O meu nome é Meriam

Resenha – O meu nome é Meriam

por: Marina Rodrigues

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Sinopse: O livro narra o caso de Meriam Ibrahim Ishag, uma jovem cristã, condenada a cem chibatadas por adultério, por ser casada com um cristão, e à morte por enforcamento por recusar-se a renegar a sua religião. Denunciada por um suposto meio-irmão, a quem nunca antes vira, seu julgamento mobilizou ativistas ligados aos direitos humanos, levando a notícia a jornais, televisão e redes sociais, na esperança de influenciar a decisão do tribunal. Mãe de um menino de um ano e meio, Meriam estava grávida e deu à luz à pequena Maya na prisão, acorrentada, enquanto seus advogados preparavam um recurso ao Tribunal de Segunda Instância e a jornalista italiana Antonella Napoli entrava novamente em ação, relançando a campanha pela sua libertação, envolvendo políticos e voluntários em defesa dos direitos humanos. Meriam nunca pensou em se tornar um símbolo, mas sua postura, decidida a enfrentar qualquer pena para defender sua dignidade e proteger a liberdade de escolher e crer na própria religião, serve de exemplo e alimenta a fé de todos que sofrem perseguições e violência devido à intolerância religiosa. 

Número de páginas: 158
Onde encontrar? O meu nome é Meriam
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Adivinhem quem fechou parceria com a Editora Paulinas no ano de 2017? Estamos muito felizes com essa parceria! Já até rolou sorteio lá na nossa página do insta @blogcomv. Esse livro foi bastante frisado nas parcerias da Paulinas no mês de abril, pois a escritora Antonella Napoli fez uma visitinha ao Brasil!
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Mas quem é Antonella e por que o livro não foi escrito pela própria Meriam? Antonella Napoli é uma jornalista preocupada com a política internacional e os direitos humanos, também colabora com as revistas Vanity Fair, Limes e L’Huffington Post. Napoli é autora de livros e reportagens, além de possuir contos e ensaios publicados em antologias e revistas universitárias. É ativista, promove campanhas, eventos e iniciativas e é fundadora e presidente da Italians for Darfur Onlus, também é membro do Articolo 21, uma associação que defende o princípio de liberdade e manifestação de pensamento. Impressionados? É, não é para menos, essa autora tem um currículo impressionante!
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Mas isso nos leva a outra pergunta: afinal, quem é Meriam? Meriam Yehya Ibrahim Ishag é uma mulher sudanesa e cristã que em 2014 foi condenada à morte por Apostasia, que seria o crime por ela ter supostamente casado com um cristão, Daniel Wani, e ter largado a fé islâmica. Grávida de oito meses e mãe de um menino de dois anos, Martin, foi condenada a 100 chibatadas por adultério e depois à morte por enforcamento por ela ter se recusado a abjurar, ou seja, negar a fé cristã e se converter ao islamismo. Essa guerreira foi forçada a dar a luz na cadeira, assim nasceu Maia, em uma situação precária e ainda por cima com as pernas da mãe algemadas, Meriam estava em cárcere e junto dela seu filho de dois anos também partilhava da mesma situação. O caso teve uma grande mobilização internacional, bem difícil e penosa por causa do medo de se ferir a soberania do país e fazer com que sua pena fosse cumprida mais rápido, era uma corrida contra o tempo.

Depois, soube-se que, na verdade, a denúncia que sustentava o processo vinha de um irmão de Meriam que ela nem conhecia. O pai a havia abandonado ainda pequena e constituído nova família, ou seja, ela não chegou nem mesmo a conhecê-lo e partilhar de sua parte islâmica, mas esse irmão descobriu de sua existência e a denunciou em prol da herança que a mãe de Meriam a havia deixado. Esse irmão afirmava que a irmã havia abandonado a família e a religião para casar com um cristão e que estava desaparecida desde então. Dessa forma, com a pena cumprida e a meia-irmã morta, os bens iriam para ele, pois seu marido e seus filhos não seriam nem ao menos considerados por causa da apostasia.

Onde Antonella entra nessa estória? Isso vocês já devem ter entendido! Antonella acompanhou o caso de perto e foi uma dos milhões de ativistas que lutaram na causa. Napoli chegou a voar para Cartum para conhecer a família e ajudar nos detalhes do processo. Ela espalhou abaixo assinados que rodaram o mundo inteiro, envolveu a baixada de diversos países para tentar bloquear a sentença, até que o apelo foi ouvido pelo Avvenire, o jornal católico italiano mais expressivo, pelo primeiro ministro da época e por muitas pessoas do globo, a pressão foi tão massiva, que conseguiram anular a sentença.

Mas, então, quando Meriam e a família tentou deixar o país com um visto dado pelo Sudão do Sul, o país mais jovem (que foi recentemente criado), foi presa novamente durante dois dias. Depois disso, ficaram abrigados por inúmeras semanas na embaixada dos Estados Unidos, até que conseguiram sair do país. Eles seguiram para a Itália, onde foram acolhidos pelo ex-primeiro ministro Matteo Renzi e logo depois tiveram a oportunidade de realizar o sonho de Meriam: conhecer o Papa Francisco. Com tudo resolvido, a família seguiu para a Filadélfia nos Estados Unidos, onde estabeleu residência.

As letras do livro são de um tamanho um pouquinho maior e deixam a leitura mais confortável. Além disso, o livro é bem curtinho e intrigante, fazendo com que você consiga ler ele bem rapidinho e sem perceber, comecei a ler ele em uma sala de espera de um consultório e já tinha terminado antes mesmo de ser atendida. A escrita é muito bonita, pois mistura os dons poéticos e jornalísticos da autora ao mesmo tempo, por hora falando sobre os detalhes mais jurídicos e por hora dos detalhes mais humanos, não é tão fluida por causa de algumas palavras que não são de uso tão comum, mas não chega a ser truncada de forma alguma. O livro é baratinho, achei um preço justo e acessível, então não deixem essa oportunidade passar, não é todo dia que encontramos livros tão bons e agregadores a esse preço (isso não é propaganda, é o meu incômodo pelo incentivo hipócrita do Brasil à literatura e os preços das livrarias serem exorbitantes para uma maioria da população que vive com um salário mínimo).

Por fim, o que tenho para dizer é que não, essa não é uma indicação de um livro religioso ou eu passarei várias linhas falando o quanto esse livro vai fortalecer a tua fé e que ela foi um marco para o cristianismo, aliás: esse livro pode até ter tudo isso, estar aberto a quaisquer reflexões e interpretações e outras resenhas usarem tais pontos. Mas o que eu quero que vocês enxerguem é que esse livro não é sobre o cristianismo ou sobre o islamismo ou sobre qualquer vertente religiosa ou política envolvida, esse livro é, acima de tudo, uma reflexão sobre a intolerância religiosa, os conflitos e os direitos humanos no mundo. Até que ponto o conceito de certo e errado de um povo pode levar uma mulher grávida e seu filho a cadeia, sendo tratada com um animal apenas por causa do que ela professa sem fazer mal a ninguém, e milhões de pessoas aplaudirem? Pensem sobre isso. Não recomendo esse livro para quem é religioso, mas para quem é humano, é uma leitura essencial que todos deveriam ter em sua prateleira.

MARI

 

Gosta de escrever na terceira pessoa, comer brigadeiro de colher e ler creepypasta de noite. Aprecia boa música, é uma cinéfila irremediável, leitora compulsiva e fã número um de uma boa xícara de café. Ariana, 21 anos, estudante de Medicina e não adepta de rótulos.

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69 comentários em “O meu nome é Meriam

  1. Interessantíssima a resenha. Fiquei curioso, confesso. Esse trecho: “Mas, então, quando Meriam e a família tentou deixar o país com um visto dado pelo Sudão do Sul, o país mais jovem (que foi recentemente criado), foi presa novamente durante dois dias. Depois disso, ficaram abrigados por inúmeras semanas na embaixada dos Estados Unidos, até que conseguiram sair do país. Eles seguiram para a Itália, onde foram acolhidos pelo ex-primeiro ministro Matteo Renzi e logo depois tiveram a oportunidade de realizar o sonho de Meriam: conhecer o Papa Francisco. Com tudo resolvido, a família seguiu para a Filadélfia nos Estados Unidos, onde estabeleu residência.” já diz que o livro provoca um verdadeiro “tour” cultural. Muito legal…. Gosto disso!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Em primeiro lugar: Parabéns pela nova parceria!!!

    E em segundo lugar: Esse livro já entrou na minha lista! Gosto muito desse tipo de história, real e marcante.
    O mundo está precisando cada vez mais que casos como esse sejam disseminados para quem sabe, melhorarmos!

    Parabéns pela resenha!

    Gi Cardoso
    Livrólotras

    Curtido por 1 pessoa

  3. Um livro com forte apelo humanitário, acredito. Parece uma obra interessante de ler, mas muito específica em sua forma. A religião parece sempre causar tantos problemas para as pessoas, mas tantos se apegam a ela como guia. É um caso interessante de um aparente “mal necessário” da humanidade.
    Vou pensar se coloco o livro na lista de leitura, será que encontro em e-book?

    Curtido por 1 pessoa

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