Aika: A Canção dos Cinco

Resenha – Aika: A Canção dos Cinco

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Gattai é um mundo fantástico assolado por estranhas catástrofes naturais e uma interminável guerra entre as raças que o habitam. Em meio ao caos, surge um guerreiro com asas de Fênix destinado a trazer o equilíbrio entre a natureza e suas criaturas. Porém, ele foi amaldiçoado por um terrível demônio que devora sua alma. A única pessoa que pode salvá-lo não pertence à Gattai, e sim ao nosso mundo: Aika Akatsuki dos Anjos, uma estudante japonesa mestiça, nascida no Brasil e grande fã de histórias de magia e fantasia. A jovem que enfrenta diariamente a dura rotina de estudos e discriminação por sua ascendência vê sua vida transformada com a descoberta da existência de Gattai e de seu grande ídolo. E para salvá-lo, ela terá que enfrentar seus medos, atravessar um portal mágico, lutar contra terríveis criaturas… tudo isso sem ser reprovada no ensino médio. Aika voará em dragões, aprenderá o que é realmente uma guerra e lutará para salvar o herói não apenas de grandes inimigos, mas de si mesmo. […]

Número de páginas: 555

A história de Lúcia Lemos nos traz um enredo curioso em que temos acesso à uma história de fantasia com menção a mangás e a cultura japonesa, além de importantes críticas à sociedade atual em que vivemos.

A premissa gira em torno de Aika, uma estudante japonesa mestiça, que nasceu no Brasil e de repente, percebe-se dentro do mangá que acompanhava e o destino da vida de quem tanto admira, o seu grande ídolo, está em suas mãos.

Narrado em terceira pessoa, o livro apresenta um prólogo e início um pouco confusos devido ao excesso de informações, o que torna a leitura um tanto arrastada e dificulta a compreensão da trama. Somente a partir do capítulo cinco, a narrativa começa a se desenvolver de modo mais envolvente e o leitor consegue se contextualizar e criar um certo vínculo com o que é transmitido pela autora. Além disso, um dos aspectos mais interessantes é o fato de que Lúcia Lemos não só escreveu como também ilustrou a obra, proporcionando uma experiência agradável e criativa e mostrando o seu talento como uma artista completa.

Mas em relação ao desenvolvimento, ela deixou um pouco a desejar visto que desde o início até o fim, sempre havia alguma cena em que eu não conseguia me manter focada ou interessada totalmente, pois eram trechos monótonos que pareciam descartáveis, já que não acrescentavam nada à obra a meu ver. Por isso, talvez eu tenha levado mais tempo do que imaginei para a conclusão do livro. Em contrapartida, havia fragmentos do livro em que eu me envolvia completamente e isso realmente me deixou indecisa acerca da minha opinião final sobre essa leitura, era como uma montanha-russa de emoções: era sempre uma resposta que oscilava, inexata.

Já a respeito dos pontos positivos, considero-os verdadeiramente importantes! A consciência e percepção da escritora foi, sem dúvidas, essencial para que eles estivessem presentes. Ela nos fornece uma aproximação da cultura japonesa versus brasileira, assim como detalhes sobre cosplayers e animes, e diante de tantos dados falsos e distorcidos a despeito disso creio eu que fora bastante conveniente para leitores que não possuem esse conhecimento. Admito que por estar acostumada a esse cenário e até ser fã da cultura japonesa, pensei que me cativaria um pouco mais, então fiquei de certo modo decepcionada, mas isso é uma opinião totalmente pessoal.

Porém, salvo alguns erros, a escrita dela é verdadeiramente incrível e toda a criação parece bastante impecável por não possuir pontas soltas, ainda mais em uma história com tantas páginas. Sendo assim, ela soube trabalhar de forma admirável nesse extenso enredo, afinal, com suas descrições explicativas e pitadas de humor, ela produziu algo bastante original e único. No entanto, ela me surpreendeu muito no decorrer da leitura, confesso que isso me chamou atenção de modo que não poderia deixar de mencionar. Ela encaixou os assuntos que mais temos que discutir tão naturalmente e sem desviar da premissa proposta, isso foi muito inesperado e genial. Em “Aika – A canção dos cinco” existe mais do que fantasia, há discussão sobre a liberdade do corpo e a culpabilização da vítima, bullying, xenofobia, imposição de gênero e assédio.

Em relação aos personagens, eles foram todos bem construídos, mas a Aika em especial se destacou muito e nem foi por causa do seu protagonismo.  Ela é muito madura e percebe muitas coisas ao seu redor, ela nos apresenta o amor em sua forma mais pura – o de desapego. Admito que pensei que haveria um clichê e surgiria um romance forçado, como li em vários livros deste gênero, contudo, foi exatamente o contrário. Ela lidou até mesmo com a tão temida friendzone (expressão que abomino e aqui você pode entender mais sobre o porquê) sob outra perspectiva. Ela foi uma personagem feminina forte e inteligente, nunca previsível e talvez por essa razão, ela não é aquela personagem que nos deixa irritados por realizar atitudes tolas ou cometer erros clichês.

Por fim, Aika me recordou uma outra trama, W – Two Worlds, um dorama coreano em que a ideia núcleo parece similar, embora trabalhada de formas distintas. Para ser sincera, ambos possuem muito em comum, entretanto, sinto que a obra foi muito mais pensada e não possui falhas como no k-drama que, infelizmente, acabou se perdendo com o enredo e deixou alguns furos que tornaram uma história que podia ser brilhante em algo mal executado. Contudo, se você leu e apreciou o livro de Lúcia Lemos, é possível que possa se interessar por ele.

E então, vocês estão preparados para adentrar no universo de Gattai?carol eu

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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6 comentários em “Aika: A Canção dos Cinco

  1. Oi Caroline

    Adorei da sua resenha, o livro parece ter uma história bem interessante. E também adorei saber que além de escrever o livro a autora também o ilustrou.
    Apesar de não estar no clima para ler esse gênero literário no momento, acho que vale a pena anotar para ler em outro momento. Quem sabe…

    Beijos!!

    Curtido por 1 pessoa

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