Filhos da Lua

Resenha – Filhos da Lua

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Você consegue imaginar que a vida que te ensinaram a viver pode não ser aquela para a qual nasceu? Que tudo o que acredita pode não ser inteiramente verdade? E que existem criaturas conhecidas como trocadores de pele vivendo entre nós? Em Filhos da Lua: o Legado, você descobre um novo universo de fantasia urbana, tendo como cenário o nosso país. A autora apresenta uma aventura cheia de mistérios cuja personagem principal é Bianca, uma adolescente que não imagina que sua chegada na cidade desencadearia uma série de acontecimentos capazes de transformar completamente a sua vida e revelar os segredos de um perigoso mundo. 

Número de páginas: 488
Onde encontrar? Saraiva
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“Filhos da Lua” nos apresenta uma fantasia urbana que se passa em território brasileiro, mostrando-nos um universo novo cheio de aventuras e mistérios a serem desvendados.
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A premissa do livro gira em torno de Bianca Bley, uma adolescente de dezesseis anos que mora com a sua irmã Laura em Santos. A protagonista é traumatizada devido a um assalto que ocorreu em sua casa em que os seus pais foram assassinados e desde então, tem sido afligida pelo sonambulismo e por pesadelos. Por causa do trabalho de sua irmã, ambas estão sempre de mudança, por isso, Bianca novamente enfrenta o seu primeiro dia de aula e concentra-se em fazer novas amizades, porém a sua vida acaba se cruzando com outro mundo e também descobrindo as respostas de questões que até então eram somente lacunas a serem preenchidas.

A obra de Marcella Rossetti tem um início arrastado e repleto de novas informações e incógnitas, o que dificultou a minha imersão no conteúdo e também tornou o ritmo de leitura lento e monótono. Infelizmente, esse foi um dos pontos que mais afetaram a minha experiência com a trama criada por ela, isso porque este problema se prolongou até o capítulo nove e embora os capítulos sejam de tamanho mediano e pela extensão do livro ainda permanecia no começo da história, foi um empecilho bastante incômodo até conseguir adquirir o envolvimento e interesse necessários para prosseguir a leitura de forma satisfatória.

Ainda referente aos trechos introdutórios do livro, é notável a estrutura de um enredo extremamente clichê e acontecimentos e diálogos um tanto previsíveis, juntamente com uma linguagem apropriada e destinada para o público infanto-juvenil que me deixaram um pouco descontente, não pela linguagem utilizada em si, mas por ela estar aliada a esses outros fatores e propiciar uma leitura rasa em muitos sentidos. Somado a isso, tem-se uma gama e infinitude de denominações e informações que somente são explicados tardiamente, deixando-nos não só perdidos, mas também confusos diante da importância e da relevância de tais títulos, raças e linhagens no desenvolvimento da narrativa.

Mas acreditem, ironicamente, a partir do capítulo mencionado anteriormente é como se houvesse uma mudança radical em vários aspectos, fazendo com que eu obtivesse uma perspectiva totalmente distinta como se fossem duas obras díspares. A construção de diálogos se torna um elemento-chave devido às sentenças instigantes e curiosas que são exibidas, responsáveis por aguçar a minha curiosidade e finalmente consigo adentrar nesse universo. Aliás, os seres fantásticos e todos os detalhes que os envolvem foram muito bem pensados e apresentam, a meu ver, não apenas uma nova definição de lobisomens como também um mundo totalmente exclusivo e original que eu não imaginaria me deparar.

Ainda que houvesse alguns erros, gramaticalmente não tive problema algum com a obra neste aspecto. Outro tópico que considero interessante apontar foi como ela abordou a temática LGBT e o tradicionalismo de modo crítico e questionador dentro de um universo em que pouco se é trabalhado isso e foi de uma forma inteiramente natural e condizente com a obra, foram realmente momentos em que percebia discussões sobre o assunto sem que se desvirtuasse do contexto inserido. A autora soube conduzir muito bem as cenas de ação e também descrever e mostrar ambientes sob uma ótica futurística e tecnológica, o que considerei incrível diante da criatividade da autora.

Surpresas e reviravoltas constituíram o enredo que se mostrou bem formulado e apresentou uma evolução indescritível, além de que, passando-se em territórios brasileiros consegue trazer uma aproximação e intimidade com o leitor, ainda que os lugares citados não façam parte do meu cotidiano, a autora soube citar pontos e locais importantes para nos situar e tornar a história, mesmo que fantasiosa, próxima da realidade, algo mais palpável e verídico. E, por fim, mas não menos importante: eu me emocionei a ponto de derramar lágrimas, justamente eu que não costumava ser fã de fantasia e iniciei essa leitura com expectativas baixíssimas por causa do seu começo vagaroso. Portanto, tenham ciência de que “Filhos da Lua” é uma leitura que começa como uma chuva de verão, daquelas que você nem se preocupa com o guarda-chuva e no fim, acaba encharcado de sentimentos.

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