A outra chance

Resenha – A outra chance

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Nem sempre o homem é o senhor de suas decisões. Há certas circunstâncias em que o sentimento supera a razão e para todo o sempre há uma voz superior. O homem é o senhor do seu destino, mas ele deve responsabilidades a um ser superior. Um vírus mortal ataca a humanidade e coloca-a em risco de extinção. Um homem, designado por uma força superior para salvá-la descobre, afinal, a razão da existência dessa ameaça e porque fora escolhido para tal missão. No entanto, um preço muito alto terá que ser pago para conseguir esse objetivo. Mesmo sem querer, ele tem uma missão que terá que cumprir a qualquer custo, independentemente de sua vontade. Descubra os desígnios da humanidade, por estamos aqui e se merecemos estar aqui.

Número de páginas: 198
Onde encontrar? Chiado Editora

“A outra chance” é uma obra interessante que dispõe de muitas reflexões e questionamentos acerca da existência humana e suas atitudes, mostrando-nos um cenário não tão distante da nossa realidade e um futuro amedrontador.

A história se inicia por meio de um poema denominado “O ocaso de um rei”, um texto introdutório que consegue sintetizar o conteúdo da obra de forma eficiente, deixando-nos contextualizados com a temática trabalhada e também construindo um clima de curiosidade pelo que está por vir. Na sequência, temos um reencontro de velhos amigos, dentre eles, Cesár, Paulo e Gabriel, este último, o responsável para o pontapé inicial do desenvolvimento do enredo. Por meio de um diálogo, somos transportados ao ano de 1985, com um olhar na terceira pessoa que nos apresenta Luis Radiani.

A partir de então, temos acesso à vida de Luis e a sua família, mas apesar de ele assumir o protagonismo existe um tema que assola a trama e divide os holofotes: a existência de um vírus mortal que tem causado preocupações em dimensões internacionais. Sônia, a esposa de Luis, é uma médica renomada e cada vez mais se aprofunda nos estudos e análises sobre o vírus que estava aterrorizando a população, porém se vê cada vez mais frustrada devido ao insucesso das pesquisas da comunidade científica em que depositava suas esperanças. A situação não se torna um caos apenas no Brasil, visto que as vacinas e testes realizados não surtem o efeito desejado, o mundo todo começa a entrar em um estado de calamidade.

Em meio a este cenário, surge um grupo chamado “Os vingadores” que são tomados pela raiva de adquirirem a doença até então incurável e pela discriminação que esses doentes vêm sofrendo pela população sadia. Através de ataques sangrentos, este grupo consegue chamar atenção para si e conta com um grande número de participantes, provocando pavor entre os habitantes até mesmo da pequena cidade onde viviam Luis e sua família. A obra prossegue analisando as consequências desse vírus mortal na vida das pessoas e como o termo “humanidade” acaba perdendo o sentido quando as ruas se tornam um palco de show de horror.

Uma das características da escrita de Afonso Celso Brandão de Sá é a incrível construção dos personagens e do enredo, como este é o segundo livro que leio do autor pude perceber isso de forma clara. É perceptível nitidamente que cada indivíduo presenta na obra executa um papel relevante, e geralmente o autor nos mostra a trajetória de vida do protagonista como se estivéssemos verificando os fatos através de uma linha do tempo, e ao fim, traz sempre um desfecho o qual ora me deixa emocionada, ora pensativa. Isso se deve ao fato de que ele tem um quê machadiano ao que se refere à perspectiva realista, traduzindo-a não só em suas tragédias, como também em suas belezas.

Não posso deixar de citar que a religião também sempre permeia os livros do autor, contudo não de uma forma autoritária ou fanática, inclusive ele menciona o fanatismo religioso e há discussões sobre a Igreja em seu livro, nada muito aprofundado a princípio embora esta obra especificamente carregue um teor um tanto devoto. Mas mesmo assim, considerei a experiência extremamente agradável e o desfecho foi, sem dúvidas, interessante! O autor trabalha muito por meio de questionamentos e possui um quê moralista sem ser pedante ou irritante, por isso é uma leitura rápida e com um vocabulário simples que consegue nos proporcionar reflexões por causa das suas abordagens críticas e atuais. Apesar de O limpador de quintais ser definitivamente o melhor do escritor a meu ver, confesso que não esperava me encantar tanto com “A outra chance”, para mim, Afonso é um dos nomes da literatura brasileira que realmente me marcou!

Não espere por outra chance para realizar essa leitura! 😉

carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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