Ultravioleta: A Monarquia das Rosas

Resenha – Ultravioleta: A Monarquia das Rosas

por: Caroline Moreira

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Sinopse: Algo está errado em Noary. O mundo entrou em guerra — fugitivos imigrantes se alojaram nesta melancólica cidadela às margens da floresta para se refugiarem. Valerie é um deles. Todavia, a garota nunca imaginaria que, logo após a morte misteriosa de seu pai, sonhos e aparições sombrias começariam a transformar tudo aquilo que conhece e acredita. De noite é inebriada por pesadelos com uma figura terrível; de dia vê-se perseguida por criaturas soturnas. Contudo, assim que Randy e a irmã aparecem em sua vida, seu mundo se dobra ao avesso. Não eram as cicatrizes que lhe preenchiam a face ou a necessidade que Valerie sentia de protegê-lo. Havia algo em Randy que ela sabia já ter conhecido antes, algo extremamente familiar… E perigoso. Os alertas aumentam; mortes e desaparecimentos criam uma aura lúgubre na pequena Noary, bem como nos seus pesadelos — e, neles, passa a surgir uma estranha rosa apoderada em chamas, chamuscando tão singularmente quanto as próprias cores da alvorada. Novos ventos estão prestes a chegar. E Valerie em breve descobrirá que somente ela pode mudar o rumo de tudo.

Número de páginas: 492
Onde encontrar? Saraiva

“Ultravioleta – A monarquia das Rosas” foi um dos livros que mais me marcaram em toda a vida, primeiramente, porque desde a dedicatória presente no livro já estava realmente encantada pela utilização única que a autora fazia das palavras. Após isso, mergulhei em um mundo sem volta, repleto de mistérios e de um clima sombrio que me fazia praticamente sentir o terror vivenciado pela personagem.

Logo nas primeiras páginas somos contextualizados a respeito do que está ocorrendo em Noary, uma pequena cidade localizada entre a divisa de Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, que fora criada em forma de improviso para abrigar os imigrantes devido à guerra que ocorria em alguns países estrangeiros. Por causa da sua localização segura, Valerie abandona o seu país de origem, o Canadá, vindo morar no Brasil com sua mãe Dominique e a sua querida irmã Gwendally.

“Estava congelando de frio e de medo.”

A partir de então somos apresentados ao seu passado e suas lembranças, bem como aos seus pesadelos e as aparições que começam a perturbar a sua mente. Estes eventos começaram desde a morte de seu pai, da qual não há muitos detalhes a princípio visto que o corpo não fora encontrado e existem muitas lacunas a serem preenchidas por esse mistério. O mais curioso a meu ver é o desenvolvimento da obra, porque ela apresenta características próprias do gênero fantástico, porém de um modo totalmente distinto das leituras que realizei até o momento.

Isso porque a maior parte da leitura não me trazia uma sensação de um livro de fantasia, embora tivesse alguns elementos básicos e comuns dessa vertente, e sim, um sentimento de estar experimentando algo próximo do terror ou mais especificamente do thriller psicológico. As aparições e devaneios experimentados pela protagonista eram incrivelmente banhados em um suspense cheio de tensão com descrições que me remetiam a um estado de profunda estaticidade.

“Você provavelmente acha que sua dor é insuportável, mas só conhece um tipo de dor. Acha que sua morte seria ruim, mas só conhece uma face da morte. E não tem ideia do quanto pode ser corrosivo.”

Creio que a habilidade de Beatriz com as palavras foi o ponto mais enriquecedor, porque as metáforas criadas por ela e de como ela progrediu com o enredo sem quase repetir uma palavra, prova não somente o poder de seu vocabulário extenso, mas também como ela soube conduzir um livro de praticamente 500 páginas sempre provocando o leitor em sua teia de enigmas. Apesar de possuir um linguajar um pouco mais requintado, ainda assim, é um texto fácil, o que pode causar certa confusão são os acontecimentos da história e seus detalhes por causa da extensão da trama.

Um dos aspectos que também considerei interessante e distinto dos demais textos de fantasia que li, foi o fato de não haver muitos nomes para criaturas diferentes e inexistentes na nossa realidade. A experiência na primeira pessoa também é agradável, porque avançamos nas descobertas juntamente com ela e por se tratar de algo “não-clichê” e ter um destino incerto, é verdadeiramente a curiosidade que nos motiva a continuar a leitura. Uma das frases que abrangem o conteúdo da obra de modo sucinto, mesmo que pouco esclarecedor é “Dois corações unidos pelas diferentes faces da Morte”, e por mais romântico que isso possa soar, tenham certeza de que essa situação em si não é nada romântica.

“A névoa do medo era só uma barreira, e além dela se encontrava o infinito.”

Há bastantes descrições como já mencionei e talvez isso possa vir a ser um empecilho para alguns, para mim, pelo contrário, serviu para acrescentar a profundidade e complexidade existentes no âmago de Valerie. Tamanha as reflexões feitas por ela, que o que não falta são boas citações a serem retiradas, e teve algumas vezes em que pensei sim que havia algo desnecessário, todavia, como eu amei a escrita da autora era como se eu pudesse continuar a leitura infinitamente. Sinceramente, de todos os livros nacionais que tive a oportunidade de ler até agora, para mim, ela detém a melhor técnica de escrita.

Os personagens também não são inúmeros e são bem construídos, há um em especial e que não comentei ainda: Randy. Com um rosto não muito atraente, com resquícios de cortes e até queimaduras, de alguma forma, ele não repele Valerie, ao invés disso, ele lhe é familiar. Os dois nutrem uma amizade e ao lado de Stacy, a melhor amiga de Valerie, o trio consolida uma relação forte, um vínculo poderoso. No entanto, o garoto esconde muitos segredos de Val e isso acaba por afetá-la, não só por seu amigo lhe ocultar detalhes relevantes que também lhe pertencem, como também porque a sua imaginação e os seus pensamentos não a deixam em paz. Afinal, quais segredos sobre si mesma não lhe foram revelados?

“Eu dividiria a minha alma inteira com você. Não só minha alma… Também meu coração.”

“Ultravioleta” é acima de tudo, um livro sobre os mistérios da morte e da vida, foi incrível ter acesso a ele e eu o indicaria por muitos motivos, aliás, eu o amei tanto que mal consigo dispor isso em palavras.

Venha para Noary, mas cuidado para não se perder no labirinto mental de Valerie.carol eu

 

 

Dona de 18 primaveras. Feminista. Estudante de Pedagogia. Amante de MPB, animes, k-pop, doramas e uma boa xícara de café. Não vive sem livros, filmes ou maquiagem. É apaixonada por Fred Elboni e quer proteger todos os animais do mundo 🌸

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