Quase Tudo bem…

Resenha – Quase Tudo bem…

por: Caroline Moreira

QUASE_TUDO_BEM__1462105905581969SK1462105905B

Sinopse: Quase tudo bem conta a história de Laura Soutto, uma secretária executiva muito bem sucedida que ficou desempregada, resolveu aventurar-se e realizar o sonho de pegar a estrada e viajar. Em Penedo, sua primeira parada conheceu Lílian Motta, uma talentosa musicista e cantora da noite que resolve embarcar nesta aventura juntamente com Laura, a fim de conhecer novos horizontes, levando sua graça e musicalidade. Tudo parecia bem, quando Catarina Albuquerque, uma jovem de 23 anos esconde-se no carro de Laura para fugir de um casamento indesejável. Um romance cheio de companheirismo, aventuras e fortes emoções. 

Número de páginas: 206
Onde encontrar? Amazon
barra
Nesta mistura de chick-lit, romance, ficção e aventura, Adriana Rocha apresenta uma escrita única e versátil que é capaz de provocar as mais distintas emoções desde o humor fielmente presente na narrativa até mesmo um misto de medo e curiosidade.
barra

A autora não é somente uma escritora talentosa, como também colunista e possui mais cinco obras em sua carreira. Colecionadora de prêmios, recebeu o seu primeiro em 1987 e ainda em 2015/2016 conseguiu manter esse ritmo com o prêmio de Honra ao Mérito: Cora Coralina. Por tanto reconhecimento, tanto nacional quanto internacional, que esperava o livro com grandes expectativas e confesso: foi tudo bem diferente do que pensei. Mas isso foi uma surpresa positiva, “Quase tudo bem” me mostrou uma literatura fascinante.

O enredo discorre a partir do momento em que Laura Soutto abandona a sua vida antiga para trás e se aventura em uma viagem em que a vida lhe permite conhecer Lílian e Catarina de formas nada convencionais. A jornada reúne momentos de autodescobrimento e, sobretudo companheirismo, é notável o crescimento das personagens ao decorrer das páginas e cada uma evolui em um aspecto que a torna singular, tornando essa viagem muito significativa e repleta de emoções.

Ao abordar desta forma, talvez vocês imaginem algo dramático ou similar a uma obra de autoajuda, o que é totalmente diferente do conteúdo que tem-se nessa trama. Primeiramente, espantei-me com a linguagem tão próxima do cotidiano e intimista da autora até mergulhar em uma história completamente cativante, e pelo fato do linguajar e do vocabulário serem simples e familiares, a leitura se tornou fluída e de ritmo rápido.

Os capítulos do livro estão separados por cidades, visto que é uma viagem, as nomeações lembram um guia turístico, pois há passagens em que somos transportados para os locais e aprendemos um pouco sobre cada um deles, de um modo um tanto didático. Às vezes, isso me incomodava, noutras, mal pude perceber, tamanha era meu envolvimento com o livro! Em relação a isso, afirmo que tive uma relação conturbada com esta obra, pois os meus sentimentos oscilavam e eu facilmente gostava e desgostava conforme as páginas seguiam, o que me deixou numa situação complicada para definir o meu veredito.

Outro aspecto que me incomodou, mas analisando a edição independente até consigo compreender, não querendo justificar os erros encontrados, porém foram poucos e relacionados à digitação errônea. Já os erros de separação silábica pecaram a meu ver, por ser algo tão básico e o uso errado dos “porquês” aparece vez ou outra, mas nada tão frequente e relevante. Algo que demorei me adaptar fora a utilização de “Kkkk” e “Zzzz”, o primeiro visto em diálogo e o segundo em descrição, se bem me recordo.

Também pude perceber uma falha referente ao nome de uma personagem que ora surgia como “Dona Clarisse” ora como “Dona Clarice” e isso me dava uma sensação de que estava lendo errado até voltar a leitura e confirmar o erro. Para os fãs de poesia e música, o conteúdo em si traz a arte em suas mais variadas formas e a dinamicidade do conteúdo nos proporciona momentos incríveis com a presença de música popular brasileira e até de Amy Winehouse.

Em uma das cidades, a narrativa destoou um pouco do padrão que seguia e adquiriu um clima creepy com uma cidade cheia de mistérios e lendas, essa foi uma das minhas partes favoritas! O modo como foi relatado é surpreendente e sem o intuito de transmitir terror ou medo, a autora brinca e fala sobre temas importantes como incubus e succubus, contudo, ainda assim, paira um ar sombrio e causa um pequeno frio na barriga.

Acerca das personagens, devo dizer que me afeiçoei por cada uma delas, desde as mais presentes até as que tiveram poucas aparições. Em primeiro lugar, acredito que Laura representa muitas pessoas, sempre focada e com uma vida praticamente perfeita, a sua vida era “quase normal”, normal demais. Era uma vida morna, poupada de emoções, um trabalho seguro em que ela desempenhava uma função de modo competente. Ao menos, isso até ser despedida sem mais nem menos e decidir visitar a sua avó em um ato impulsivo, creio eu que este fora o primeiro gesto de libertação, pois essa loucura e viagem impensada me remete a sua personalidade.

Depois temos Líli, uma talentosa música que Laura conheceu em um bar durante uma das viagens, com um temperamento forte e uma combinação exótica, a garota conquistou o coração da mulher que optou por seguirem juntas. Julgo que Linhas Tortas de Gabriel O Pensador a definiria se substituirmos o amor pela palavra pelo da música: “Solidão me acompanha de hotel em hotel/ Casamento acabou, eu perdi na estrada/O amor que ainda tenho é o amor da palavra”. Com relacionamentos falhos, a cantora apostou na sua relação com a música.

Por último, uma das viajantes é Catarina que se esconde no carro de Laura para escapar de um casamento arranjado e indesejável. Acompanhar o crescimento dela e a sua luta para tomar suas decisões é de fato emocionante! Todas são carismáticas e cativantes, porém, a presença de Catarina nos traz reflexões e sentenças de cunho feminista interessante! Aliás, muitas vezes, a autora consegue trabalhar muitos assuntos até polêmicos sob uma perspectiva mais leve e bem-humorada. Houve momentos em que acredito terem falhas, e nem me refiro ao feminismo, mas em um aspecto geral, se saiu “quase tudo bem”.

Sendo assim, penso que todos poderiam ler devido à linguagem acessível e pela leveza do texto, e acima de tudo, pelo tom bem-humorado que traz questionamentos, alguns acertos e erros que afinal são reflexos da humanidade. O desfecho não foi completamente algo inesperado, mas não menos importante, deu o toque final e selou a obra com um rumo diferente.  No fim, ficou quase tudo bem!

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

 FacebookInstagramSkoobTwitterFlickr

Anúncios

21 comentários em “Quase Tudo bem…

  1. Olá! Tudo bem?
    A capa é muito importante para mim, e eu não gostei nada dela… mas o fato dos capítulos serem divididos por cidades me chamou a atenção. Talvez eu leia.
    🙂

    Curtido por 1 pessoa

  2. Hm… Ficou faltando alguma coisa para mim hahaha.
    Não sei… a história não despertou meu interesse. E o que dizer dessa capa, gente? Não ajuda 😡
    Está muito distante dos livros que tenho procurado ler ultimamente, então passarei a dica :/
    Beijos!

    ourbravenewblog.weebly.com

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s