Castlevania – Uma adaptação digna

Castlevania – Uma adaptação digna

por: Pedro Felipe

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Sinopse: Inspirado na clássica série de jogos, Castlevania é uma sombria fantasia medieval que segue o último membro do clã Belmont, enquanto ele tenta salvar a Europa Oriental da extinção na mão do próprio Vlad Dracula Tepe.

Onde assistir? Netflix

Castlevania é uma das mais amadas e longevas franquias do mundo dos games, contando com diversos títulos para as mais diversas plataformas e com obras memoráveis como Simphony Of The Night, a série tem atravessado o tempo tal qual os vampiros que permeiam sua trama, sempre com fãs fervorosos ao seu lado.

Quando a Netflix anunciou que iria lançar um desenho animado baseado na franquia, muitos fãs ficaram receosos, inclusive o redator que vos escreve, afinal adaptações de games costumam decepcionar, aliado a isso, o estúdio escolhido pra tocar o projeto foi a Frederator Studios, que apesar de ter mostrado qualidade em desenhos de sucesso como : “Os Padrinhos Mágicos” (2001) e “Hora da Aventura”(2010), não parecia ter a cara ideal pra desenvolver e produzir um projeto sombrio e com um tom mais sério. Mas para a alegria de todos, Castlevania da Netflix se mostrou como uma das melhores, se não a melhor adaptação já feita de um jogo, agradando os fãs como eu e até mesmo quem nunca jogou um único jogo sequer e você confere com a gente o porquê disso.

Pra começar as animações são lindas, ao ponto de parecer que estamos visualizando uma HQ em movimento ou até mesmo um quadro, principalmente quando os cenários são apresentados. A escolha por traços em 2D com elementos em 3D foi assertiva e ajudou bastante na criação da atmosfera, as cores são bem usadas, os personagens estão bem caracterizados e os inimigos e os outros elementos visuais também não decepcionam. Ainda na parte visual, é preciso elogiar a coragem da série que não tem medo em ser visceral e esbanjar sangue, em tempos de censura e da “infantilização” do audiovisual, a ousadia do estúdio merece ser reconhecida, em Castlevania temos tripas, gente empalada, sangue jorrando, bebês e crianças morrendo e até mesmo chuva de sangue, o que confere um tom sombrio e violento a animação. A cereja em cima do bolo nesse quesito é a abertura, que assim como o resto do desenho, é um deleite para os olhos e uma das mais lindas introduções que já vi para algo do gênero.

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Já a trama se mostra extremamente envolvente e convence o espectador. Na história, acompanhamos a vingança de Drácula contra uma nação, após a igreja de uma cidade ter queimado a mulher que ele amava, sob a falsa acusação de bruxaria. A motivação de Drácula e seus atos convencem ao ponto do personagem se tornar um vilão pelo qual torcemos de certa forma, mesmo com seu pouco tempo de tela. Além da premissa ser bem usada, contamos com diálogos e reflexões interessantes surgindo acerca da religião e de suas verdades absolutas, ponto característico de alguns diálogos da franquia, o que confere um tom interessante, ousado e maduro ao desenho, por mais que a igreja nos jogos tenha sido usada como aliada muitas vezes, a escolha da série em coloca-lá como vilã pelo menos em um primeiro momento se mostra como uma boa escolha narrativa. O roteiro é baseado em “Castlevania 3: Dracula’s Curse”, jogo lançado para o NES, famoso nintendinho, em 1989, contando inclusive com o mesmo protagonista do jogo, do qual falaremos mais a frente. Mas ela não se limita a isso e também apresenta elementos narrativos e visuais de outros jogos, como “Symphony Of The Night” e “Curse Of Darkness”, portanto a premissa da série não só prende e se sustenta, como também tem um valor nostálgico por todas as referências e elementos retomados do passado da franquia.

Seguindo com a trama, somos apresentados a Trevor Belmont, o último remanescente de uma tradicional família de caçadores, que foi excomungada pela igreja acusada de estar envolvida com magia negra e de atrair demônios e criaturas das trevas. O personagem que vem diretamente de “Castlevania 3: Dracula’s Curse”, como citamos acima, se mostra reservado e ressentido, mostrando muitas vezes não se importar com nada. Com carisma, humor e muita personalidade, Trevor acaba conquistando tanto aqueles que já o conheciam dos games, como aqueles que nunca haviam escutado seu nome e mesmo com a pouca duração dos episódios, ele acaba evoluindo e sendo bem desenvolvido. Muito por conta da sua interação com os Oradores, mas não entrarei em maiores detalhes para não estragar a experiência. Só posso dizer que Trevor não é o único conhecido a dar as caras e o “elenco” da série é bem desenvolvido e carismático.

Falando em elenco, é preciso dar os parabéns para a talentosa equipe de dublagem do desenho, que manda bem e acerta o tom tornando a experiência ainda melhor. Contando com nomes experientes como Richard Armitage (O Hobbit) e Graham McTavish (Outlander) que dublam Trevor e Drácula respectivamente, o “time” responsável pelas vozes mostra o comprometimento da produção em entregar personagens que soem convincentes em seus atos e vozes.

Uma coisa que pode desagradar os fãs e dificultar a identificação com a série, é a falta da trilha sonora tão marcante dos jogos, faixas inesquecíveis como “Bloody Tears” e “Vampire Killer” não dão as caras e fica difícil entender a ausência de músicas tão importantes, afinal os sons confeririam um tom ainda mais épico ao desenho e são parte importante da identidade de Castlevania. Não que a trilha sonora criada especificamente para a série seja ruim, longe disso, mas não tem o mesmo peso das canções clássicas e sequer conseguem capturar a essência do que esse universo representa.

Mas o único grande defeito de Castlevania parece ser mesmo sua curta duração, quando a trama empolga de vez, a série termina e o que deveria funcionar como uma primeira temporada, parece mais um prólogo lançado com o intuito de “testar” a fórmula e a aprovação do público. Mas no fim, para os fãs como eu, o desenho é um deleite, um presente pelo qual sempre esperamos, diria que até mesmo uma merecida recompensa, já que a Konami não tem agradado com a direção da franquia nos jogos e ao menos na adaptação temos algo em nos que prender, algo para devotar e para os novatos, é uma ótima porta de entrada para este maravilhoso universo. Recomenda-se ler essa resenha ao som de “Bloody Tears”em qualquer uma de suas versões.

 

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Aspirante a escritor, redator freelancer e roteirista nas horas vagas. Típico paulista, vaga de estação em estação procurando um pouco de si em cada lugar que visita. É campeão em maratona de séries e fã de carteirinha de autores como Neil Gaiman e Alan Moore, se considera um chato na maior parte do tempo, se perde em sua própria criatividade e ansiedade.

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53 comentários em “Castlevania – Uma adaptação digna

    1. Olá Joyce ^^ tudo bem ? fico feliz que tenha gostado do post 🙂 e quem sabe o maridão não acaba gostando não é mesmo ? rs assista com ele quando possível ou se sobrar um tempinho para você. Muito obrigado pelo comentário, um abraço ❤

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  1. Eu sou uma dessas pessoas que nem sabia que Castlevania era uma adaptação de um jogo – não tenho muito contato com o mundo dos games – mas quando vi esse título na apresentação dos novos lançamentos da Netflix imediatamente fiquei curiosa, e ao entrar adicionei ela a minha lista. E pelo que pude ler da sua resenha, estou perdendo preciosos minutos por não estar assistindo ainda.
    Parabéns pela descrição da adaptação, me senti como se estivesse lendo uma critica de cineastas renomeados. Um dia chego lá também. kkkkkkkk

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    1. Olá ^^ tudo bem ?
      Muita gente não sabe disso, é super normal, apesar de Castlevania ser uma série de jogos bastante famosa, ela fez mais sucesso em gerações passadas, até me surpreendi com a Netflix por escolher adaptar uma obra que apesar da base de fãs, não tem mais a mesma força de outrora, infelizmente. Mas a adaptação ficou incrível, a série é de qualidade e mesmo quem nunca jogou como você vai gostar bastante, veja assim que possível e comente aqui o que achou 🙂
      Muitíssimo obrigado pelo comentário, me sinto lisonjeado haha um abraço ❤

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  2. Apesar de gostar de games, não conhecia essa série. Vou procurar saber mais dela, porque realmente me chamou a atenção. A unica adaptação de game que lembro de ter assitido foi de Resident Evil.Gostei muito do seu post

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  3. Ei Pedro.
    Eu gosto de história assim, sempre tenho curiosidade sobre Drácula, na sua história clássica, mas confesso que desenho não é para mim.
    Quando vi a primeira foto achei que era seriado com pessoas e fiquei animada porque terminei Lucifer na Netflix essa semana e estou atrás algumas indicações. Mas desenho realmente não é pra mim.

    Beijos
    Literatura Estrangeira

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    1. Oi Ariane ^^ tudo bem ?
      Uma pena que você não curta desenhos, mas quem sabe um dia você não dá uma chance não é mesmo ? rs é uma animação bem madura e sombria, cheia de sangue e com uma trama bem desenvolvida, para quem gosta de histórias vampirescas é um prato cheio.
      Muito obrigado pelo comentário, um abraço ❤

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  4. Talvez tenha sido um teste mesmo, afinal, é alto o investimento e algo assim, e eles precisam da aprovação dos fãs pra ter rendimento. E se foi tão boa quanto vc achou com certeza virá muito mais!
    Eu não acompanha games, mas gostei da premissa e tenha gostado bastante do conteúdo que o Netflix tem produzido! assistirei assim que puder, gosto muito de anime em geral 😀

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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    1. Olá Viviane ^^ tudo bem ?
      Acredito que a Netflix tenha usado a primeira temporada como teste mesmo, para ver a recepção do público e de critica, afinal como você disse o investimento é alto e precisa ter retorno, como a série conseguiu se firmar e foi bem recebida, é quase certo que teremos uma segunda temporada.
      E assista que se vai gostar bastante, apesar de ser um desenho ocidental ele tem traços bem característicos de animes, sem contar que conta com uma ótima trama. Muito obrigado pelo comentário, um abraço ❤

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  5. Oiii!
    Eu não conhecia o game e não tinha ainda ouvido falar sobre a série na Netflix :(, o que não é de se estranhar porque acho que quem acompanha direitinho esses lançamentos são os fãs, não é??? E acho o máximo quando saem essas adaptações e, principalmente, quando os fãs ficam tão satisfeitos assim, sinal de que ficou perfeita. Obrigada pela dica, o post ficou maravilhoso. Beijos
    Luciana (Livros com Pipoca)

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    1. Olá Luciana ^^ tudo bem ?
      Sim, sim, o lançamento foi acompanhado bem de pertinho pelos fãs e felizmente acabou agradando muito. Mas espero que você assista e que goste, quem sabe não vira uma fã tbm ? rs
      Fico feliz que tenha gostado do post 🙂 muito obrigado pelo comentário e um abraço ❤

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  6. Olá Pedro!
    Tenho que admitir que não sei muito sobre “Castelvania” mas me chamou a atenção o fato de citar Drácula que é uma história que pretendo conhecer, o livro está na minha lista de leitura já faz um tempo. Você escreve muito bem, parabéns!

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  7. Oii Pedro.
    Como vai?
    Adaptações de jogos normalmente são uma bosta, falando diretamente. Já perdi a conta de quantos desenhos/filmes/séries baseados em games que só Jesus na causa para o que foi (Resident Evil é a prova viva disso). Contudo eu também fiquei receosa dessa adaptação, mas como você afirma ser digna acho que vou dar uma chance. Espero gostar dela tanto quanto você. Beijos.

    Fantástica Ficção

    Curtido por 1 pessoa

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