O Muro

Resenha – O Muro

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Um romance emocionante e uma fábula política e ideológica marcante sob o ponto de vista de uma criança. Joshua tem 13 anos e mora com a mãe e o padrasto em Amarias, um lugar isolado no topo da montanha, onde todas as casas são novíssimas. Na fronteira da cidade, há uma barreira bem alta, guardada por soldados fortemente armados e que só pode ser cruzada através de um posto de controle. Ninguém deve entrar naquele lugar, e quem está lá não tem permissão para sair. Desde pequeno, Joshua sabe que, do outro lado daquela muralha, há um território violento e implacável e que O Muro é a única coisa capaz de manter seu povo em segurança. Desde pequeno, ele sempre ouviu que, do outro lado, havia um território proibido, um lugar violento e perigoso, do qual um garoto como ele deveria manter distância. Um dia, a bola de Joshua cai do outro lado do Muro e, ignorando tudo o que sempre ouviu, ele vai atrás dela e acaba descobrindo um túnel que o leva a uma realidade que jamais imaginou encontrar. Lá ele acaba caindo nas mãos de uma gangue sanguinária, mas a bondade de uma menina salva sua vida. Porém isso acaba desencadeando um ato de extrema crueldade e coloca Joshua em dívida com ela… Uma dívida que ele fará de tudo para pagar. 

Número de páginas: 336
Onde encontrar? Saraiva
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“O muro” nos apresenta uma história emocionante sobre a perspectiva inocente e curiosa de uma criança em meio a um mundo adulto e fragmentado em duas versões, mas afinal, qual das duas está certa?
A vida, como você provavelmente sabe, é cheia de altos e baixos. Há sempre um preço a se pagar pela perfeição.
A ideia-núcleo se desenvolve a partir de uma situação corriqueira, Joshua e David estão jogando futebol como geralmente fazem até que a bola de Joshua por causa de um voleio mal executado pelo colega acaba por cair no outro lado do Muro. Uma tragédia futebolística por assim dizer, mas ainda que o responsável por isso consiga deixar isso de lado, Joshua tenta recuperar a sua bola sozinho e através da sua pequena aventura, descobre um mundo desconhecido e selvagem – mas também percebe os nuances de bondade nos lugares mais inesperados, como no rosto de uma menina.
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Assim que iniciei a leitura, fui cativada logo no primeiro parágrafo pela escrita de William Sutcliffe, o relato de Joshua é composto de sua ingenuidade e ignorância, embora também tenha um quê complexo e questionador: caracterizando-se assim como um texto leve e simples, porém inquietante e reflexivo, assim como a mente de uma criança. Em um primeiro momento, a narrativa descreve a trajetória do garoto pelo túnel e das observações realizadas por ele a despeito desse outro lado. Ainda que essas passagens pareçam longas e se foquem nisso, é incrível como é fluído e o ritmo, ao menos para mim, era constante e moderado, literalmente eu devorei este livro!

Se ficasse com raiva o tempo todo, isso mataria você. E se nunca ficasse com raiva, isso  também mataria você.

A obra nos mostra também a família de Joshua, composta atualmente pela sua mãe e Liev, o seu padrasto, os diálogos e as cenas que os envolvem são sempre carregadas e tensas, pois após a morte do seu pai, a mãe de Joshua se fechou como uma flor que murcha e se recusa a abrir-se novamente para a vida e Liev é um personagem fervoroso em suas ideologias e crenças, tomando atitudes e agindo cegamente através delas. Em seu próprio lar, Joshua começa a perceber, sobretudo, pelas afirmações e sermões de Liev que existe um rancor e ódio sem fundamentos que é direcionado às pessoas do outro lado. Com muitas perguntas e pensamentos guardados para si, vemos o menino transformar-se em um jovem e também a consternação que ele passa por ter ideias contrárias a de seu povo.

Elas não são apenas árvores, Joshua. Nada aqui é apenas uma árvore.

A narrativa segue nos apontando uma realidade crua e dolorosa, da qual fecharíamos as pálpebras para não enxergar, da qual fingimos que não existe para não pensar sobre isso. A relação entre Joshua e a garota que o ajudou em sua fuga de volta para Amarias, o local em que vive, cresce gradualmente e vai se aprofundando conforme o enredo se desenvolve. Infelizmente, isso não apenas a deixa em perigo como seriamente o afeta também: afinal, ambos pertencem a dois mundos completamente opostos e díspares. Fragmentado em cinco partes, sendo a última, a menor, o livro nos apresenta momentos de calmaria, tensão, violência e a essência humana em sua mais variada forma.

Por ser conduzido em primeira pessoa, acredito que a experiência torna-se ainda mais satisfatória porque temos acesso aos pensamentos, angústias, e por fim, o âmago de Joshua. É como se pudéssemos ver por meio dele, os relatos dele são emocionantes porque é como se fosse um amigo próximo contando a sua história e até como se fosse algo que estivesse acontecendo conosco. Isso se deve ao fato de que a descrição feita está estupendamente maravilhosa, desde os momentos no túnel até as cenas no bosque, o autor consegue nos transmitir cada sensação sem exibir um vocabulário truncado ou erudito, por isso, é tão fácil captar a sinestesia presente na trama: é natural.

Se a alternativa é não fazer nada, não há de fato alternativa.

Um tópico que me surpreendeu e me interessou bastante foi o fato de que o enredo não se passa na Segunda Guerra Mundial, o que eu interpretei que seria devido à frase na capa se referir a títulos como “A menina que roubava livros”, “O menino do pijama listrado” e “O diário de Anne Frank”. No entanto, prosseguindo a leitura identifiquei que remetia a outra guerra, uma por sinal bem atual, ainda que a cidade citada no livro seja fictícia e não deve ser vista como uma representação fiel, o autor quis nos mostrar uma história baseada na condição da Cisjordânia e de como a ocupação e o muro de segurança mudaram drasticamente a vida dos moradores.     Por ser um tema forte e um conflito que atinge a região há mais de meio século, sem dúvidas, foi algo que me conquistou da primeira até a última página. Sendo assim, “O muro” traz um enredo tocante e mesmo que o desfecho tenha sido previsível a meu ver, a leitura em si foi proveitosa e interessante.

E você, quer descobrir o que tem do outro lado dO Muro?

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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24 comentários em “O Muro

  1. Eu amo essa capa!!
    Também achei que se passava na Segunda Guerra, talvez tenham feito isso para atrair hahaha.
    A história parece bastante comovente, mas não sei se é o tipo de leitura que encararia no momento… Tive a impressão de que eu demoraria um pouco para finalizar essa leitura, e não estou podendo me dar o luxo de demorar hahaha.

    ourbravenewblog.weebly.com

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