Entre o Sol e a Lua

Resenha – Entre o Sol e a Lua

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Joana cresceu em uma cidade no interior de São Paulo e, para dar um novo rumo à sua tumultuada vida, aceita um emprego em uma multinacional no Rio de Janeiro. Enquanto ela enfrenta os desafios desta nova fase, Cauã – entidade do Sol – a reencontra e a reconhece como o amor milenar dele. Joana não tem conhecimento de que é a personificação de uma importante entidade milenar, representada pela Lua, tampouco tem ideia de que agora faz parte de uma perigosa batalha entre entidades indígenas e de que irá se deparar com inimigos inimagináveis. Surge entre eles uma paixão sem limites. No entanto, Cauã precisará unir forças para proteger a sua amada. E quebrar o encantamento que o impede de estar ao lado dela. Afinal, se o Sol precisa de Cauã para existir, ele precisa de Joana para viver. Num enredo intrigante e mágico, Entre o Sol e a Lua dá vida a personagens míticos e à encantadoras lendas, parte do folclore brasileiro ainda pouco explorado: a mitologia tupi-guarani. 

Número de páginas: 520
Onde encontrar? Livraria da Folhabarra
Com um número grandioso de páginas, essa literatura envolve gêneros os quais já estamos habituados a ler como ficção, fantasia e romance e traz o folclore como temática principal e não usual, constituindo uma obra única e singular.
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O romance se inicia de forma explicativa e introdutória, as primeiras páginas podem parecer confusas a primeira vista devido à quantidade de informações, porém são essenciais para se contextualizar acerca da temática que a trama discorre. Após a explanação sobre algumas entidades presentes na mitologia tupi-guarani, somos apresentados aos personagens que representam essas entidades e também somos envolvidos pelo mistério e incógnitas que as cercam.                            barra
A partir de então, a autora nos possibilita conhecer Jaci e Guaraci que são, nesta vida, respectivamente Joana e Cauã, e por serem elementos opostos e complementares são a representação do Sol e da Lua e também amantes milenares. O enredo progride sem focar somente neles, contando com uma gama de personagens e acontecimentos capazes de retirar o enfoque do casal.
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Por isso, a parte romântica do livro não interfere nas demais e consegue evitar o romantismo exacerbado e meloso que costumeiramente nos deparamos, ainda que haja a definição de alma-gêmea para referir-se aos dois.  Há uma tensão inicial decorrente do desconhecimento do paradeiro da Rainha da noite, Jaci, que há quinhentos anos desmantelou e Guaraci nunca mais teve notícias.
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O desmantelamento não é relacionável ou correspondente à morte para os humanos, porque ao contrário destes, a memória permanece intacta ao retornar para seu elemento.  Sendo assim, as entidades possuem várias vidas em que podem se recordar de todos os momentos que viveram. Desta forma, depois de uma briga com Guaraci, ela voltou-se para a Lua com o intuito de obter consolo e paz, e o que o intriga é o motivo de seu desaparecimento mesmo após tantos anos. Afinal, será que ela nunca o perdoaria?
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O desenvolvimento se dá quando Cauã e seus amigos tomam conhecimento de um indício do lugar onde sua amada estaria, com isso, a vida de Joana se cruza com a de Cauã através de uma oportunidade de emprego. Um dos pontos mais importantes e que resultam em uma narrativa enigmática é o fato de que ela não se lembra e não se conecta perfeitamente com o seu elemento.
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Enquanto ele almeja reconquistar a sua Jaci e fazê-la descobrir quem é, ela precisa superar a nova fase e libertar-se de sua vida que estava tumultuada com o seu relacionamento abusivo com Rodrigo e do saudosismo ao se despedir de seus pais. Porém, esse não é o único problema de Joana, pois há uma batalha silenciosa ocorrendo em que as entidades indígenas se provam perigosas.
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Em um primeiro momento, por ser um livro extenso e que envolvia o gênero fantástico confesso que não estava com expectativas altas. Contudo, pude perceber como a escrita de Ana Ferrarezzi é igualmente mágica, assim como os seus personagens! A presença de capítulos grandes não atrapalhou a minha leitura em momento algum, ora havia capítulos curtos ora grandes e eu os devorava com a mesma voracidade. Era como se a divisão de capítulos fosse cuidadosamente planejada porque a cada início de um novo capítulo, via-me ainda mais motivada a prosseguir com a leitura! Por fim, tornou-se um vício.

Não conheço muito o folclore brasileiro nem mitologia e por isso acho tão encantador como ela transformou e uniu essas duas vertentes para a construção de uma obra. Foi um trabalho primoroso e creio eu que exigiu muito estudo e dedicação, pois existem vários dados disponíveis nas páginas e a cada novo conhecimento, uma peça do quebra-cabeça se encaixa. Isso foi um dos motivos que alavancou a leitura, porque estava tão interessada em saber o desfecho e queria também adivinhá-lo, descobri-lo com Joana!

Outro ponto que valorizei bastante foi a desconstrução de estereótipos e a valorização do corpo da mulher seja ele qual for, além disso, vez ou outra via algum personagem apontando um ato machista, revelando-se um livro atual e brilhante. Sem mencionar que ao passo em que “Alma gêmea” estava repleto de erros, este praticamente não havia algum, o que muito me agradou e eu até estranhei pela quantidade pequena em relação a um livro com mais de 500 páginas.

Ultimamente, com as leituras de Quebra da Vitória Lussari e Entre o Sol e a Lua  da Ana Ferrarezzi não só venho me apaixonando pelo mundo da fantasia, como também dando uma chance a livros maiores. O desenvolvimento e como a trama nunca estagna são um dos aspectos positivos desses livros, realmente fiquei encantada e até me surpreendi com a escritora. Por já ter lido um livro dela, não supunha que pudesse ainda me maravilhar e foi uma surpresa agradável, porque sem dúvidas o primeiro livro da série “Esmeralda” se tornou o meu favorito da autora e com certeza o mais bem escrito e desenvolvido dos que tive a oportunidade de realizar a leitura.

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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2 comentários em “Entre o Sol e a Lua

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