O doce luar da primavera

Resenha – O doce luar da primavera

por: Caroline Moreira

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Sinopse: De vez em quando eu me dispunha a rabiscar uns versos, verbos, verbetes. Eram curtos, sem muito conteúdo. Eu tentava, por vezes, escrever e descrever o que sentia, via e imaginava. Para falar a verdade, eu sentia, via e imaginava muito mais do que pudera escrever. Não tinha o dom, mas tinha vontade. Tinha necessidade. Todavia, a cada linha que percorria, aliviava-me a alma. Descarregara um peso que teimava em acumular. Com o tempo, tornava-se cada vez mais comum transferir meus pensamentos para o papel. Qualquer ideia solta virava verso. Logo já era prosa. Não era intencional. Quando logo vira, já estava transcrevendo tudo que se passava em minha mente e principal: em meu coração. Dedicando-me à escrita tive um aprendizado: não tinha dom para escrever, mas podia sentir, ver e imaginar… o que, pra mim, valia muito mais. 

Número de páginas: 111
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Deixe-me lhes explicar como foi a minha experiência com este livro, despretensiosamente decidi iniciar a leitura no início da noite, pois pelo número de páginas ser relativamente pequeno e ter simpatizado com o título e a estética da capa logo no começo acreditei que não me decepcionaria. Não poderia ter acertado mais em minha previsão guiada pela minha intuição! Talvez seja difícil imaginar o que estou prestes a afirmar, mas acreditem, eu fui quem mais se surpreendeu com o fato de que fui conquistada desde o pré-prefácio e a partir de então, apaixonei-me perdidamente pelas palavras do autor e a cada página lida, era-me apresentado todo um universo. Um universo poético.

Com uma estrutura irregular e com forma própria, assim como a poesia o é: livre, têm-se crônicas, frases curtas de impacto e poemas sobre o cotidiano, encontros e reencontros. Separado em doze capítulos, o autor brinca com a diversidade de gêneros textuais, oscilando entre um e outro trazendo à tona o subjetivismo que está sempre presente. A carga emocional da trama me ousa pensar que anonimamente ele relata partes de sua vida, algumas inventadas pela imaginação, algumas vivenciadas… Afinal, ser escritor é depositar no papel as vivências e transformar-se personagem também, a sensação que possuo é de que nos aproximamos mais do eu-lírico a cada virada de página, contudo, não sei sobre a veracidade das crônicas e isso é um dos pontos intrigantes: a poesia é feita de incógnitas e mistérios. Questionamentos sem respostas, uma imersão sem volta. É o afogar-se nas palavras.

O primeiro conto “A bala sem açúcar” nos apresenta o dia-a-dia rotineiro de um personagem até que o dia comum passou para o seu último dia, tendo sua vida tirada e sem direito a últimas palavras, sentimos o desespero das palavras não ditas, dos atos não realizados e de toda uma vida que foi postergada até que não havia mais vida. Através de uma perspectiva reflexiva, e apesar de transmitir uma lição clichê um tanto repetida, Guto conseguiu trazer singularidade pelas descrições e pela sua condução impecável, seria impossível não se colocar no lugar do personagem e não se permitir uma revisão de vida e interrogar a si mesmo: o que é importante? Ainda que ninguém saiba quando irá morrer, continuamos a agir como se soubéssemos o momento exato e adiamos momentos inadiáveis, perdendo o que existe de mais precioso, a nossa existência.

A escrita de Guto é praticamente isenta de erros de qualquer natureza e carregada de um lirismo tão profundo que nos atinge diretamente no âmago, na alma. Ao mencionar isso, creio que muitos pensam ser um linguajar complexo ou textos difíceis de serem compreendidos, porém, pelo contrário, o ritmo da leitura é rápido e fluído devido à sua simplicidade. Penso que isso foi um dos aspectos que mais me atraiu, afinal, muitos autores tornam suas literaturas rebuscadas e de difícil entendimento sem se preocuparem com o seu público-alvo ou perceber que uma escrita impecável vai muito além de um vocabulário erudito. Com isso, este livro abrange um público amplo e variado, a sua acessibilidade é tamanha que um leitor iniciante não teria problemas com o desenvolvimento e um leitor assíduo ficaria satisfeito com a leitura.

Acerca da parte estética do livro, adianto que a capa foi uma das razões para que eu me interessasse imediatamente no mesmo, com detalhes que harmonizam desde a escolha das fontes para o nome do autor e para o título da obra até a imagem escolhida que a meu ver simboliza a imensidão e o infinito contido dentro de nós – o universo particular de cada um. É uma das imagens mais bonitas que já encontrei e sempre que a visualizo, encontro uma ou outra minuciosidade que me faz apreciar ainda mais a capa! Por fim, julgo ser um livro para todos aqueles que transbordam e desejam ler uma literatura que acrescenta e alimenta ou apenas queiram ter uma tarde prazerosa na companhia de um bom livro. No mais, vivencie a poesia!

carol eu

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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40 comentários em “O doce luar da primavera

  1. Que livro Incrível! Sou uma pessoas muito difícil de ser conquistada desde do prefácio mas a forma como você me falou desse livro me inspirou profundamente! Amei cada parte! Parabéns pela resenha linda e que nos faz realmente bater palmas para essa leitura! Vou adicionar na imensa lista! Hahaha
    Beijos 😘
    Blog Canção dos Livros 😘

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  2. Adoro contos, crônicas e poemas. Sua resenha muito sensível nos faz viajar pelas páginas desse livro que me pareceu maravilhoso. De se ler de uma sentada só. Parabéns pela sua escrita que conquista novos leitores a se aventurar nesse gênero que vemos tão pouco.

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  3. Oi Carol, adorei sua experiência em palavras, a resenha ficou bastante poética 😀
    Eu estou com um livro de poemas pra ler tb e faz tanto tempo que não leio um que esqueci como despertam esses sentimentos profundos em nós!

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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  4. Carol, eu estou perplexo com a tua leitura do meu livro. É exatamente isso! A fantasia e a realidade em choque. Tem vezes que nem eu sei o que foi vivido por este autor e o que foi criado pela sua cabeça incentiva. Esta minha experiência irregular com os mais diversos gêneros, não foi uma opção. Eu realmente me aventuro em palavras e elas me nascem da forma que querem se apresentar ao mundo. Por isso, considero O Doce Luar da Primavera o meu despertar na literatura, em todas as suas possibilidades. É realmente uma leitura para todos os gostos e fico muito satisfeito de ler críticas tão bem feitas como essa. Obrigado por teu carinho com a obra. Obrigado por ter se entregue a este universo que apresento no livro. Obrigado por conhecer este meu lado e por fazer parte desta história ❤️🌸

    Curtido por 1 pessoa

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