, com certeza afetariam minha leitura. Acho que deixo passar… Nem curto muito romances, melhor não arriscar :/

    Curtido por 1 pessoa

  5. Oi!
    Pois bem, a sinopse deixou um “arzão” de clichê. Confesso que a capa eu amei e sempre me interessei por este livro… mas agora, não é uma leitura que me agradaria.
    Ano seu jeito de resenhar e mostrar os pontos positivos e negativos.
    Parabéns pela vela resenha!

    Bju, Dri
    Ler e amar com a Dri

    Curtido por 1 pessoa

  6. Olá.
    Parabéns pela resenha, embora pelos pontos que você apresentou aqui não seja uma leitura que entre para minha lista. Acho sensacional que mais uma vez tenha visto aqui a análise de temas pertinentes como suicídio e agora relacionamento abusivo.

    Bjos Gi Cardoso
    Livrólotras

    Curtido por 1 pessoa

  7. Carol, amei sua resenha. Já li esse livro e resenhei lá no blog também e concordo em praticamente tudo o que você diz. A personagem Isadora é o tipo de personagem que não me atrai, entretanto a história tem um curso gostoso. Confesso que gosto muito mais da continuação desse livro “A Melhor Jogada do Amor”, porque os personagens estão mais velhos e essa coisa de “menina medrosa”, embora continue existindo, é menos aparente. Beijos!
    https://www.seteveus.com/

    Curtido por 1 pessoa

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